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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Colesterol alto é sempre culpa da alimentação? Especialistas comentam mitos e verdades sobre a influência da genética

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a hipercolesterolemia familiar afeta 1 em cada 250 pessoas e é uma das doenças genéticas mais comuns do mundo

 

Embora a alimentação e a prática de atividade física sejam fundamentais para manter o colesterol sob controle, nem todos os casos de colesterol elevado estão relacionados aos hábitos de vida. Em algumas pessoas, a principal causa é genética, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares mesmo entre indivíduos que mantêm uma rotina saudável.  

No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce da hipercolesterolemia familiar (HF), doença hereditária caracterizada por níveis elevados de colesterol LDL ("colesterol ruim") desde o nascimento. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a condição afeta cerca de 1 em cada 250 pessoas e é considerada uma das doenças genéticas mais comuns no mundo. Apesar disso, a maioria dos casos permanece sem diagnóstico.  

Como os sintomas costumam ser silenciosos, muitas pessoas só descobrem a doença após um evento cardiovascular, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Para explicar dúvidas frequentes sobre o tema, especialistas explicam o que é mito e o que é verdade. 
 

Colesterol alto sempre é consequência da alimentação: MITO 

Embora hábitos alimentares inadequados possam elevar os níveis de colesterol, eles não explicam todos os casos. Na hipercolesterolemia familiar, uma alteração genética dificulta a remoção do colesterol LDL da circulação, fazendo com que ele permaneça elevado desde os primeiros anos de vida. 

"Quando o colesterol elevado tem origem genética, mudanças na alimentação continuam sendo importantes, mas geralmente não são suficientes para normalizar os níveis de LDL. Na maioria dos casos, é necessário associar o uso de medicação, como as estatinas, ao acompanhamento médico regular. O diagnóstico precoce é essencial para reduzir o risco de complicações cardiovasculares", explica Cristina Khawali, endocrinologista do Laboratório Exame, marca da Dasa no Distrito Federal. 
 

Pessoas magras e fisicamente ativas também podem ter colesterol alto: VERDADE 

Ter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e manter o peso adequado reduz o risco cardiovascular, mas não impede que uma pessoa com predisposição genética apresente colesterol elevado. 

"É comum que pacientes com hipercolesterolemia familiar tenham hábitos saudáveis e, ainda assim, apresentem níveis elevados de colesterol. Nesses casos, a genética exerce um papel muito mais importante do que o estilo de vida. Por isso, ter hábitos saudáveis não substitui a realização periódica do exame de colesterol, principalmente para quem tem histórico familiar da doença", afirma Cristina Khawali. 
 

Se meu colesterol é hereditário, não adianta mudar os hábitos: MITO 

Mesmo quando existe uma causa genética, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e seguir o tratamento indicado pelo médico fazem parte do controle da doença e ajudam a reduzir o risco de complicações cardiovasculares. 
 

Quem tem casos de infarto precoce na família deve investigar o colesterol: VERDADE 

Histórico familiar de colesterol alto ou de infarto em homens antes dos 55 anos de idade e mulheres antes dos 65 anos pode ser um sinal de alerta para hipercolesterolemia familiar. 

"Nessas situações, investigar o histórico familiar é tão importante quanto avaliar os exames laboratoriais. Em alguns casos, os testes genéticos também podem auxiliar na confirmação do diagnóstico e na identificação de outros familiares que possam ter herdado a alteração genética", explica Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em Genética e fundador da Genera, marca da Dasade genômica pessoal. 
 

Crianças também podem ter colesterol alto: VERDADE 

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a hipercolesterolemia familiar está presente desde o nascimento: crianças com a alteração genética já nascem com o colesterol LDL elevado. Segundo o estudo ERICA, que avaliou adolescentes brasileiros, quase 3 milhões de jovens no país têm colesterol total elevado. Por isso, crianças com histórico familiar da doença ou de eventos cardiovasculares precoces devem ter o colesterol avaliado já entre os 2 e os 8 anos de idade; as demais podem esperar o rastreamento universal recomendado a partir dos 9 ou 10 anos. 

 


Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) – Consenso Brasileiro sobre Hipercolesterolemia Familiar.

  • Ministério da Saúde – Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV).
  • Organização Mundial da Saúde (OMS) – Cardiovascular diseases (CVDs).
  • Estudo ERICA (Faria JR et al.) – Prevalence of Dyslipidemia in Brazilian Adolescents, Revista de Saúde Pública, 2016.
  • Cesena FY – Detecção de Hipercolesterolemia Familiar em Adolescentes: o Rastreamento Universal é Fundamental, Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025.
  • National Cancer Institute (NCI) – Common Cancer Myths and Misconceptions.
  • Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes (DZD/diabinfo.de) – Genetic risk factors for type 2 diabetes.


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