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domingo, 22 de março de 2026

Veja alimentos do dia-dia que podem intoxicar seu pet

Itens presentes na rotina das famílias podem causar desde problemas neurológicos até insuficiência renal. Veja o que fazer em caso de ingestão desses alimentos.

 

Chocolate, uva, cebola e até produtos “diet” estão entre os alimentos mais associados a casos de intoxicação grave em cães e gatos — e muitos deles fazem parte da rotina alimentar das famílias brasileiras. O problema, segundo a PhD em Nutrologia animal Dra. Luciana Oliveira, é que o organismo dos pets não consegue metabolizar algumas substâncias presentes nesses alimentos, o que pode levar a quadros graves e até ao óbito.

“Cães e gatos não metabolizam determinadas substâncias da mesma forma que os humanos. Quando ingerem alguns alimentos comuns na dieta das pessoas, essas substâncias podem se acumular no organismo e provocar intoxicações que afetam o sistema digestivo, neurológico ou renal”, explica a veterinária.

Um dos alimentos mais comuns em quadros de intoxicação é o chocolate. O cacau contém metilxantinas — como teobromina e teofilina — compostos que são difíceis de serem metabolizados por cães e gatos. Quanto maior a concentração de cacau no chocolate, maior o risco de intoxicação.

“A gravidade depende do tipo de chocolate e da quantidade ingerida. Chocolates mais escuros, com maior teor de cacau, são os mais perigosos”, explica Luciana.

Outro alimento frequentemente associado a intoxicações é a uva — tanto in natura quanto na forma de uva-passa. Estudos mostram que elas podem causar insuficiência renal aguda em cães, embora a substância responsável por esse efeito ainda não tenha sido identificada pela ciência.

Além disso, ingredientes presentes em preparações culinárias também representam risco. Alho e cebola, os mais comuns, podem provocar anemia hemolítica nos animais. Já produtos adoçados com xilitol, um adoçante comum em alimentos “diet” e “zero”, podem provocar uma queda brusca de açúcar no sangue.

“O xilitol pode causar hipoglicemia grave e levar o animal à morte se não houver atendimento rápido”, alerta Luciana. “Ele está presente em diversos produtos do dia a dia, como balas, chicletes, alimentos dietéticos e até enxaguantes bucais.”

Como socorrer

Dependendo da quantidade e de que tipo de alimento foi ingerido, os sintomas podem ser mais leves ou mais graves. “Os sintomas podem surgir desde poucos minutos a várias horas ou dias após a ingestão. A melhor providência a ser tomada é levar o animal ao veterinário o mais rápido possível, para que ele avalie a situação e veja se precisa ou não prestar algum suporte ao animal ou deixá-lo em observação”, explica Luciana.

Ela ressalta que atitudes comumente disseminadas como fazer o animal vomitar ou usar carvão ativado nem sempre surtem efeito. “Tais ações podem retardar o suporte médico que esse animal precisa receber. Então não é recomendado que pessoas leigas tentem resolver o problema por conta própria, pois isso aumenta os riscos de complicações que podem levar ao óbito”, alerta.

 

Dra. Luciana Oliveira - Médica veterinária formada pela Unesp de Jaboticabal, possui mestrado o doutorado na área de nutrição de cães e Gatos pela Unesp Jaboticabal. Fez estágio de doutoramento na Universidade LMU, de Munique/Alemanha. É membro do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal Pet (CBA PET) e da Sociedade Brasileira de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos (SBNutripet). Tem mais de 20 anos de experiência na área de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos.



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