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quinta-feira, 5 de março de 2026

Obesidade e risco cardiovascular: quatro das seis principais causas de morte no Brasil estão ligadas ao sobrepeso

AVC, infarto, hipertensão e diabetes são impulsionados pelo desequilíbrio orgânico causado pelo excesso de peso. Cardiologistas do InCor (HCFMUSP) detalham como a doença compromete o metabolismo e sobrecarrega o coração.


A obesidade é reconhecida como doença crônica e fator de risco independente para o sistema circulatório. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes o Brasil, vitimando cerca de 400 mil pessoas anualmente. Entre as seis maiores causas de morte no país, quatro estão intrinsecamente ligadas ao excesso de peso: infarto, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes e hipertensão.

Essa correlação é reforçada por levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo estudo Global Burden of Disease (GBD), que apontam que, quase 10% das mortes por doenças do coração, hoje têm como causa direta as complicações metabólicas geradas pela obesidade. O cenário alerta para a necessidade urgente de encarar o controle do peso como uma das principais estratégias de prevenção de saúde.

O excesso de peso, ou seja, o sobrepeso ou obesidade envolve uma inflamação crônica que pode provocar alterações estruturais e funcionais no organismo. “O acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, desencadeia um processo inflamatório que pode causar a formação de placas nas artérias. Esse processo impacta diretamente o coração e todo o sistema cardiovascular”, explica a cardiologista Viviane Giraldez.

Por isso, no Dia Mundial da Obesidade (4 de março), especialistas do Instituto do Coração (InCor) alertam: as mortes por doenças cardiovasculares associadas ao índice de massa corporal (IMC) elevado mais que dobraram em três décadas, alcançando 1,9 milhão ao ano - patamar mantido entre 2021 e 2025, de acordo com dados da World Obesity Federation. Quando somado a outras doenças, está associado a 3,7 milhões de mortes por ano.

A médica ressalta que a gordura visceral — aquela que se concentra no abdome e envolve os órgãos — é a mais perigosa. “Esse acúmulo de gordura atrapalha o funcionamento da insulina e faz com que o fígado produza e libere mais gordura no sangue. O resultado é um perfil lipídico (exame que mede as gorduras no sangue) muito mais agressivo”, explica.

Segundo ela, essa condição cria uma combinação perigosa: o aumento dos triglicérides e uma mudança do LDL (o colesterol 'ruim', que fica menor e mais denso), ao mesmo tempo em que o HDL (o colesterol 'bom') diminui. Juntos, esses fatores facilitam a obstrução dos vasos sanguíneos, aumentando drasticamente o risco de infartos e derrames.

Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor, explica que cresce a presença de pacientes jovens com comprometimento coronariano ligado à obesidade e descontrole metabólico — um reflexo direto das mudanças no estilo de vida. Se a tendência persistir, estimativas indicam que, até 2050, quase dois terços da população adulta mundial estarão acima do peso, ampliando ainda mais o impacto cardiovascular. “Alimentação balanceada, prática regular de exercícios e acompanhamento médico seguem como pilares essenciais para conter essa progressão.”

 

InCor


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