Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) alerta para os limites das técnicas endoscópicas convencionais e ressalta a importância da participação social na consulta pública da ANS para ampliar o acesso a tratamentos de alta resolutividade
A coledocolitíase, caracterizada pela presença de cálculos no ducto biliar comum, é um desafio frequente para a gastroenterologia e a endoscopia digestiva. Estima-se que entre 3% e 15% dos pacientes com colelitíase sintomática (pedras na vesícula) também apresentem cálculos nos ductos biliares. Deste total, cerca de 10% a 15% desenvolvem quadros classificados como difíceis ou complexos, devido a fatores como tamanho avantajado dos cálculos, formatos irregulares, localização de difícil acesso ou alterações anatômicas no paciente.
Para debater as melhores condutas e ampliar o acesso às tecnologias de visualização direta, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) destaca os limites das técnicas tradicionais e a necessidade de evolução na linha de cuidado desses pacientes na saúde suplementar.
Atualmente, o tratamento de primeira linha para cálculos biliares é a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) convencional. No entanto, quando os cálculos são complexos, a taxa de sucesso das técnicas tradicionais associadas à CPRE (como a remoção por balão ou cesta) cai para cerca de 66,7%. Nesses cenários de falha, os pacientes frequentemente são submetidos a reintervenções seriadas e inconclusivas, o que prolonga o tempo de internação e aumenta o risco de complicações graves, como a colangite aguda (inflamação dos ductos biliares).
"Nos casos em que as técnicas convencionais falham, a colangioscopia com litotripsia a laser ou eletro-hidráulica associada à litotripsia intraductal, seja por laser ou por ondas de choque eletro-hidráulicas, apresenta-se como a abordagem recomendada pelas principais diretrizes médicas mundiais. Ela viabiliza o clareamento ductal completo de forma segura e com menor tempo de hospitalização", explica o Dr. Eduardo de Moura, presidente da SOBED.
Ao contrário da CPRE convencional, que oferece apenas imagens
radiográficas indiretas das vias biliares utilizando raio-X e contraste, a
colangioscopia com litotripsia a laser ou eletro-hidráulica permite que o
médico introduza um endoscópio ultrafino de operador único diretamente no canal
biliar. Com a visualização direta e em tempo real da estrutura interna, o
especialista consegue guiar com precisão as sondas de litotripsia para
fragmentar os cálculos de difícil remoção de forma minimamente invasiva,
reduzindo drasticamente a necessidade de encaminhar o paciente para cirurgias
abertas convencionais.
PARTICIPAÇÃO
SOCIAL: CONSULTA PÚBLICA DA ANS
Para discutir a cobertura desse procedimento na saúde suplementar,
a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu, no dia 12/08,
uma Consulta Pública para receber contribuições de médicos, profissionais de
saúde e da sociedade civil sobre a incorporação da colangioscopia com
litotripsia a laser ou eletro-hidráulica com litotripsia no Rol de
procedimentos de cobertura obrigatória dos planos de saúde, que permanecerá
aberta para manifestações por um período de 20 dias, encerrando-se no dia 31/08.
A SOBED reforça a importância da participação ativa da sociedade e da
comunidade médica neste processo para garantir que os beneficiários de planos
de saúde tenham acesso regulamentado a uma tecnologia de alta resolutividade e
clinicamente consolidada. Link: ANS - Consulta Publica Gov Tela Inicial
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