O texto foi aprovado pelo Conselho de Ministros e será votado no Parlamento, alerta a advogada especialista em direito internacional, Juciana Correa
O
governo de Portugal apresentou nesta quinta-feira (19), um novo projeto de lei
que promete endurecer as regras migratórias e acelerar a deportação de
imigrantes em situação irregular. A proposta foi aprovada pelo Conselho de
Ministros e ainda será votada no Parlamento, mas já acende um alerta entre
estrangeiros que vivem ou pretendem viver no país.
Entre as principais mudanças está a redução do tempo dos processos de expulsão
e a ampliação do período máximo de detenção preventiva, que pode passar de 60
dias para até 18 meses. Além disso, o texto limita mecanismos frequentemente
utilizados para evitar deportações e permite a análise simultânea de pedidos de
asilo, o que, segundo o governo, evita o uso desse recurso como estratégia para
adiar expulsões.
A advogada especialista em direito internacional,
Juciana Correa, explica que o cenário aponta para um endurecimento
claro das políticas migratórias.
“O texto foi aprovado pelo Conselho de Ministros e será votado no Parlamento.
Isso mostra uma mudança de postura do país, que passa a adotar medidas mais
rigorosas no controle migratório”, afirma a especialista.
O que muda na prática?
Um dos pontos mais relevantes do projeto é o aumento do tempo de proibição
de retorno ao país para pessoas deportadas, o que pode dificultar novas
tentativas de regularização no futuro. A proposta também surge em um contexto
de crescimento expressivo da população estrangeira no país.
Dados recentes indicam que, até ao final de 2024, Portugal contava com mais de
1,5 milhão de estrangeiros residentes, o equivalente a cerca de 15% da
população, número quase quatro vezes maior do que em 2017.
De acordo com o governo português, episódios recentes ajudaram a justificar as
mudanças, como o caso de migrantes que teriam fugido antes da conclusão de
processos de deportação, evidenciando falhas no sistema atual.
Uma tendência europeia
O endurecimento das regras migratórias não é um movimento isolado. Outros
países da Europa também discutem a ampliação do tempo de detenção preventiva,
com propostas que podem chegar a até dois anos no âmbito da União Europeia.
Além disso, o atual governo português, liderado por Luís Montenegro, vem
promovendo uma revisão das políticas adotadas anteriormente, que eram
consideradas mais abertas à imigração.
Impacto para os brasileiros
Para brasileiros, que representam uma das maiores comunidades estrangeiras
no país, o momento exige cautela e planejamento. A recomendação é buscar sempre
informações oficiais e evitar atalhos, especialmente em um cenário em que as
regras tendem a se tornar mais rígidas e a fiscalização mais intensa.
“Quem pretende migrar precisa redobrar a sua atenção com documentação e
processos legais. Já quem está em situação irregular pode enfrentar
consequências mais rápidas e severas”, alerta Juciana Correa.

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