Especialista explica como escolhas alimentares, o cuidado com a saúde intestinal e a inclusão de alimentos anti-inflamatórios podem ajudar a aliviar dores, reduzir processos inflamatórios e melhorar a qualidade de vida de mulheres com endometriose.
A endometriose afeta cerca de uma em
cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial
da Saúde (OMS). Caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio
fora do útero, a doença pode provocar dores intensas, alterações intestinais,
infertilidade e prejuízos importantes à qualidade de vida. Embora o tratamento
envolva acompanhamento médico e, em alguns casos, cirurgia, a alimentação tem
ganhado cada vez mais espaço como uma aliada no controle dos sintomas.
Segundo a nutricionista funcional Ana
Paula Matos, a endometriose está diretamente relacionada a um processo
inflamatório crônico, o que torna a alimentação uma ferramenta importante
dentro de uma abordagem multidisciplinar. "A dieta não substitui o
tratamento médico, mas pode contribuir significativamente para reduzir a
inflamação, aliviar dores e melhorar a resposta do organismo. Pequenas mudanças
na alimentação costumam refletir diretamente no bem-estar dessas
pacientes", explica.
Entre os principais fatores que agravam
o quadro está o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, açúcares refinados,
frituras e produtos ricos em gordura saturada, associada ao avanço da
endometriose. Esses alimentos favorecem o aumento da inflamação sistêmica e
podem intensificar sintomas como dor pélvica, inchaço abdominal, desconfortos
gastrointestinais, dor na relação sexual e cólicas menstruais, comuns em
mulheres com endometriose.
Em contrapartida, uma alimentação
baseada em alimentos naturais e ricos em nutrientes anti-inflamatórios tende a
oferecer benefícios importantes. Peixes ricos em ômega-3, ovos, azeite de
oliva, frutas, verduras, legumes, sementes e oleaginosas ajudam a modular a
resposta inflamatória do organismo e podem contribuir para o controle da
doença. "Existem evidências de que alguns desses alimentos exercem efeito
protetor e podem auxiliar na redução da atividade inflamatória associada à
endometriose", destaca Ana Paula.
Outro aspecto que merece atenção é a
saúde intestinal. Muitas mulheres com endometriose também apresentam sintomas
como gases, distensão abdominal, diarreia ou constipação, o que pode estar
relacionado tanto ao processo inflamatório quanto ao comprometimento do
intestino pela própria doença. Por isso, cuidar da microbiota intestinal faz
parte da estratégia nutricional.
Nesses casos, a dieta Low FODMAP pode
ser uma alternativa para pacientes que apresentam queixas intestinais
importantes. O protocolo consiste na redução temporária de carboidratos
fermentáveis que favorecem a produção de gases e o desconforto abdominal,
sempre com acompanhamento profissional. "Nem toda mulher com endometriose
precisa seguir uma dieta Low FODMAP, mas quando existem sintomas intestinais
persistentes, essa estratégia pode trazer melhora significativa na qualidade de
vida", explica a nutricionista.
Ana Paula ressalta que o tratamento
nutricional deve ser individualizado, já que cada paciente apresenta
manifestações e necessidades diferentes. Além da alimentação, fatores como
qualidade do sono, prática regular de atividade física, manejo do estresse e
acompanhamento multiprofissional também influenciam diretamente o controle da
doença.
"A alimentação anti-inflamatória
não deve ser encarada como uma dieta temporária, mas como um estilo de vida. O
objetivo não é apenas reduzir dores, mas oferecer ao organismo condições para
funcionar melhor, diminuindo estímulos inflamatórios que podem agravar o quadro
clínico", afirma.
Para a especialista, quanto mais cedo a
mulher recebe o diagnóstico e inicia um acompanhamento adequado, maiores são as
chances de controlar os sintomas e preservar sua qualidade de vida. "A
nutrição é uma ferramenta poderosa no tratamento da endometriose. Quando
associada ao cuidado médico e a hábitos saudáveis, ela ajuda a devolver
conforto, autonomia e bem-estar para essas mulheres", conclui.
Instagram: @anapaulamattosnutri
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