Momentos de mudança na rotina, como o retorno às atividades escolares, costumam impactar toda a família. Horários se reorganizam, expectativas surgem (assim como inseguranças) e o corpo da criança sente a passagem de períodos mais flexíveis para uma rotina com regras, compromissos e demandas.
Para especialistas, esses períodos de transição representam uma oportunidade importante para observar, com atenção e sem alarmismo, possíveis sinais de sofrimento emocional. A convivência mais próxima em casa favorece a percepção de mudanças de comportamento e abre espaço para acolher emoções antes que elas se intensifiquem.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 1 em cada 7 jovens de 10 a 19 anos vive com algum transtorno mental, sendo depressão, ansiedade e transtornos comportamentais algumas das principais causas de incapacidade nessa faixa etária.
“Nem toda irritação é um sinal de alerta. Mudanças acontecem quando a rotina muda. O ponto é observar padrão, intensidade e duração. Quando a mudança vira regra e começa a impactar sono, apetite, socialização ou disposição para as atividades do dia a dia, vale olhar com mais cuidado e acolhimento”, orienta a psicóloga infantil Aline Dalacqua.
O olhar
deve ser para o “conjunto da obra”, especialmente quando os sinais são
frequentes e persistem por dias ou semanas. Entre os principais comportamentos
que podem indicar sofrimento emocional estão:
- Alterações no sono (dificuldade
para dormir, pesadelos recorrentes ou sono em excesso);
- Irritabilidade fora do padrão
ou crises emocionais desproporcionais ao contexto;
- Isolamento (evitar brincar, não
querer sair, reduzir contato com amigos ou familiares);
- Queixas físicas recorrentes sem
causa clara (dor de barriga, dor de cabeça);
- Regressões (medos intensos,
choro frequente, voltar a fazer xixi na cama);
- Desinteresse por atividades que
antes davam prazer;
- Preocupações excessivas com escola, separação, aceitação social ou desempenho.
A psicóloga explica que, nas crianças, o sofrimento emocional nem sempre aparece como tristeza explícita. “Às vezes vem como irritação constante, o corpo reclamando, birras mais intensas ou uma criança que ‘some’: fica quieta, evita contato e perde o brilho.”
Aline Dalacqua - psicóloga, neuropsicóloga e pedagoga.
@psicologaalinedalacqua
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