Pesquisar no Blog

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Filho doente nas férias: por que algumas crianças pioram justamente quando param de ir para escola? Otorrino explica.

Mudanças na rotina, viagens e hábitos típicos do inverno podem aumentar os problemas respiratórios durante o recesso escolar

 

As férias escolares e a pausa das aulas, fazem pais acreditarem que os filhos finalmente vão ficar longe dos vírus e das infecções respiratórias comuns no ambiente escolar. Mas, em algumas famílias, acontece justamente o contrário: a criança entra de férias e começa a apresentar nariz entupido, tosse, dor de garganta, crises de rinite ou até novos episódios de resfriados.

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, embora a escola seja um ambiente conhecido pela circulação de vírus entre as crianças, outros fatores presentes nas férias, especialmente durante o inverno, também podem favorecer problemas respiratórios.

“Não é a friagem que causa infecção, mas o conjunto de fatores do inverno que facilita problemas respiratórios. As pessoas ficam mais tempo em ambientes fechados, há menor circulação de ar e maior proximidade entre indivíduos, o que favorece a transmissão de vírus”, explica.

Durante o período de descanso, a rotina das crianças costuma mudar completamente. Viagens, passeios, shoppings, cinemas, hotéis, aviões e encontros familiares aumentam a exposição a diferentes ambientes e também a novos agentes infecciosos.

“Às vezes a criança saiu da sala de aula, mas passou a frequentar outros locais com grande circulação de pessoas. Ela continua tendo contato com vírus diferentes, principalmente em espaços fechados e pouco ventilados”, afirma o especialista.
 

Mudança de clima também interfere na respiração

Outro fator comum nas férias de inverno são as viagens para cidades com temperaturas diferentes ou regiões mais frias.

De acordo com o médico, essas mudanças podem afetar principalmente crianças que já têm predisposição a doenças alérgicas, como rinite.

“O ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias. Em crianças com rinite, isso pode provocar crises com espirros, congestão nasal, coceira no nariz e piora da qualidade do sono”, explica Dr. Bruno.

Além disso, casas de temporada, hotéis e roupas de inverno que ficaram meses guardadas podem acumular poeira e ácaros, importantes gatilhos para sintomas respiratórios.
 

Sono desregulado também pode pesar

Nas férias, é comum a criança dormir mais tarde, passar mais tempo em telas e alterar horários de alimentação e descanso. Porém, o sono tem papel importante no funcionamento do organismo.

“O descanso adequado participa da regulação do sistema imunológico. Quando a criança muda muito a rotina, dorme menos ou tem um sono de pior qualidade, o corpo pode sentir esse impacto”, destaca.
 

Como reduzir os riscos durante as férias?

Segundo o otorrinolaringologista, algumas medidas simples ajudam a proteger a saúde respiratória das crianças:

• Manter os ambientes ventilados sempre que possível;

• Incentivar o consumo adequado de água;

• Fazer higiene nasal com soro fisiológico quando indicado;

• Evitar exposição a poeira e mofo;

• Higienizar roupas e cobertores guardados antes do uso;

• Preservar uma rotina mínima de sono;

• Manter a vacinação atualizada.

O especialista reforça ainda que sintomas persistentes não devem ser ignorados.

“Nem todo nariz escorrendo é apenas um resfriado. Se a criança apresenta febre persistente, dificuldade para respirar, piora progressiva, dor no ouvido ou sintomas que se prolongam por muitos dias, é importante uma avaliação médica”, finaliza.
  


FONTE:
Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados