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sexta-feira, 10 de julho de 2026

A digestão começa na boca: como a perda dentária compromete saúde nutricional de idosos

Especialista explica como a condição afeta absorção de nutrientes e aumenta o risco de fragilidade durante o envelhecimento 

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 23% das pessoas com 60 anos ou mais apresentam perda total dos dentes. A condição, para além do impacto direto na capacidade de mastigação, desencadeia desequilíbrios no organismo, já que compromete as funções essenciais da alimentação. 

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 14 milhões de brasileiros com mais de 18 anos não possuem nenhum dente. O levantamento mostra que os idosos concentram a maior parcela desses casos, eles representam cerca de 31,7% das pessoas com perda dentária total. Esse cenário dificulta o consumo de alimentos fundamentais como carnes, frutas e vegetais, o que pode afetar a qualidade da dieta e, consequentemente, o estado nutricional do idoso. 

A revisão científica intitulada “Função mastigatória e sua associação com impactos de saúde sistêmica em idosos”, publicada em 2024, estudou este impacto no processo digestivo. O estudo indicou que a mastigação inadequada compromete a formação do bolo alimentar e reduz a eficiência da ação da saliva, substância fundamental no início da digestão química dos alimentos. Essa deficiência não permite o aproveitamento total do bolo alimentar quando este atinge o estômago e o intestino, onde enzimas continuarão o processo digestivo, mas os nutrientes acabam não sendo totalmente assimilados pelo organismo. 

O dentista e fundador da SorriaMed, Dr. Leonardo Acioli, aponta que o desequilíbrio odontológico deve ser acompanhado de perto nessa etapa da vida, dado a fragilidade odontológica com a chegada dos 60 anos. Segundo o especialista, muitos idosos não percebem a mudança de forma imediata, mas passam a adaptar a alimentação ao longo do tempo. 

“É comum que o idoso comece a evitar carnes duras, frutas mais fibrosas e vegetais crus de maneira intuitiva, por receio de ferir as estruturas dentárias existentes. Isso reduz a diversidade nutricional diária e pode contribuir para quadros de fraqueza, perda de massa muscular e piora da saúde geral”, completa Acioli. 

Dr. Leonardo aponta que, em muitos casos, o quadro é agravado por próteses antigas ou mal adaptadas, que não recuperam completamente a eficiência da mastigação. “Com o envelhecimento, é comum a perda gradual de dentes naturais por cáries acumuladas ao longo da vida, doença periodontal ou desgaste progressivo das estruturas de suporte dentário. A digestão começa na boca. Quando ela é prejudicada, o alimento chega ao estômago em condições pouco adequadas de processamento, o que obriga todo o sistema digestivo a trabalhar de forma compensatória”, afirma.


Ações de prevenção  

A prevenção da perda dentária na terceira idade começa muito antes da extração ou da necessidade de prótese, e depende da identificação precoce de sinais de alerta que muitas vezes passam despercebidos.

“Pequenos sinais como sangramento gengival durante a escovação, sensibilidade ao mastigar certos alimentos, mau hálito persistente ou retração da gengiva já indicam que existe um processo inflamatório em andamento. Esses sinais do corpo não podem ser ignorados”, alerta Acioli. 

Segundo ele, outro ponto fundamental é a adaptação do cuidado odontológico ao envelhecimento, com consultas periódicas mesmo na ausência de dor ou desconforto “Um erro comum é procurar o dentista apenas quando há dor. Na terceira idade, isso precisa mudar. O acompanhamento regular permite identificar problemas ainda em estágio inicial e evitar que pequenas alterações evoluam para perda dentária”, completa o. dentista.
 

Tratamentos após perda  

Quando a perda dentária já ocorreu, entre as principais opções estão a aplicação de próteses totais ou parciais bem adaptadas e implantes dentários, que ajudam a restabelecer a capacidade de triturar os alimentos de forma adequada. O profissional reforça que a escolha do tratamento depende do grau dano odontológico, da condição óssea do paciente e de uma avaliação clínica individualizada. 

“Hoje, conseguimos reabilitar praticamente toda a função mastigatória com o desenvolvimento das práticas de implantodontia. Para além do sorriso, o idoso volta a se alimentar de componentes basilares da dieta de maneira segura e eficiente, o que impacta na qualidade de vida durante o envelhecimento”, conclui o fundador da SorriaMed.


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