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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Nova atualização da NR-1 reacende debate sobre impactos físicos da saúde mental no trabalho

Dr. Rodrigo Góes, do Hospital Albert Einstein, explica como o esgotamento emocional afeta o corpo e aumenta afastamentos 
 

A atualização da NR-1, que entra em vigor no próximo dia 26 de maio e passa a incluir a fiscalização de riscos psicossociais no ambiente corporativo reacendei o debate sobre os impactos da saúde mental também no corpo dos trabalhadores. Criada em 1978 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, agora, além de focar em riscos químicos, físicos e ergonômicos, também serão fiscalizados os riscos emocionais, indo além da sobrecarga física de trabalho. Entretanto, para o Dr. Rodrigo Góes, ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein, a relação entre a saúde física e mental estão mais interligadas que as pessoas imaginam. 

"A saúde física e a saúde mental dos trabalhadores são interligadas já que formam um ciclo que pode ser tanto positivo quanto prejudicial. Quando o corpo está saudável, com horas de descanso adequadas, com o corpo relaxado e equilibrado há maior disposição, concentração e resistência ao estresse, o que favorece o bem-estar psicológico. Em contrapartida, condições como sedentarismo, dores crônicas ou doenças físicas podem ficar aguçadas devido aos níveis de ansiedade, irritação e até levar à depressão. Da mesma forma, problemas de saúde mental, como estresse excessivo ou esgotamento profissional, podem se manifestar fisicamente", afirma o médico. 

A atualização da norma, responsável por indicar como as empresas devem cuidar da saúde e da segurança de seus colaboradores, acontece durante um cenário desafiador. Isso porque o último balanço divulgado pelo Ministério da Previdência Social, referente ao ano de 2025, o Brasil 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença, é o maior número dos últimos cinco anos. A dorsalgia, nome dado a dor nas costas, foi a principal causa de afastamento de licença, com 237.113 pedidos concedidos. Logo em seguida está a hérnia de disco, responsáveis por 208.727 afastamentos. 

"Muitas empresas esquecem que os ambientes de trabalho que valorizam tanto o cuidado com o corpo quanto com a mente são essenciais para a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores. Oferecer um cuidado maior com os funcionários, seja disponibilizando ferramentas que ajudem a manter o corpo saudável, como cadeiras e mesas ergonômicas. Em relação aos trabalhadores braçais, é importante se atentar a horas e dias de descanso, estendendo o intervalo durante o dia e disponibilizando mais folgas para evitar a sobrecarga", indica Dr. Rodrigo.
 

O burnout e os efeitos físicos 

A mudança da NR-1 não veio por acaso, segundo a pesquisa feita pela Data Lawyer, houve mais de 17 mil menções à ansiedade, depressão e estresse excessivo, sinais do burnout, nos processos trabalhistas em 2024, ano do último balanço feito pela organização. Já os dados do INSS revelaram um aumento de 68% nos afastamentos por transtornos mentais em 2024 em relação a 2023, cada um desses durando, em média, três meses.

“Os danos mentais causados pelo burnout provocam um desânimo, uma fadiga e, até mesmo, uma falta de vontade para realizar exercícios físicos. O problema é que o sedentarismo é um dos principais fatores que levam à dores crônicas de coluna", explica o cirurgião. 

Rodrigo relembra que, em muitos casos do excesso de trabalho, muitos brasileiros passam muitas horas em frente ao computador para manter a alta produtividade. Porém, a prática também é altamente prejudicial ao corpo, isso porque longos períodos de tela aumentam a tensão muscular. O recomendado é fazer pequenas pausas a cada 40 ou 50 minutos, levantar, caminhar por alguns minutos e realizar alongamentos simples ajudam a relaxar a musculatura e prevenir dores, algo pouco feito por quem busca bater metas e manter a concentração.  

A dor não deve ser ignorada nem tratada apenas com automedicação. Ao perceber desconforto frequente ou persistente, o ideal é procurar avaliação profissional. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz. Também é essencial se desconectar do trabalho após o fim do expediente para recarregar as energias e evitar a sobrecarga da saúde física e mental", finaliza o Dr. Rodrigo Góes. 

O cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein também relembra que a adoção de hobbies é importante, já que que é um momento em que trabalhadores tiram para si. A prática, por mais simples que seja, promove o bem-estar e ajuda a diminuir os níveis de estresse provocados pela rotina agitada. 

 

Dr. Rodrigo Góes - Formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em Ortopedia e Traumatologia e Cirurgia da Coluna Vertebral pelo "Pavilhão Fernandinho Simonsen"- Hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Dr. Rodrigo Góes Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Também é Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna e Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica. Membro da North American Spine Society. Fellow pela Campbell Clinic na University of Tennessee Health Science Center. Médico Colaborador do Grupo de Afecções e Cirurgia da Coluna da Santa Casa de São Paulo. Possui Mestrado em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Além disso, é Médico Plantonista do Pronto Atendimento do Hospital Albert Einstein; da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; e do Núcleo de Coluna do Hospital Santa Isabel; Coordenação da Pós de Endoscopia do Hospital Albert.



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