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quarta-feira, 11 de março de 2026

Reconstrução mamária e conscientização sobre lipedema resgatam autoestima feminina

“Não vejo o lipedema como uma doença, mas pessoas doentes com lipedema”, diz Dr. Fernando Amato 

 

Reconstrução mamária — impulsionada pelo Projeto Mama Minha — e a conscientização sobre o lipedema, condição ainda subdiagnosticada no Brasil são dois temas que ganham relevância no mês internacional da mulher.  

 

Idealizado pelo cirurgião plástico Dr. Fernando Amato, o Mama Minha nasceu com a missão de atender mulheres com deformidades mamárias — muitas delas na fila do SUS por anos — e oferecer reconstrução com foco em acolhimento e informação. O Mama Minha já realizou mais de 120 cirurgias de reconstrução para mulheres que aguardavam no Sistema Único de Saúde (SUS).  

 

“A mama para a mulher tem um significado muito importante. Quando a paciente tem a sua mama mutilada, ela se sente incompleta e, com o Mama Minha, proporcionamos não só a reconstrução da mama como o resgate da autoestima dessa mulher”, explica o cirurgião plástico Dr. Fernando Amato. 

 

Para viabilizar as cirurgias, a iniciativa mobiliza doações, parcerias institucionais, recursos públicos e privados, além do apoio de emendas parlamentares, entre elas da deputada federal Tabata Amaral, e da colaboração da equipe de Cirurgia Plástica do Hospital São Paulo e da Escola Paulista de Medicina. O atendimento é centrado na paciente, com orientação sobre etapas, expectativas e cuidados no pós-operatório. 

 

Lipedema: A condição afeta predominantemente mulheres e se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura, sobretudo em braços, coxas e pernas — frequentemente acompanhado de dor, sensibilidade ao toque e hematomas fáceis. No Brasil, o lipedema segue subdiagnosticado, sendo confundido com obesidade ou problemas circulatórios, o que posterga intervenções eficazes. 

 

“Não se trata apenas de excesso de peso, mas de uma condição médica específica que causa distribuição anormal de gordura, acompanhada de sintomas como dor, sensibilidade ao toque e facilidade para desenvolver hematomas. Não vejo o lipedema como uma doença, mas pessoas doentes com lipedema”, explica o cirurgião plástico Dr. Fernando Amato. 

 

Entre os sintomas que ajudam a diferenciar o lipedema de outras condições estão a sensibilidade e a dor ao toque nas áreas afetadas, a presença recorrente de equimoses (“roxinhos”). “Pacientes com lipedema frequentemente relatam sensibilidade e dor ao toque nas áreas afetadas, surgimento de equimoses com facilidade, sensação de peso e cansaço nas pernas, além de fadiga. Em casos mais avançados, pode até comprometer a mobilidade”, destaca Dr. Amato. 

 

O diagnóstico é primariamente clínico e a avaliação depende de anamnese detalhada e exame físico minucioso. Exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética, são complementares, auxiliando no diagnóstico e no planejamento terapêutico. A cirurgia plástica não deve ser a primeira opção de tratamento. A lipoaspiração é indicada para casos selecionados após tentativa de tratamento clínico (como medidas de controle de dor, fisioterapia, compressão, ajustes de estilo de vida).  

 

“Somente depois de tentar o tratamento clínico e, de preferência apresentando alguma melhora, mesmo que parcial, deve ser indicada a lipoaspiração para o tratamento do lipedema. É preciso respeitar os limites de gordura a serem retirados durante a cirurgia, que devem ser entre 5% e 7% do peso corporal do paciente”, detalha o especialista Dr. Fernando Amato.  



Dr. Fernando C. M. Amato – Graduação, Cirurgia Geral, Cirurgia Plástica e Mestrado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Membro Titular pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).
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