Distração
frequente, dificuldade para concluir tarefas e inquietação podem ser
confundidas com comportamentos comuns da infância; especialista explica quais
sinais merecem atenção dos pais e da escola.
Crianças distraídas, inquietas ou que apresentam dificuldade
para concluir atividades nem sempre têm um transtorno de déficit de atenção e
hiperatividade. No entanto, quando esses comportamentos são frequentes e
começam a interferir na aprendizagem, na rotina familiar e na convivência
escolar, é importante investigar o que está por trás dessas dificuldades.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o transtorno de
déficit de atenção e hiperatividade está entre os transtornos do
neurodesenvolvimento mais comuns na infância. A identificação adequada depende
da observação dos comportamentos ao longo do tempo e em diferentes ambientes,
já que características isoladas não são suficientes para estabelecer um
diagnóstico.
De acordo com a pedagoga e especialista em
neuropsicopedagogia Shirley Taborda, um dos principais pontos de atenção é a
persistência dos sinais. "Uma criança pode estar desatenta em determinado
momento por vários motivos, como cansaço, mudanças na rotina ou até mesmo falta
de interesse em uma atividade específica. O que precisa ser observado é quando
essa dificuldade se repete e começa a prejudicar a vida escolar e outras
atividades do dia a dia", explica.
Entre os sinais que podem indicar a necessidade de uma
avaliação estão a distração frequente, o esquecimento de tarefas e objetos, a
dificuldade para seguir instruções e concluir atividades, além da inquietação e
da necessidade constante de se movimentar. No entanto, esses comportamentos
precisam ser analisados dentro do contexto de cada criança e não devem ser
interpretados isoladamente.
A escola também desempenha um papel importante nesse
processo. Professores e pedagogos costumam perceber mudanças no comportamento e
dificuldades de aprendizagem antes mesmo que a família identifique que existe
algum problema. A partir dessas observações, a criança pode ser encaminhada
para uma avaliação especializada, que ajuda a compreender melhor suas
necessidades.
Na avaliação neuropsicopedagógica, Shirley realiza uma investigação
individualizada das dificuldades relacionadas à aprendizagem. O processo é
desenvolvido ao longo de seis sessões e envolve entrevistas com os
responsáveis, aplicação de testes padronizados e uma análise de diferentes
aspectos do desenvolvimento, como memória, coordenação motora, raciocínio
lógico e estratégias de aprendizagem. Ao final, a família recebe um relatório
detalhado com orientações que podem contribuir para o acompanhamento da criança
em casa e na escola.
"Nosso objetivo não é olhar apenas para um
comportamento ou buscar um diagnóstico de forma isolada. É entender como aquela
criança aprende, quais são suas dificuldades e quais estratégias podem
ajudá-la. A avaliação também pode ser importante para crianças que ainda não
têm um diagnóstico, justamente para esclarecer dúvidas e orientar os próximos
passos", afirma Shirley.
A especialista reforça que buscar informação e avaliação adequada pode evitar que dificuldades sejam confundidas com preguiça, falta de interesse ou indisciplina. Quanto mais cedo a família e a escola compreendem o que está acontecendo, maiores são as possibilidades de oferecer à criança o suporte necessário para seu desenvolvimento e aprendizagem.
Fonte: Shirley Taborda — Pedagoga e especialista em
Neuropsicopedagogia.
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