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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Até 15% dos pacientes com cálculos nos canais biliares enfrentam casos que exigem procedimentos complexos para adequada resolução clínica

Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) alerta para os limites das técnicas endoscópicas convencionais e ressalta a importância da participação social na consulta pública da ANS para ampliar o acesso a tratamentos de alta resolutividade

 

A coledocolitíase, caracterizada pela presença de cálculos no ducto biliar comum, é um desafio frequente para a gastroenterologia e a endoscopia digestiva. Estima-se que entre 3% e 15% dos pacientes com colelitíase sintomática (pedras na vesícula) também apresentem cálculos nos ductos biliares. Deste total, cerca de 10% a 15% desenvolvem quadros classificados como difíceis ou complexos, devido a fatores como tamanho avantajado dos cálculos, formatos irregulares, localização de difícil acesso ou alterações anatômicas no paciente. 

Para debater as melhores condutas e ampliar o acesso às tecnologias de visualização direta, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) destaca os limites das técnicas tradicionais e a necessidade de evolução na linha de cuidado desses pacientes na saúde suplementar. 

Atualmente, o tratamento de primeira linha para cálculos biliares é a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) convencional. No entanto, quando os cálculos são complexos, a taxa de sucesso das técnicas tradicionais associadas à CPRE (como a remoção por balão ou cesta) cai para cerca de 66,7%. Nesses cenários de falha, os pacientes frequentemente são submetidos a reintervenções seriadas e inconclusivas, o que prolonga o tempo de internação e aumenta o risco de complicações graves, como a colangite aguda (inflamação dos ductos biliares). 

"Nos casos em que as técnicas convencionais falham, a colangioscopia com litotripsia a laser ou eletro-hidráulica associada à litotripsia intraductal, seja por laser ou por ondas de choque eletro-hidráulicas, apresenta-se como a abordagem recomendada pelas principais diretrizes médicas mundiais. Ela viabiliza o clareamento ductal completo de forma segura e com menor tempo de hospitalização", explica o Dr. Eduardo de Moura, presidente da SOBED. 

Ao contrário da CPRE convencional, que oferece apenas imagens radiográficas indiretas das vias biliares utilizando raio-X e contraste, a colangioscopia com litotripsia a laser ou eletro-hidráulica permite que o médico introduza um endoscópio ultrafino de operador único diretamente no canal biliar. Com a visualização direta e em tempo real da estrutura interna, o especialista consegue guiar com precisão as sondas de litotripsia para fragmentar os cálculos de difícil remoção de forma minimamente invasiva, reduzindo drasticamente a necessidade de encaminhar o paciente para cirurgias abertas convencionais.

 

PARTICIPAÇÃO SOCIAL: CONSULTA PÚBLICA DA ANS

Para discutir a cobertura desse procedimento na saúde suplementar, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu, no dia 12/08, uma Consulta Pública para receber contribuições de médicos, profissionais de saúde e da sociedade civil sobre a incorporação da colangioscopia com litotripsia a laser ou eletro-hidráulica com litotripsia no Rol de procedimentos de cobertura obrigatória dos planos de saúde, que permanecerá aberta para manifestações por um período de 20 dias, encerrando-se no dia 31/08. A SOBED reforça a importância da participação ativa da sociedade e da comunidade médica neste processo para garantir que os beneficiários de planos de saúde tenham acesso regulamentado a uma tecnologia de alta resolutividade e clinicamente consolidada. Link: ANS - Consulta Publica Gov Tela Inicial

 

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