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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Com avanço da IA, escolas precisam ir além da tecnologia e repensar a educação

Crédito - PlayP Brasil
Debate promovido pelo Bernoulli Reload 2026 reuniu lideranças educacionais de todo o país para discutir o papel da inteligência artificial, dos professores e das habilidades humanas

 

A inteligência artificial já faz parte da realidade das escolas e amplia os debates sobre como a educação deve se preparar para as transformações provocadas pela tecnologia. Esse foi um dos principais temas do Bernoulli Reload 2026, realizado nesta terça-feira (11), no Parque Mirante, em São Paulo (SP). Com o tema “Inteligências que impulsionam a educação”, o encontro reuniu mais de 800 gestores e mantenedores de escolas parceiras do Bernoulli Sistema de Ensino, de diferentes regiões do país, para discutir como a combinação entre inteligência humana, coletiva e artificial pode contribuir para transformar a educação. 

A preocupação em entender como incorporar a IA de maneira estratégica também aparece no cenário educacional brasileiro. Segundo a pesquisa TIC Educação 2025, realizada pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), 53% dos gestores escolares já utilizam inteligência artificial na administração das escolas, enquanto apenas 22% das instituições possuem algum guia ou diretriz formal para orientar esse uso. Entre os estudantes, 37% das escolas permitem a utilização de IA em atividades. Os dados reforçam que a discussão sobre inteligência artificial já ultrapassou a perspectiva de uma tendência futura e passou a fazer parte dos desafios cotidianos das instituições de ensino. 

Para Marcos Raggazzi, diretor-executivo das unidades escolares do Bernoulli Educação, a presença da IA na educação acompanha uma transformação que já ocorre em diferentes setores da sociedade e precisa ser considerada pelas escolas. “A humanidade está vivenciando algo que vai mudar significativamente a forma de ser, de agir e de interagir no mundo. Se a função da escola é preparar os alunos para os desafios do presente e do futuro, não podemos abrir mão de trabalhar com a inteligência artificial nas nossas salas de aula.”
 

Preparar a escola para um novo cenário

Durante o Reload, a discussão sobre IA passou não apenas pela adoção de novas ferramentas, mas pela necessidade de repensar o papel da escola diante de um cenário em que o acesso à informação é cada vez mais amplo e instantâneo. A reflexão esteve presente em diferentes momentos da programação, que reuniu especialistas de educação, tecnologia, inovação e empreendedorismo. Na palestra “Supercharge the human: preparing the next generation to thrive in an AI world”, Victoria Woo, empreendedora, professora de Stanford e líder de parcerias em IA e educação executiva na INSEAD, abordou a preparação das novas gerações para um ambiente cada vez mais influenciado pela tecnologia, destacando a importância de potencializar habilidades humanas. 

Para Lucas Hanusch, presidente do Bernoulli Educação, a inteligência artificial deve ser compreendida como parte de uma transformação mais ampla, e não como uma tecnologia isolada. “A inteligência artificial tem um papel, mas ela não vai substituir o papel do professor, do gestor e o do ser humano. Quando a gente mistura esses dois, é que a gente tem o melhor. Não adianta falar de inteligência artificial, separado, como se fosse só uma tecnologia, mas é como ela, junto com toda a experiência humana, vão transformar a educação daqui pra frente.” 

Além das reflexões sobre o futuro da educação, o Bernoulli Reload também apresentou possibilidades concretas de aplicação da inteligência artificial no cotidiano das escolas. A programação abordou temas como personalização da aprendizagem, análise de dados e desenvolvimento de novas práticas para professores, estudantes e gestores. 

A proposta de integrar diferentes formas de inteligência também esteve no centro da própria concepção do Reload. Para Rommel Domingos, sócio-fundador e membro do Conselho de Administração do Bernoulli Educação, a troca entre profissionais e instituições é fundamental para que a educação avance diante das transformações atuais. “Quando pensamos coletivamente, conseguimos ampliar as perspectivas, transformar experiências em conhecimento e, a partir disso, desenvolver novas soluções para a educação.” 

Ao reunir lideranças de diferentes regiões do país para discutir os impactos da inteligência artificial e as novas demandas para professores, estudantes e gestores, o Bernoulli Reload 2026 reforçou que preparar a escola para o futuro envolve mais do que incorporar tecnologia. O desafio está em encontrar formas de utilizar a IA de maneira estratégica, aliando inovação, inteligência coletiva e desenvolvimento das competências humanas. 

 

Consideradas as médias das provas objetivas de escolas com mais de 100 alunos, segundo dados do Inep 2010-2025. 


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