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quarta-feira, 11 de março de 2026

Março Amarelo: o papel da nutrição no cuidado com a endometriose

Março é o mês dedicado à conscientização sobre a endometriose, uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo e pode ter impacto significativo na qualidade de vida. A condição é caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio — que normalmente reveste o interior do útero — em locais fora da cavidade uterina, como ovários, trompas e região pélvica.

Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais e alterações gastrointestinais, como distensão abdominal, constipação ou diarreia. Além disso, a endometriose também pode afetar a fertilidade, dificultando a gestação em algumas mulheres. No entanto, é importante destacar que a presença da doença não significa impossibilidade de engravidar.

De acordo com a nutricionista Vanessa de Santis, apesar de relativamente frequente, a endometriose ainda enfrenta desafios importantes relacionados ao diagnóstico. Estudos indicam que muitas mulheres levam anos para receber a confirmação da doença, o que pode atrasar o início do tratamento adequado e prolongar o sofrimento associado aos sintomas.

O manejo da endometriose costuma ser multidisciplinar, envolvendo acompanhamento médico, tratamento medicamentoso, estratégias cirúrgicas em alguns casos e mudanças no estilo de vida. Entre essas abordagens, a nutrição tem ganhado destaque como um componente importante no cuidado com a doença.

Embora a alimentação não seja capaz de curar, evidências científicas sugerem que determinados padrões alimentares podem influenciar processos fisiológicos relacionados à condição, como a inflamação sistêmica, o metabolismo hormonal, a função imunológica e a saúde intestinal.

“A endometriose é considerada uma doença com importante componente inflamatório. Por esse motivo, estratégias nutricionais voltadas para a redução de processos inflamatórios — incluindo o aumento do consumo de alimentos naturais, ricos em fibras, antioxidantes e compostos bioativos — podem contribuir para o manejo dos sintomas”, destaca a profissional.

Além disso, a saúde intestinal também tem sido cada vez mais investigada no contexto da endometriose. Alterações na microbiota intestinal podem influenciar o metabolismo de hormônios, como o estrogênio, que desempenha papel relevante no desenvolvimento e na progressão da doença.

Nesse cenário, intervenções nutricionais individualizadas podem ajudar a melhorar o equilíbrio metabólico, apoiar o funcionamento intestinal e contribuir para a redução de sintomas em algumas pacientes.

É importante ressaltar que a endometriose se manifesta de forma diferente em cada mulher. A intensidade dos sintomas, o impacto na fertilidade e a resposta às intervenções variam de acordo com fatores individuais. Por isso, o acompanhamento profissional especializado é fundamental para que o plano de cuidado seja adaptado às necessidades de cada paciente.

A conscientização sobre a doença, aliada ao diagnóstico precoce e a abordagens integradas de tratamento, é essencial para melhorar a qualidade de vida das mulheres que convivem com a endometriose. 

 

Vanessa de Santis - nutricionista com mais de 17 anos de experiência. Possui especialização em Nutrição Clínica, Esportiva, Aromaterapia e Fitoterapia, além de Mestrado em Gastrohepatologia. Atua com foco na saúde da mulher, saúde intestinal e hepática, nutrição esportiva e qualidade de vida. É consultora científica para empresas, professora de pós-graduação e palestrante, além de idealizadora de programas de bem-estar e qualidade de vida para empresas e grupos. Sua abordagem integra ciência e prática clínica, unindo corpo, mente, alma e intestino em um olhar de nutrição verdadeiramente integrativa.


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