O lançamento ocorre em meio ao aumento da repercussão das violências e discussões sobre movimentos de ódio contra meninas e mulheres, como os chamados ‘redpill'.
No mês das mulheres, o Redes Cordiais, com apoio do Youtube, lança a cartilha Fala que Protege: guia para comunicadores sobre a violência contra a mulher. A publicação orienta comunicadores e criadores de conteúdo na abordagem responsável de temas relacionados à violência contra meninas e mulheres nas redes sociais.
O lançamento ocorre em um contexto de crescimento dos crimes de gênero no país. Em 2025, o Conselho Nacional de Justiça registrou 621.202 medidas protetivas concedidas, 998.368 novos processos por violência doméstica e 4.243 casos de feminicídio em tribunais de primeiro grau. Para dimensionar o avanço, em 2020 haviam sido contabilizados 2.188 feminicídios - o que representa um aumento de quase 94% em cinco anos.
Nos últimos meses, casos de grande repercussão pública reforçam a urgência do tema: um estupro coletivo articulado por jovens contra uma menina de 17 anos. Uma adolescente de 12 anos levada a um “relacionamento não consentido” (estupro) com um homem adulto. Uma jovem vítima de facadas desferidas por um rapaz que não aceitou o seu não. Outra foi arrastada por quilômetros no asfalto pelo carro dirigido pelo ex-namorado. Em comum, casos como esses têm o fato de que todas são vítimas de violências que têm como pano de fundo a misoginia, ou seja: atitudes de posse, controle, raiva ou desvalorização de mulheres.
“Sabemos que esse é um tema urgente no momento atual. Não é que as violências não acontecessem antes do advento das redes, mas vemos que hoje essas violações têm se amparado em discursos de ódio que são disseminados na internet, principalmente em grupos que se propõem a induzir meninos e homens a odiar meninas e mulheres, nutrindo esses sentimentos de controle e posse para legitimar seus comportamentos. O guia pode ser útil para entendermos esse contexto e sabermos como tratar dele sem tornar o ambiente virtual ainda mais hostil”, explica a diretora executiva e cofundadora do Redes Cordiais, Clara Becker.
O Guia traz, em linguagem acessível, a diferenciação dos tipos de violência, explica o contexto de crescimento de grupos de ódio online - como os chamados movimentos “redpill” -, esclarece o conceito de consentimento e reúne orientações para a cobertura e produção de conteúdo sobre o tema.
Embora direcionado a comunicadores, o material será disponibilizado gratuitamente ao público, com o objetivo de contribuir para uma internet mais responsável, informada e acolhedora.
Serviço
Guia Fala que Protege
Link aqui
Redes Cordiais
www.redescordiais.org.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário