Especialista alerta para os perigos de retomar atividades de impacto ou a rotina íntima sem a reabilitação da musculatura profunda, o que pode agravar escapes de urina e a sensação de flacidez interna.
O nascimento de um filho vira a
vida de qualquer mulher do avesso, no bom sentido, claro, mas o corpo cobra o
preço. Na pressa de recuperar a antiga rotina e a autoestrada da autoestima,
muitas recém-mães acabam ignorando avisos discretos do próprio corpo. O
problema é que a pressa pode custar caro: estimativas mostram que cerca de 30%
das mulheres enfrentam algum grau de incontinência urinária no pós-parto. É um
número alto para um sintoma que a maioria tenta esconder por pura vergonha, achando
que faz parte do processo.
Existe um mito muito comum de que
a famosa liberação médica dos 40 dias é um sinal verde para fazer qualquer
coisa. Só que a fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira lembra
que o exame do obstetra avalia a cicatrização do útero e dos pontos, e não se a
musculatura que sustenta a bexiga e o canal vaginal recuperou a função. “A
musculatura profunda passa por uma sobrecarga imensa durante a gestação
inteira, não importa se o parto foi normal ou cesárea. Voltar a correr ou a
saltar sem recuperar essa base é como tentar construir uma casa sem alicerce”,
explica.
Na prática, o corpo avisa quando
não está pronto, mas é preciso saber ouvir. Pequenos escapes de xixi ao tossir,
espirrar ou pegar o bebê no colo, e aquela sensação estranha de peso na vagina,
como se tivesse uma bola descendo,são os primeiros sinais de alerta. Na vida a
dois, as pistas aparecem na forma de dor ou desconforto na penetração e na
percepção de uma flacidez interna, que reduz o prazer de ambos.
“É muito comum ouvir no
consultório que vazar um pouquinho de xixi é normal depois de ser mãe. Não é.
Isso é um sinal claro de disfunção”, alerta a especialista. De acordo com ela,
ignorar esses episódios e insistir em treinos pesados na academia pode transformar
um incômodo passageiro em um problema crônico, ou até evoluir para a descida
dos órgãos pélvicos.
O caminho para voltar a se sentir
bem não exige milagre, mas sim um olhar direcionado para essa musculatura
escondida. Longe de ser um tratamento demorado ou doloroso, a reabilitação
devolve a sensibilidade e a firmeza da região íntima, preparando a mulher de
verdade para o impacto dos exercícios e para o cotidiano.
“O pós-parto não tem um prazo de validade igual para todo mundo. Cada corpo tem seu tempo, e olhar para a musculatura íntima com carinho é devolver a essa mulher a liberdade de tossir, correr e namorar sem medo”, conclui Flaviana.
Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
@flavianateixeirafisiopelvica
flavianafisiopelvica.com.br
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