Especialista explica sinais de alerta, impactos sobre filhos e medidas de proteção
A violência
vicária é uma forma de abuso psicológico em que o agressor utiliza terceiros,
como filhos, parentes ou animais de estimação, para causar sofrimento emocional
à mulher. O problema é silencioso, muitas vezes invisível, mas extremamente
prejudicial. Reconhecer os sinais é essencial para interromper o ciclo de
violência e proteger toda a família.
A primeira
dica é conhecer os padrões da violência vicária. O agressor manipula filhos,
ameaça a mãe e interfere nos vínculos familiares como forma de controle. Dra.
Silvana Campos, advogada especialista em direito da família e da mulher, alerta
que “essa forma de violência é estratégica. O agressor usa filhos ou familiares
como instrumentos de dor, minando a autoestima da mulher e mantendo o poder
sobre ela de forma indireta”.
Em segundo
lugar, é importante identificar frases de alerta. Comentários aparentemente
comuns podem ser ferramentas de controle emocional. Dra. Silvana explica que
“expressões como ninguém vai te querer além de mim ou você não é nada sem mim
não são apenas palavras. Elas têm a função de desestabilizar a vítima e fazê-la
se sentir vulnerável e isolada”.
A terceira
dica é observar o início do ciclo abusivo. Pequenas restrições disfarçadas de
cuidado podem sinalizar possessividade extrema, muitas vezes ainda no namoro.
Segundo Dra. Silvana Campos, “proibições sobre roupas, batom ou saídas com
amigas não são preocupações triviais. Na maioria dos casos, indicam padrões de
controle absoluto, que se intensificam com o tempo”.
O impacto da
violência vicária sobre os filhos é a quarta dica. Mesmo sem marcas físicas, as
consequências emocionais podem ser duradouras. A especialista alerta que
“crianças e adolescentes expostos a esse tipo de abuso podem desenvolver culpa,
vergonha, ansiedade e dificuldades de relacionamento. É um sofrimento
silencioso, que afeta autoestima e comportamento por muitos anos”.
A quinta
dica é diferenciar violência vicária de alienação parental. Apesar de parecerem
semelhantes, os objetivos são diferentes. Dra. Silvana explica que “a violência
vicária visa prejudicar emocionalmente a mãe usando terceiros, enquanto a
alienação parental foca na manipulação da criança para rejeitar um dos
genitores. Identificar corretamente é fundamental para que a denúncia seja
eficaz”.
A sexta dica
é entender os limites das medidas protetivas. Apesar de serem ferramentas
legais importantes, muitas vezes não impedem que o agressor continue o abuso
emocional. A especialista comenta que “o agressor encontra meios de manter o controle,
independentemente da proibição de contato. Por isso, o registro cuidadoso de
cada situação e o acompanhamento profissional são essenciais para proteger a
vítima”.
A sétima e
última dica é buscar apoio e denunciar. Professores, familiares e vizinhos
podem identificar sinais de mudança no comportamento das crianças e
adolescentes, como ansiedade ou desinteresse pelos estudos. Dra. Silvana Campos
ressalta que “a denúncia deve ser feita aos órgãos competentes como 180, Disque
100, Delegacia da Mulher e Ministério Público. A legislação específica que está
sendo aprovada vai reforçar a proteção, garantindo segurança para mulheres,
filhos e familiares usados como instrumentos de sofrimento emocional”.
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