Se, há alguns anos, a pergunta mais comum entre
investidores era “qual startup será o próximo unicórnio?”, hoje se transformou
em “qual podemos minimizar riscos e maximizar resultados?”. Ter um
capital abundante e investidores apaixonados por ideias inovadoras impulsionavam
empresas que, muitas vezes, ainda nem tinham receita suficiente para sustentar
as operações a longo prazo – o que, agora, passou a ser
compreendido como uma aposta de alto risco, exigindo dessas empresas uma
gestão administrativa bem mais eficaz para que consigam não apenas
sobreviver, mas prosperar com saúde financeira.
Segundo o relatório da S&P Global
Market Intelligence, em fevereiro de 2025, o total levantado em rodadas de
venture capital caiu cerca de 30,2% em valor agregado comparado ao mesmo
período de 2024. Em outro relatório divulgado pela KPMG, foi constatado
que, ainda em 2024, este mesmo valor caiu de US$ 95,5 bilhões para US$
70,1 bilhões de um trimestre para o outro, chegando ao nível mais baixo em
quase sete anos.
Desde a pandemia, pesquisas mundiais passaram a
registras quedas constantes destes números ao redor do mundo. O motivo? O
despertar de consciência do empresariado em ter muito mais cautela ao escolher
onde apostar seus recursos financeiros, já que, diante de eventos externos como
o isolamento social, instabilidades econômicas ou conflitos geopolíticos, por
exemplo, podem ser fatais para a continuidade de negócios que ainda não estão
devidamente estruturados para sobreviver a imprevistos fora de seu
controle.
É claro que todo o mercado pode ser surpreendido, a
qualquer momento, por cenários extremos capazes de impactar seus processos –
contudo, o que ajudará com que mitiguem danos severos e consigam aguentar firme
a tempestade é, justamente, a governança corporativa. Ou seja, se, antes,
ter uma boa ideia poderia ser suficiente para atrair altos volumes de
investimentos, hoje é preciso provar que a empresa sabe se organizar, se
controlar e crescer com método e segurança.
Mesmo que ainda estejam dando seus primeiros passos
no mercado, não há mais espaço para que as startups tentem alcançar êxito em
seu segmento contando com uma gestão interna desorganizada, que não acompanhe
de perto os resultados obtidos e que não se baseie em métricas
relevantes para as tomadas de decisões. Isso apenas levará a um “crescimento”
desorganizado que, certamente, encontrará uma grande pedra em seu caminho que
impedirá que continue sua trajetória.
Mas, ao priorizarem a estruturação de uma
governança sólida desde o começo, todos esses riscos são combatidos
imediatamente, criando regras claras para as decisões a serem
decididas, definição dos papéis e responsabilidades de cada um, assim
como prezando pela transparência operacional a todo o momento. Enquanto
muitas apenas dão “voos de galinha” (crescimento rápido, mas não
sustentável pela falta de processos), as que contam com essa
gestão conseguirão transformar crescimento caótico em sustentável.
Isso, na prática, ocorre através de uma maior
organização nas demonstrações financeiras, indicadores de performance (KPIs)
claros, documentação dos processos decisórios, análises de cenários e riscos
que simulem diferentes impactos de cada decisão nas operações - viabilizando,
com isso, uma maior capacidade de escalar, sem perder controle.
Apesar de muitos associarem a governança a algo
meramente técnico e burocrático, ela abre espaço para usufruto das inúmeras
metodologias de gestão reconhecidas internacionalmente capazes de orientá-las
nos melhores caminhos a serem seguidos, como ocorre com a ISO de Inovação,
que oferece diretrizes internacionais que servem como um guia de boas práticas
para empresas que desejam inovar com estrutura e eficiência.
E, diante de um mercado extremamente digital, não
há como deixar de lado a ISO 27001, que define os requisitos para
estabelecer, implementar, manter e melhorar, continuamente, um Sistema de
Gestão de Segurança da Informação (SGSI) - algo que, para qualquer negócio, é
crucial para garantir a proteção de seus ativos sensíveis.
Todos os envolvidos são beneficiados com este
olhar, tanto o investidor quanto o próprio empreendedor. Afinal, erros passam a
ser detectados antecipadamente, as decisões deixam de ser centralizadas e
passam a ser colaborativas, mitigando riscos de falência por má gestão ou
perda do controle do negócio.
No atual cenário, a governança não é mais um
diferencial, mas sim condição básica de sobrevivência. Startups que não
estruturam processos, controles e decisões, deixam de ser empresas de
oportunidades e passam a ser perigosas. E, diante de um mercado mais
criterioso quanto onde investir, o risco é tudo o que o
investidor quer evitar.
Alexandre Pierro - mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.
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