Pediatra do CEJAM explica sinais de alerta, possíveis causas e quando pais devem procurar avaliação médica
A
chegada cada vez mais precoce da puberdade tem chamado a atenção de
especialistas e preocupado famílias. Esta condição ocorre quando o
desenvolvimento sexual inicia antes do tempo esperado e causa impactos físicos
e emocionais nas crianças. Reconhecer os sinais e buscar orientação médica adequada
são passos importantes para garantir acompanhamento e, quando necessário,
tratamento.
Essa
fase é definida pelo surgimento de características sexuais secundárias ainda na
infância. Atualmente, considera-se normal que esse desenvolvimento ocorra entre
8 e 13 anos nas meninas e entre 9 e 14 anos nos meninos. Estudos recentes
indicam uma tendência global de início um pouco mais cedo, especialmente entre
pessoas do sexo feminino.
De acordo com a Dra. Gabriela Maia, pediatra da UPA
Campo dos Alemães e da UBS Altos de Santana, unidades gerenciadas pelo CEJAM
(Centro de Estudos e Pesquisa “Dr. João Amorim”) em parceria com a Prefeitura
de São José dos Campos, diversos fatores influenciam esse processo. “O início
antecipado da puberdade está relacionado à genética, obesidade infantil,
alimentação hipercalórica, sedentarismo ou exposição a disruptores endócrinos
ambientais, como certos plásticos e pesticidas”, explica.
Entre
as principais consequências físicas está o impacto no crescimento. Quando o
desenvolvimento começa antes do esperado, o organismo amadurece mais rápido,
encerrando essa fase mais cedo. “A puberdade precoce pode trazer repercussões
físicas importantes, principalmente redução da estatura final, devido ao
fechamento precoce das cartilagens de crescimento”, enfatiza a médica.
Além
das mudanças físicas, o desenvolvimento antecipado traz outros desafios.
“Crianças que iniciam essa fase antes dos colegas sentem dificuldades de
adaptação emocional e social, porque a mudança física ocorre antes da maturidade emocional”, completa.
Essa
desordem afeta a forma como a criança percebe o próprio corpo e se relaciona
com os colegas. Segundo a médica, essa percepção pode levar ao constrangimento,
insegurança ou dificuldades de integração social.
Muitos
mitos ainda cercam o tema e acabam confundindo as famílias. Um exemplo comum é
a crença de que determinados alimentos seriam os principais responsáveis pelo
início desse ciclo. “Existe a ideia de que frango ‘com hormônio’ seria a
principal causa, mas isso não possui comprovação científica consistente”,
esclarece.
Por
isso, observar os sinais é fundamental. Alguns dos principais indícios são o
crescimento das mamas antes dos 8 anos nas meninas, aumento testicular antes
dos 9 anos nos meninos, além do surgimento de pelos pubianos, odor axilar, crescimento
acelerado ou menstruação adiantada. “Sempre que surgirem essas manifestações
antes da idade esperada, é recomendada avaliação pediátrica ou com
endocrinologista pediátrico”.
O
diagnóstico costuma incluir avaliação clínica, análise do estágio puberal e
radiografia para verificar a idade óssea. Também podem ser solicitados exames
ou testes hormonais mais específicos e complementares.
Quando
há progressão rápida ou risco de prejuízo ao crescimento, um tratamento
adequado ajuda a desacelerar esse processo para preservar a estatura final e
reduzir impactos físicos e emocionais.
Hábitos
saudáveis desde a infância também contribuem para um desenvolvimento mais
equilibrado. Alimentação balanceada, prática regular de atividade física,
controle do peso e acompanhamento pediátrico periódico ajudam a promover o
crescimento adequado e o bem-estar ao longo da infância e da adolescência.
Para a especialista, além do acompanhamento médico, o diálogo é essencial. “A família e a escola têm papel importante em oferecer apoio, informação e um ambiente seguro para que crianças e adolescentes atravessem essa fase de forma tranquila”, finaliza.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”

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