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terça-feira, 10 de março de 2026

Mulheres enfrentam maior insegurança financeira, mostra pesquisa da Planejar

Levantamento nacional encomendado ao Datafolha revela disparidades de gênero na relação com dinheiro, investimentos e aposentadoria

 

No Brasil, as mulheres demonstram menor percepção de planejamento financeiro e menos confiança em relação ao futuro quando comparadas aos homens, ainda que se mostrem mais atentas à proteção e à estabilidade. É o que revela a pesquisa “O planejamento financeiro do brasileiro: da consciência à prática”, encomendada pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro) e realizada pelo Datafolha.

 

Os dados mostram que 51% das mulheres entrevistadas se sentem insatisfeitas com sua condição financeira, ante 40% dos homens entrevistados. Quando o tema é planejamento, a diferença também aparece: 65% dos homens afirmam ser planejados (razoável, muito ou extremamente), enquanto entre as mulheres, o índice cai para 53%.

 

A diferença se acentua na capacidade de constituir reservas financeiras. Quatro em cada dez brasileiros (43%) não têm dinheiro guardado para emergências e, desse grupo, 62% são mulheres. Entre os que conseguem poupar, quase metade afirma que a reserva não sustentaria mais do que um ano.

 

Para Paula Bazzo, planejadora CFP pela Planejar, “a insegurança financeira feminina não está ligada apenas à renda, mas também ao acesso à informação qualificada e à confiança para tomar decisões de longo prazo. Falar de planejamento financeiro é falar de autonomia, de proteção e de futuro. Quando fortalecemos a educação financeira das mulheres, fortalecemos também as famílias e a economia como um todo.”


 

Confiança menor para grandes decisões

 

A pesquisa ainda evidencia diferenças relevantes na confiança financeira para alcançar projetos de vida.

 

Para realizar uma viagem dos sonhos, 51% dos homens se dizem confiantes financeiramente, ante 37% das mulheres.

 

Na compra ou troca de veículo, o padrão se mantém: 46% deles demonstram segurança, frente a 35% delas.

 

No empreendedorismo, a distância é ainda maior: 47% dos homens se sentem confiantes para abrir um negócio próprio ou se tornar sócios, enquanto entre as mulheres o percentual cai para 32%.

 

O retrato se torna mais sensível na aposentadoria. Entre os já aposentados, 46% das mulheres afirmam ter precisado cortar gastos, contra 39% dos homens. Além disso, uma em cada cinco aposentadas (20%) declara não receber renda suficiente para se sustentar, percentual superior ao registrado entre eles (16%).


 

Controle financeiro

 

Apesar dos desafios, a maioria das mulheres, assim como os homens, utiliza algum mecanismo de controle financeiro. A pesquisa aponta que 89% dos brasileiros utilizam ao menos uma forma de registro de gastos, sendo as anotações em caderno (45%) e planilhas em computador ou celular (35%) as mais comuns.

 

Ainda assim, o acesso à orientação especializada permanece limitado: apenas 2% dos entrevistados já contrataram um planejador financeiro, embora 49% afirmam que consideraram fazê-lo.

 

Para a Planejar, os dados mostram que gênero ainda é um fator determinante na percepção de segurança financeira. De acordo com Ana Leoni, CEO da Planejar, “O estudo mostra que ampliar o acesso à educação financeira e ao planejamento estruturado pode fortalecer a autonomia financeira das mulheres, gerando impacto direto nas famílias brasileiras já que elas muitas vezes assumem a responsabilidade financeira de seus lares e muitas vezes recebem salários menores do que o dos homens.  O levantamento realizado em 2025, ouviu 2 mil pessoas com 18 anos ou mais, das classes A, B e C, com acesso à internet, em todas as regiões do país, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.



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