Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a
hipercolesterolemia familiar afeta 1 em cada 250 pessoas e é uma das doenças
genéticas mais comuns do mundo
Embora
a alimentação e a prática de atividade física sejam fundamentais para manter o colesterol
sob controle, nem todos os casos de colesterol elevado estão relacionados aos
hábitos de vida. Em algumas pessoas, a principal causa é genética, o que
aumenta o risco de doenças cardiovasculares mesmo entre indivíduos que mantêm
uma rotina saudável.
No
Dia Nacional de Combate ao Colesterol, especialistas alertam para a importância
do diagnóstico precoce da hipercolesterolemia familiar (HF), doença hereditária
caracterizada por níveis elevados de colesterol LDL ("colesterol
ruim") desde o nascimento. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia
(SBC), a condição afeta cerca de 1 em cada 250 pessoas e é considerada uma das
doenças genéticas mais comuns no mundo. Apesar disso, a maioria dos casos
permanece sem diagnóstico.
Como
os sintomas costumam ser silenciosos, muitas pessoas só descobrem a doença após
um evento cardiovascular, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
Para explicar dúvidas frequentes sobre o tema, especialistas explicam o que é
mito e o que é verdade.
Colesterol
alto sempre é consequência da alimentação: MITO
Embora hábitos
alimentares inadequados possam elevar os níveis de colesterol, eles não
explicam todos os casos. Na hipercolesterolemia familiar, uma alteração
genética dificulta a remoção do colesterol LDL da circulação, fazendo com que
ele permaneça elevado desde os primeiros anos de vida.
"Quando o
colesterol elevado tem origem genética, mudanças na alimentação continuam sendo
importantes, mas geralmente não são suficientes para normalizar os níveis de LDL.
Na maioria dos casos, é necessário associar o uso de medicação, como as
estatinas, ao acompanhamento médico regular. O diagnóstico precoce é essencial
para reduzir o risco de complicações cardiovasculares", explica Cristina
Khawali, endocrinologista do Laboratório Exame, marca da Dasa no Distrito
Federal.
Pessoas
magras e fisicamente ativas também podem ter colesterol alto: VERDADE
Ter uma
alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e manter o peso
adequado reduz o risco cardiovascular, mas não impede que uma pessoa com
predisposição genética apresente colesterol elevado.
"É comum que
pacientes com hipercolesterolemia familiar tenham hábitos saudáveis e, ainda
assim, apresentem níveis elevados de colesterol. Nesses casos, a genética
exerce um papel muito mais importante do que o estilo de vida. Por isso, ter
hábitos saudáveis não substitui a realização periódica do exame de colesterol,
principalmente para quem tem histórico familiar da doença", afirma
Cristina Khawali.
Se meu colesterol
é hereditário, não adianta mudar os hábitos: MITO
Mesmo quando
existe uma causa genética, manter uma alimentação equilibrada, praticar
atividade física regularmente e seguir o tratamento indicado pelo médico fazem
parte do controle da doença e ajudam a reduzir o risco de complicações
cardiovasculares.
Quem tem
casos de infarto precoce na família deve investigar o colesterol: VERDADE
Histórico familiar
de colesterol alto ou de infarto em homens antes dos 55 anos de idade e
mulheres antes dos 65 anos pode ser um sinal de alerta para hipercolesterolemia
familiar.
"Nessas
situações, investigar o histórico familiar é tão importante quanto avaliar os
exames laboratoriais. Em alguns casos, os testes genéticos também podem
auxiliar na confirmação do diagnóstico e na identificação de outros familiares
que possam ter herdado a alteração genética", explica Ricardo Di Lazzaro,
médico doutor em Genética e fundador da Genera, marca da Dasade genômica pessoal.
Crianças
também podem ter colesterol alto: VERDADE
Ao contrário do
que muitas pessoas imaginam, a hipercolesterolemia familiar está presente desde
o nascimento: crianças com a alteração genética já nascem com o colesterol LDL
elevado. Segundo o estudo ERICA, que avaliou adolescentes brasileiros, quase 3
milhões de jovens no país têm colesterol total elevado. Por isso, crianças com
histórico familiar da doença ou de eventos cardiovasculares precoces devem ter
o colesterol avaliado já entre os 2 e os 8 anos de idade; as demais podem
esperar o rastreamento universal recomendado a partir dos 9 ou 10 anos.
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) –
Consenso Brasileiro sobre Hipercolesterolemia Familiar.
- Ministério
da Saúde – Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV).
- Organização
Mundial da Saúde (OMS) – Cardiovascular diseases (CVDs).
- Estudo
ERICA (Faria JR et al.) – Prevalence of Dyslipidemia in Brazilian
Adolescents, Revista de Saúde Pública, 2016.
- Cesena
FY – Detecção de Hipercolesterolemia Familiar em Adolescentes: o
Rastreamento Universal é Fundamental, Arquivos Brasileiros de Cardiologia,
2025.
- National
Cancer Institute (NCI) – Common Cancer Myths and Misconceptions.
- Centro
Alemão de Pesquisa em Diabetes (DZD/diabinfo.de) – Genetic risk factors
for type 2 diabetes.
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