Pesquisa informa que 35% dos usuários não fazem a higiene correta e o oftalmologista ensina como proteger a visão de infecções graves.
Celebrado em 10 de julho, o Dia da Saúde Ocular reforça a importância da prevenção e do uso correto de tecnologias que contribuem para a saúde dos olhos. Entre elas, as lentes de contato ganharam espaço entre os brasileiros. Segundo a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato (Soblec), o número de usuários no país passou de 2 milhões para 4 milhões entre 2024 e 2025.
O modelo mais usado no Brasil é a lente gelatinosa de silicone hidrogel. O material permite maior passagem de oxigênio para a córnea em comparação com as gerações anteriores. Isso reduz o risco de complicações associadas à baixa oxigenação e melhora o conforto durante o uso. A tecnologia também ampliou as possibilidades de correção de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia, além de permitir o uso de lentes para o controle da progressão da miopia infantil.
A médica oftalmologista e professora da Afya Montes Claros, Dra Amanda Barros Picanço, explica que o aumento de usuários de lentes corretivas se deve a busca por maior liberdade e conforto no dia a dia.
“Muitas pessoas preferem as lentes de contato para praticar esportes, trabalhar, dirigir ou por questões estéticas, já que elas substituem os óculos em diversas situações. Além da praticidade, há indicações médicas importantes. Pacientes com graus elevados, astigmatismo acentuado, ceratocone ou irregularidades da córnea frequentemente obtêm melhor qualidade visual com lentes de contato do que com óculos. A indicação deve ser individualizada. Durante a consulta, o oftalmologista avalia o grau, a saúde da córnea, a produção de lágrimas, a presença de alergias e os hábitos do paciente. Essa avaliação é fundamental para garantir segurança, conforto e o uso adequado das lentes”.
Segundo a consultoria Mordor Intelligence, cerca de 140 milhões de pessoas usam lentes de contato no mundo, com um mercado global estimado em US$ 10,6 bilhões em 2025. A projeção é de US$ 10,98 bilhões em 2026 e de US$ 13,12 bilhões até 2031, com crescimento médio anual de 3,62%. De acordo com a consultoria, esse avanço é impulsionado pela adoção de novos materiais, pelo desenvolvimento de lentes terapêuticas, pela expansão das vendas no comércio eletrônico e pelo aumento dos casos de miopia, principalmente entre crianças e jovens.
A médica destaca que as lentes de contato evoluíram significativamente nos últimos anos, oferecendo mais conforto, segurança e qualidade visual. Segundo ela, os materiais de silicone hidrogel permitem maior passagem de oxigênio para a córnea, reduzindo o risco de complicações associadas ao uso prolongado. Outro avanço importante são as lentes descartáveis diárias, que dispensam a limpeza e o armazenamento, tornando o uso mais prático e seguro.
Ela também ressalta a evolução das lentes tóricas para correção do
astigmatismo, das multifocais para presbiopia e das lentes esclerais, que
ampliaram as possibilidades de tratamento para pacientes com ceratocone e
outras doenças da córnea. Além disso, aponta que já existem lentes
desenvolvidas para auxiliar no controle da progressão da miopia em crianças,
uma estratégia que ganha cada vez mais relevância diante do aumento da miopia
infantil.
Principais infecções e cuidados essenciais com as lentes
Apesar do aumento no número de usuários, dados da Soblec apontam problemas relacionados ao uso incorreto. Cerca de 45% dos jovens que usam lentes apresentam complicações oculares. Entre eles, mais de 35% não fazem a higienização corretamente e 20% não armazenam o estojo da forma recomendada.
Dra Amanda Picanço informa que a principal infecção causada pelo uso incorreto das lentes é a ceratite infecciosa, uma infecção da córnea causada por bactérias, fungos ou protozoários. Entre eles, destaca-se a Acanthamoeba, um microrganismo presente na água que pode causar uma infecção rara, mas extremamente grave e de difícil tratamento.
“Também são relativamente frequentes as conjuntivites, e ceratites hipóxicas, causadas pela falta de oxigenação da córnea, e as úlceras de córnea. Os principais sinais de alerta são dor intensa, vermelhidão, sensibilidade à luz, secreção, visão embaçada e dificuldade para manter os olhos abertos. Nesses casos, a lente deve ser retirada imediatamente e o paciente deve procurar atendimento oftalmológico com urgência”.
A oftalmologista também cita que o primeiro passo é nunca comprar lentes de contato sem uma avaliação oftalmológica. Uma vez que as lentes são consideradas dispositivos médicos e precisam ser adaptadas de acordo com as características de cada olho. A especialista informa 8 cuidados indispensáveis no manejo das lentes:
1. Lavar e secar bem as mãos antes de manusear as
lentes.
2. Respeitar o tempo de uso e o período de troca
recomendados.
3. Utilizar apenas a solução indicada para a
limpeza e conservação.
4. Nunca armazenar as lentes em água da torneira
ou soro fisiológico.
5. Trocar o estojo das lentes regularmente.
6. Evitar dormir com as lentes, exceto quando forem
específicas para esse tipo de uso e sempre sob orientação médica.
7. Retirar as lentes antes de nadar ou tomar
banho.
8. Manter consultas periódicas com o oftalmologista, mesmo na ausência de sintomas.
“Também é importante reforçar que dor, vermelhidão ou redução
da visão nunca são sintomas normais em usuários de lentes de contato. Caso
qualquer um desses sinais apareça, a lente deve ser retirada imediatamente e o
paciente deve procurar atendimento oftalmológico o quanto antes. O diagnóstico
precoce é o principal fator para evitar complicações e preservar a visão”,
conclui a docente da Afya.

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