Pesquisar no Blog

quinta-feira, 5 de março de 2026

Reprodução assistida avança em sustentabilidade e reduz desperdícios, riscos e intervenções desnecessárias

Medicina reprodutiva amplia conceito de sustentabilidade ao unir eficiência clínica, segurança do paciente e uso responsável das tecnologias

 

A sustentabilidade na saúde tem ganhado um novo significado dentro da medicina reprodutiva. Mais do que reduzir impactos ambientais, clínicas e especialistas vêm adotando práticas que priorizam eficiência, segurança e responsabilidade no uso das Tecnologias de Reprodução Assistida (TRAs), com impacto direto na experiência do paciente e na qualidade dos resultados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 em cada 6 pessoas no mundo enfrenta infertilidade. Diante desse cenário, tornar os tratamentos mais eficientes e sustentáveis é também uma estratégia de responsabilidade em saúde pública.

Segundo a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o conceito de sustentabilidade na reprodução assistida envolve reduzir desperdícios de insumos e recursos biológicos, evitar intervenções desnecessárias e minimizar riscos clínicos, sem comprometer as taxas de sucesso.

Para a Dra. Melissa Cavagnoli, especialista em Reprodução Assistida, diretora da Clínica Hope e representante da Comissão Regional Sudeste da SBRA, a mudança começa na individualização dos protocolos:

“Hoje trabalhamos com o conceito one and done: em um único ciclo de estimulação ovariana, seja para Fertilização in Vitro ou congelamento de óvulos, buscamos o melhor resultado possível em número de óvulos coletados, embriões formados e taxas de gravidez e nascidos vivos. Protocolos personalizados evitam hiperestimulação ovariana, reduzem falhas e diminuem a necessidade de repetir ciclos”, afirma.

Na prática, isso significa menos uso de medicação, menos deslocamentos às clínicas e menor desgaste físico e emocional para o paciente. Ao reduzir ciclos repetidos, também há menor consumo de insumos laboratoriais e energia, ampliando o impacto positivo do tratamento.

Os avanços tecnológicos reforçam esse movimento. Sistemas de monitoramento embrionário contínuo (time-lapse), incubadoras com controle preciso de gases e temperatura, sistemas fechados de manipulação e técnicas mais eficientes de vitrificação aumentam a segurança dos procedimentos e reduzem perdas embrionárias e retrabalho. “Quando temos mais eficiência laboratorial, reduzimos desperdícios e elevamos a segurança”, destaca a médica.

A sustentabilidade também se estende à gestão das clínicas. A digitalização de prontuários e prescrições médicas diminui o uso de papel, enquanto equipamentos energeticamente mais eficientes e melhorias no descarte de resíduos biológicos tornam os processos mais responsáveis.

Para a SBRA, incorporar a sustentabilidade como diretriz científica é estratégico. A entidade atua na criação de boas práticas, capacitação profissional e incentivo à adoção de indicadores de eficiência clínica e ambiental. “Responsabilidade ambiental e excelência assistencial caminham juntas. Sustentabilidade, na reprodução assistida, é oferecer cuidado ético, eficiente e seguro, utilizando melhor os recursos disponíveis”, conclui Dra. Melissa.

Em um cenário de aumento da demanda por tratamentos de fertilidade, discutir sustentabilidade nas TRAs é também discutir qualidade assistencial, racionalidade no uso de tecnologias e compromisso com o futuro da saúde.

  

Associação Brasileira de Reprodução Assistida - SBRA


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados