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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Inteligência artificial ganha regras na medicina e reforça o papel do médico nas decisões

Nova resolução do Conselho Federal de Medicina estabelece limites para o uso da tecnologia e abre espaço para aplicações que tornam o acompanhamento dos pacientes mais preciso, seguro e personalizado 

 

A inteligência artificial já faz parte da rotina de hospitais e clínicas brasileiras, mas agora passa a contar com regras específicas para sua utilização. Publicada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a Resolução nº 2.454/2026 estabelece que a IA pode ser utilizada como ferramenta de apoio à decisão clínica, à gestão em saúde, à pesquisa científica e à educação médica, desde que respeite princípios éticos, científicos e legais. A norma também deixa claro que a decisão final sobre diagnóstico, tratamento e prognóstico continua sendo exclusivamente do médico.

Para o cirurgião plástico Dr. Alexandre Peruzzo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a regulamentação representa um passo importante para acelerar a inovação sem comprometer a segurança do paciente. Segundo ele, a inteligência artificial tende a ampliar a capacidade de análise médica, mas jamais substituirá o raciocínio clínico.

"A inteligência artificial consegue organizar grandes volumes de informação, comparar exames, acompanhar indicadores e identificar padrões que muitas vezes levariam mais tempo para serem avaliados manualmente. Mas ela não enxerga o paciente como um todo. Quem interpreta essas informações dentro da realidade clínica continua sendo o médico", afirma.

A resolução determina que toda utilização relevante de IA no cuidado ao paciente deve ocorrer com supervisão humana obrigatória. O médico pode aceitar ou rejeitar as recomendações produzidas pelo sistema, deve registrar seu uso em prontuário e informar o paciente sempre que a tecnologia participar de forma significativa do atendimento. Além disso, a norma proíbe que a inteligência artificial comunique diagnósticos ou decisões terapêuticas diretamente ao paciente.

Na cirurgia plástica, Peruzzo acredita que a tecnologia tende a ganhar espaço principalmente no acompanhamento longitudinal dos pacientes. Em vez de atuar apenas durante a consulta, a IA poderá integrar informações obtidas ao longo do tratamento, permitindo uma visão mais ampla da evolução clínica.

"Hoje já conseguimos reunir exames laboratoriais, composição corporal, fotografias seriadas, ultrassonografias e diversos indicadores de saúde. A inteligência artificial pode organizar esses dados, identificar tendências e facilitar comparações objetivas entre diferentes momentos do tratamento. Isso torna o acompanhamento mais preciso e individualizado", destaca.

Essa aplicação também favorece o planejamento cirúrgico. Com o apoio da tecnologia, torna-se possível analisar mudanças metabólicas, acompanhar ganho ou perda de massa muscular, verificar alterações na distribuição de gordura corporal e monitorar fatores que influenciam diretamente a recuperação pós-operatória.

Segundo Peruzzo, a utilização da IA faz sentido principalmente dentro de uma medicina que acompanha o paciente continuamente, e não apenas no momento da cirurgia.

"A cirurgia é apenas uma etapa. O paciente chega com um histórico, passa por exames, modifica hábitos e continua sendo acompanhado depois do procedimento. Quando conseguimos integrar todas essas informações, as decisões deixam de ser baseadas apenas em uma fotografia daquele dia e passam a considerar toda a evolução clínica", ressalta.

A regulamentação também reforça a necessidade de governança sobre os sistemas utilizados. A resolução estabelece critérios para classificação de risco das aplicações de inteligência artificial, exige observância integral da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e prevê mecanismos de auditoria e monitoramento das soluções empregadas na prática médica.

Na avaliação do especialista, a tecnologia também tende a reduzir tarefas operacionais que consomem tempo dos profissionais de saúde, permitindo maior dedicação ao atendimento.

"Grande parte do potencial da inteligência artificial está em automatizar atividades repetitivas, organizar informações e gerar relatórios. Isso libera tempo para aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: ouvir o paciente, compreender suas expectativas, interpretar detalhes do exame físico e construir uma relação de confiança", afirma.


Onde a inteligência artificial pode contribuir na cirurgia plástica

Embora cada caso exija avaliação individual, algumas aplicações já demonstram potencial para ampliar a eficiência do acompanhamento médico:

  • organização e comparação de exames laboratoriais ao longo do tratamento;
  • monitoramento da composição corporal e da evolução metabólica;
  • acompanhamento da recuperação pós-operatória com análise de indicadores clínicos;
  • integração de fotografias, exames e histórico médico para apoiar o planejamento cirúrgico;
  • auxílio na documentação clínica e na gestão das informações do paciente.

Para Peruzzo, a regulamentação do CFM consolida um princípio que deve orientar toda inovação na saúde: a tecnologia deve ampliar a capacidade do médico, nunca substituí-la.

"A inteligência artificial é uma ferramenta extremamente poderosa quando utilizada de forma ética, transparente e baseada em evidências. Ela melhora a qualidade das informações disponíveis para o médico. Mas a responsabilidade pela decisão continuará sendo humana, porque cada paciente possui características, expectativas e necessidades que nenhum algoritmo consegue compreender integralmente", conclui.

  



Dr. Alexandre Peruzzo Cremers 26736 /Rqe 34441 - cirurgião plástico em Porto Alegre, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mentor de médicos em gestão e marketing, proprietário de clínicas de alto padrão e ex-professor da ULBRA, onde atuou por cinco anos. Formado em Medicina em 2001 e em Cirurgia Plástica em 2008, construiu sua trajetória com foco em técnicas minimamente invasivas, recuperação rápida, personalização e integração entre estética, saúde e longevidade. Ao longo da carreira, desenvolveu a Minilipolaser, técnica minimamente invasiva para remoção de gordura localizada, baseada na adaptação do procedimento às necessidades reais de cada paciente. Sua atuação parte da tese de que a cirurgia plástica deve ser uma oportunidade de reaproximação do paciente com a própria saúde, com atenção à preservação do metabolismo, da massa muscular, da rotina e dos hábitos de vida.
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Clínica d Dr. Alexandre Peruzzo

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