Medicina reprodutiva amplia conceito de
sustentabilidade ao unir eficiência clínica, segurança do paciente e uso
responsável das tecnologias
A sustentabilidade na saúde tem ganhado um novo significado dentro
da medicina reprodutiva. Mais do que reduzir impactos ambientais, clínicas e
especialistas vêm adotando práticas que priorizam eficiência, segurança e
responsabilidade no uso das Tecnologias de Reprodução Assistida (TRAs), com
impacto direto na experiência do paciente e na qualidade dos resultados. De
acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 em cada 6 pessoas no mundo
enfrenta infertilidade. Diante desse cenário, tornar os tratamentos mais
eficientes e sustentáveis é também uma estratégia de responsabilidade em saúde
pública.
Segundo a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o
conceito de sustentabilidade na reprodução assistida envolve reduzir
desperdícios de insumos e recursos biológicos, evitar intervenções
desnecessárias e minimizar riscos clínicos, sem comprometer as taxas de
sucesso.
Para a Dra. Melissa Cavagnoli, especialista em Reprodução
Assistida, diretora da Clínica Hope e representante da Comissão Regional
Sudeste da SBRA, a mudança começa na individualização dos protocolos:
“Hoje trabalhamos com o conceito one and done: em um único ciclo
de estimulação ovariana, seja para Fertilização in Vitro ou congelamento de
óvulos, buscamos o melhor resultado possível em número de óvulos coletados,
embriões formados e taxas de gravidez e nascidos vivos. Protocolos
personalizados evitam hiperestimulação ovariana, reduzem falhas e diminuem a
necessidade de repetir ciclos”, afirma.
Na prática, isso significa menos uso de medicação, menos
deslocamentos às clínicas e menor desgaste físico e emocional para o paciente.
Ao reduzir ciclos repetidos, também há menor consumo de insumos laboratoriais e
energia, ampliando o impacto positivo do tratamento.
Os avanços tecnológicos reforçam esse movimento. Sistemas de
monitoramento embrionário contínuo (time-lapse), incubadoras com controle
preciso de gases e temperatura, sistemas fechados de manipulação e técnicas
mais eficientes de vitrificação aumentam a segurança dos procedimentos e
reduzem perdas embrionárias e retrabalho. “Quando temos mais eficiência
laboratorial, reduzimos desperdícios e elevamos a segurança”, destaca a médica.
A sustentabilidade também se estende à gestão das clínicas. A
digitalização de prontuários e prescrições médicas diminui o uso de papel,
enquanto equipamentos energeticamente mais eficientes e melhorias no descarte
de resíduos biológicos tornam os processos mais responsáveis.
Para a SBRA, incorporar a sustentabilidade como diretriz
científica é estratégico. A entidade atua na criação de boas práticas,
capacitação profissional e incentivo à adoção de indicadores de eficiência
clínica e ambiental. “Responsabilidade ambiental e excelência assistencial
caminham juntas. Sustentabilidade, na reprodução assistida, é oferecer cuidado
ético, eficiente e seguro, utilizando melhor os recursos disponíveis”, conclui Dra.
Melissa.
Em um cenário de aumento da demanda por tratamentos de
fertilidade, discutir sustentabilidade nas TRAs é também discutir qualidade
assistencial, racionalidade no uso de tecnologias e compromisso com o futuro da
saúde.
Associação Brasileira de Reprodução Assistida - SBRA
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