Debate promovido
pelo Bernoulli Reload 2026 reuniu lideranças educacionais de todo o país para
discutir o papel da inteligência artificial, dos professores e das habilidades
humanas
Crédito - PlayP Brasil
A inteligência artificial já faz parte da realidade
das escolas e amplia os debates sobre como a educação deve se preparar para as
transformações provocadas pela tecnologia. Esse foi um dos principais temas do
Bernoulli Reload 2026, realizado nesta terça-feira (11), no Parque Mirante, em
São Paulo (SP). Com o tema “Inteligências que impulsionam a educação”, o
encontro reuniu mais de 800 gestores e mantenedores de escolas parceiras do
Bernoulli Sistema de Ensino, de diferentes regiões do país, para discutir como
a combinação entre inteligência humana, coletiva e artificial pode contribuir
para transformar a educação.
A preocupação em entender como incorporar a IA de
maneira estratégica também aparece no cenário educacional brasileiro. Segundo a
pesquisa TIC Educação 2025, realizada pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos
para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), 53% dos gestores escolares
já utilizam inteligência artificial na administração das escolas, enquanto
apenas 22% das instituições possuem algum guia ou diretriz formal para orientar
esse uso. Entre os estudantes, 37% das escolas permitem a utilização de IA em
atividades. Os dados reforçam que a discussão sobre inteligência artificial já
ultrapassou a perspectiva de uma tendência futura e passou a fazer parte dos
desafios cotidianos das instituições de ensino.
Para Marcos Raggazzi, diretor-executivo das
unidades escolares do Bernoulli Educação, a presença da IA na educação
acompanha uma transformação que já ocorre em diferentes setores da sociedade e
precisa ser considerada pelas escolas. “A humanidade está vivenciando algo que
vai mudar significativamente a forma de ser, de agir e de interagir no mundo.
Se a função da escola é preparar os alunos para os desafios do presente e do
futuro, não podemos abrir mão de trabalhar com a inteligência artificial nas
nossas salas de aula.”
Preparar a escola para um novo
cenário
Durante o Reload, a discussão sobre IA passou não
apenas pela adoção de novas ferramentas, mas pela necessidade de repensar o
papel da escola diante de um cenário em que o acesso à informação é cada vez
mais amplo e instantâneo. A reflexão esteve presente em diferentes momentos da
programação, que reuniu especialistas de educação, tecnologia, inovação e
empreendedorismo. Na palestra “Supercharge the human: preparing the next
generation to thrive in an AI world”, Victoria Woo, empreendedora, professora
de Stanford e líder de parcerias em IA e educação executiva na INSEAD, abordou
a preparação das novas gerações para um ambiente cada vez mais influenciado
pela tecnologia, destacando a importância de potencializar habilidades humanas.
Para Lucas Hanusch, presidente do Bernoulli
Educação, a inteligência artificial deve ser compreendida como parte de uma
transformação mais ampla, e não como uma tecnologia isolada. “A inteligência
artificial tem um papel, mas ela não vai substituir o papel do professor, do
gestor e o do ser humano. Quando a gente mistura esses dois, é que a gente tem
o melhor. Não adianta falar de inteligência artificial, separado, como se fosse
só uma tecnologia, mas é como ela, junto com toda a experiência humana, vão
transformar a educação daqui pra frente.”
Além das reflexões sobre o futuro da educação, o
Bernoulli Reload também apresentou possibilidades concretas de aplicação da
inteligência artificial no cotidiano das escolas. A programação abordou temas
como personalização da aprendizagem, análise de dados e desenvolvimento de
novas práticas para professores, estudantes e gestores.
A proposta de integrar diferentes formas de
inteligência também esteve no centro da própria concepção do Reload. Para
Rommel Domingos, sócio-fundador e membro do Conselho de Administração do
Bernoulli Educação, a troca entre profissionais e instituições é fundamental
para que a educação avance diante das transformações atuais. “Quando pensamos
coletivamente, conseguimos ampliar as perspectivas, transformar experiências em
conhecimento e, a partir disso, desenvolver novas soluções para a educação.”
Ao reunir lideranças de diferentes regiões do país
para discutir os impactos da inteligência artificial e as novas demandas para
professores, estudantes e gestores, o Bernoulli Reload 2026 reforçou que
preparar a escola para o futuro envolve mais do que incorporar tecnologia. O
desafio está em encontrar formas de utilizar a IA de maneira estratégica,
aliando inovação, inteligência coletiva e desenvolvimento das competências humanas.
Consideradas as
médias das provas objetivas de escolas com mais de 100 alunos, segundo dados do
Inep 2010-2025.
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