Todos os anos, com a chegada das doenças respiratórias, uma dúvida volta a circular entre os pacientes: afinal, gripe, influenza, H1N1 e H3N2 são a mesma coisa? Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, eles se referem a diferentes formas de citar o mesmo vírus - o influenza - que possui variantes capazes de circular simultaneamente na população.
A gripe é causada pelo vírus influenza, que possui diferentes
tipos e subtipos. Entre eles, os que mais afetam os humanos são a Influenza A e
a Influenza B, responsáveis pela maioria das epidemias sazonais. Dentro da
Influenza A existem subdivisões conhecidas por combinações de letras e números,
como H1N1 e H3N2, que identificam proteínas presentes na superfície do vírus.
Essas
variações são resultado das mutações do vírus, um fenômeno que ocorre
constantemente e exige vigilância epidemiológica global. “A gripe não é causada
por uma única variante. O influenza sofre mutações frequentes; além disso,
diferentes variantes circulem ao mesmo tempo”, explica Maria Isabel de
Moraes-Pinto, infectologista e coordenadora em vacinas na Dasa.
Segundo
o boletim InfoGripe da Fiocruz, 14.370 casos graves de infecções respiratórias
já haviam sido notificados no Brasil, nos primeiros meses de 2026, sendo que
35% apresentaram resultado positivo para algum vírus respiratório. Entre os
casos confirmados, cerca de 20% foram associados à Influenza A e
aproximadamente 1,7% à Influenza B, os dois principais tipos do vírus
responsáveis pelas epidemias sazonais de gripe1.
Segundo
a especialista, é justamente essa capacidade de mutação que explica por que os
nomes da gripe aparecem com frequência nas notícias. “Essas classificações
ajudam os cientistas a acompanhar quais variantes estão circulando e a
atualizar as vacinas anualmente”, afirma.
Por
que a vacina da gripe muda todos os anos
Como
o vírus influenza evolui rapidamente, a composição da vacina contra gripe
precisa ser revisada periodicamente para acompanhar as variantes predominantes.
“Os imunizantes atuais costumam incluir diferentes cepas do vírus - geralmente
duas variantes de influenza A e uma ou duas de influenza B - selecionadas com
base em monitoramento internacional”, pontua Maria Isabel.
Para
a infectologista, esse acompanhamento constante é essencial para reduzir
hospitalizações e mortes associadas à doença. “O vírus influenza tem grande
capacidade de sofrer variações genéticas. Por isso a vacina precisa ser
atualizada com frequência, para oferecer proteção contra as variantes mais
relevantes em circulação”, diz Moraes-Pinto.
No
mercado, as principais vacinas incluem a trivalente ou a tetravalente
(quadrivalente), indicada para todas as idades a partir de 6 meses em dose
única (ou duas para crianças não vacinadas anteriormente), que protege contra
H1N1, H3N2 e uma ou duas linhagens de Influenza B; e a de alta dosagem (como a
Efluelda), exclusiva para maiores de 60 anos, com quatro vezes mais antígenos
para maior apesar do envelhecimento do sistema imunológico.
Nem
todo quadro respiratório é gripe
Outro
fator que gera confusão é que muitos pacientes utilizam o termo “gripe” para
qualquer infecção respiratória. Na prática, diversos vírus podem provocar
sintomas semelhantes, como resfriados comuns, coronavírus e vírus sincicial
respiratório.
“A
influenza costuma causar sintomas mais intensos, como febre alta, dores no
corpo e mal-estar importante. Já resfriados costumam ser mais leves e
predominam sintomas nasais”, explica a infectologista.
Por isso, a vacinação, a higiene das
mãos e atenção aos sintomas persistentes continuam sendo as principais medidas
para prevenir complicações durante a temporada de vírus respiratórios.
Referência
1 -
C:/Users/ferna/Downloads/Resumo_InfoGripe_2026_08_0.pdf

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