Dr. Rodrigo Góes, do Hospital Albert
Einstein, explica como o esgotamento emocional afeta o corpo e aumenta
afastamentos
A atualização da NR-1, que entra em vigor no próximo dia 26 de
maio e passa a incluir a fiscalização de riscos psicossociais no ambiente
corporativo reacendei o debate sobre os impactos da saúde mental também no
corpo dos trabalhadores. Criada em 1978 pelo Ministério do Trabalho e Emprego,
agora, além de focar em riscos químicos, físicos e ergonômicos, também serão
fiscalizados os riscos emocionais, indo além da sobrecarga física de trabalho.
Entretanto, para o Dr. Rodrigo Góes, ortopedista e cirurgião de coluna do
Hospital Albert Einstein, a relação entre a saúde física e mental estão mais
interligadas que as pessoas imaginam.
"A saúde física e a saúde mental dos trabalhadores são
interligadas já que formam um ciclo que pode ser tanto positivo quanto prejudicial.
Quando o corpo está saudável, com horas de descanso adequadas, com o corpo
relaxado e equilibrado há maior disposição, concentração e resistência ao
estresse, o que favorece o bem-estar psicológico. Em contrapartida, condições
como sedentarismo, dores crônicas ou doenças físicas podem ficar aguçadas
devido aos níveis de ansiedade, irritação e até levar à depressão. Da mesma
forma, problemas de saúde mental, como estresse excessivo ou esgotamento
profissional, podem se manifestar fisicamente", afirma o médico.
A atualização da norma, responsável por indicar como as empresas
devem cuidar da saúde e da segurança de seus colaboradores, acontece durante um
cenário desafiador. Isso porque o último balanço divulgado pelo Ministério da
Previdência Social, referente ao ano de 2025, o Brasil 4 milhões de
afastamentos do trabalho por doença, é o maior número dos últimos cinco anos. A
dorsalgia, nome dado a dor nas costas, foi a principal causa de afastamento de
licença, com 237.113 pedidos concedidos. Logo em seguida está a hérnia de
disco, responsáveis por 208.727 afastamentos.
"Muitas empresas esquecem que os ambientes de trabalho que
valorizam tanto o cuidado com o corpo quanto com a mente são essenciais para a
qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores. Oferecer um cuidado
maior com os funcionários, seja disponibilizando ferramentas que ajudem a
manter o corpo saudável, como cadeiras e mesas ergonômicas. Em relação aos
trabalhadores braçais, é importante se atentar a horas e dias de descanso,
estendendo o intervalo durante o dia e disponibilizando mais folgas para evitar
a sobrecarga", indica Dr. Rodrigo.
O burnout e os efeitos físicos
A mudança da NR-1 não veio por acaso, segundo a pesquisa feita
pela Data Lawyer, houve mais de 17 mil menções à ansiedade, depressão e
estresse excessivo, sinais do burnout, nos processos trabalhistas em 2024, ano
do último balanço feito pela organização. Já os dados do INSS revelaram um
aumento de 68% nos afastamentos por transtornos mentais em 2024 em relação a
2023, cada um desses durando, em média, três meses.
“Os danos mentais causados pelo burnout provocam um desânimo, uma
fadiga e, até mesmo, uma falta de vontade para realizar exercícios físicos. O
problema é que o sedentarismo é um dos principais fatores que levam à dores
crônicas de coluna", explica o cirurgião.
Rodrigo relembra que, em muitos casos do excesso de trabalho, muitos brasileiros passam muitas horas em frente ao computador para manter a alta produtividade. Porém, a prática também é altamente prejudicial ao corpo, isso porque longos períodos de tela aumentam a tensão muscular. O recomendado é fazer pequenas pausas a cada 40 ou 50 minutos, levantar, caminhar por alguns minutos e realizar alongamentos simples ajudam a relaxar a musculatura e prevenir dores, algo pouco feito por quem busca bater metas e manter a concentração.
A dor não deve ser ignorada nem tratada apenas com automedicação. Ao perceber desconforto frequente ou persistente, o ideal é procurar avaliação profissional. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz. Também é essencial se desconectar do trabalho após o fim do expediente para recarregar as energias e evitar a sobrecarga da saúde física e mental", finaliza o Dr. Rodrigo Góes.
O cirurgião de coluna do Hospital Albert Einstein também relembra que a adoção de hobbies é importante, já que que é um momento em que trabalhadores tiram para si. A prática, por mais simples que seja, promove o bem-estar e ajuda a diminuir os níveis de estresse provocados pela rotina agitada.
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