Saiba quais infecções podem afetar o bebê, como prevenir e quando fazer os testes
Durante a gestação, o acompanhamento médico e a realização de exames fazem
parte dos cuidados recomendados para monitorar a saúde da mãe e do bebê. Entre
esses exames, o rastreio de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é uma
etapa importante do pré-natal, pois permite identificar infecções que muitas
vezes não apresentam sintomas e que podem ser tratadas ou acompanhadas ao longo
da gravidez.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) curáveis são adquiridas todos os dias no mundo, e grande parte delas não apresenta sintomas aparentes [1]. Em 2022, a entidade estimou que cerca de 1,1 milhão de gestantes tinham diagnóstico de sífilis. Quando não identificada e tratada durante o pré-natal, a infecção pode estar associada a algumas complicações na gestação ou no parto, como prematuridade ou baixo peso ao nascer [1].
No Brasil, a sífilis segue sendo uma das infecções mais acompanhadas durante o pré-natal e um ponto de atenção nas políticas de saúde materno-infantil. Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2005 e junho de 2025, foram registrados 810.246 diagnósticos de sífilis em gestantes no país [2]. Apenas em 2024, a taxa foi de 35,4 casos por 1.000 nascidos vivos, o que corresponde a cerca de 89,7 mil registros no ano, mantendo uma tendência de crescimento, com aumento de 3,2% em relação a 2023 [2].
“Infecções sexualmente transmissíveis muitas vezes não apresentam sintomas
claros, o que pode fazer com que sejam descobertas tardiamente, inclusive
durante a gestação. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico é uma forma de
cuidar da saúde da mulher e reduzir riscos de transmissão para o bebê”, afirma
dra. Márcia Felician, ginecologista obstetra e médica da equipe de Genitoscopia
e Laser da Dasa, empresa líder em medicina diagnóstica no Brasil.
Quais infecções
podem afetar o bebê
Além da sífilis, outras ISTs também preocupam. A OMS alerta que infecções como HIV, hepatites B e C, herpes e HPV podem ter impacto direto na saúde materna e neonatal, estando associadas a natimorto, morte neonatal, sepse, conjuntivite neonatal, malformações congênitas e complicações no desenvolvimento nos primeiros meses de vida [1].
No contexto brasileiro, um estudo publicado em 2022 com 2.728 gestantes encontrou prevalência de 21% de ISTs, incluindo clamídia (9,9%), gonorreia, Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis, com índices ainda maiores na região Sudeste (23,3%) [3]. Já em relação ao HIV, dados recentes indicam queda de 7,9% nos casos em gestantes em 2025, com cerca de 7.500 registros no ano [4].
“Quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, algumas infecções podem
atravessar a gestação e afetar o bebê, levando a complicações como
prematuridade, baixo peso ao nascer ou infecção neonatal. O diagnóstico precoce
é um passo essencial para a proteção materno-infantil”, reforça a Dra. Márcia
Felician.
O problema do ‘silêncio’ das ISTs
Um dos principais desafios no controle dessas infecções é que muitas ISTs não apresentam sintomas ou causam sinais inespecíficos [1]. Isso faz com que o diagnóstico frequentemente aconteça tarde, às vezes apenas durante o pré-natal ou após o parto, aumentando o risco de complicações evitáveis.
Por esse motivo, organismos internacionais e autoridades de saúde recomendam o
rastreio de ISTs em gestantes como parte essencial do cuidado pré-natal,
especialmente em países com alta incidência dessas infecções [1][2].
Como prevenir: quando e quais testes fazer
A prevenção passa por diferentes frentes. O uso correto e consistente de preservativos segue sendo uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de ISTs. Além disso, vacinas seguras e eficazes estão disponíveis para hepatite B e HPV, consideradas avanços importantes na proteção da saúde sexual e reprodutiva [1]. Ainda assim, a testagem continua sendo central, especialmente para mulheres que estão grávidas ou planejam engravidar.
Falta de tempo, dificuldade de deslocamento e estigma ainda afastam muitas
pessoas da testagem. Nesse cenário, cresce a busca por modelos que levem o
cuidado até a casa das pessoas, com mais conforto, privacidade e praticidade.
No Brasil, o check-up de ISTs é um exemplo dessa abordagem voltada ao
diagnóstico precoce, com foco em exames laboratoriais para a detecção de
infecções sexualmente transmissíveis. O painel inclui, principalmente, testes
para:
· HIV
· Sífilis
· Hepatite B
· Hepatite C
Essas infecções estão entre as que podem trazer impactos relevantes durante a
gestação quando não são identificadas e tratadas a tempo.
“Facilitar o acesso ao exame, inclusive com a possibilidade de realizá-lo em
casa, pode ajudar a romper barreiras e ampliar o rastreio, algo fundamental
para proteger a saúde da mãe e do bebê”, destaca a Dra. Márcia Felician.
Referências
[1] Organização Mundial da Saúde (OMS). Sexually
Transmitted Infections (STIs) – Fact Sheet. Atualização de 10 de setembro de
2025. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/sexually-transmitted-infections-(stis)
[2] Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de
Sífilis – 2025. Dados acumulados até junho de 2025, incluindo série histórica
desde 2005 e taxas recentes.
[3] Estudo brasileiro publicado em 2022 sobre prevalência
de ISTs em 2.728 gestantes (clamídia, gonorreia, Mycoplasma genitalium e
Trichomonas vaginalis), com maior
prevalência na região Sudeste. https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-em-cada-cinco-gestantes-tem-uma-ist/
[4] Ministério da Saúde. Dados epidemiológicos sobre HIV
em gestantes, indicando queda de 7,9% em 2025 (cerca de 7.500 casos). https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/dezembro/brasil-elimina-transmissao-vertical-do-hiv-da-mae-para-o-bebe-e-alcanca-menor-taxa-de-mortalidade-dos-ultimos-anos

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