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quinta-feira, 19 de março de 2026

Pandemia silenciosa de infertilidade: OMS acende alerta global e Brasil segue tendência de queda na fertilidade

Com cerca de 1 em cada 6 pessoas afetadas no mundo, especialistas apontam idade, estilo de vida e doenças como fatores centrais; médica explica quando investigar e o que pode ser feito
 

A infertilidade deixou de ser uma questão individual para se tornar um problema global de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a tratar o tema como uma “pandemia silenciosa”, diante do avanço consistente dos casos em todo o mundo.

Dados recentes da entidade mostram que cerca de 17,5% da população mundial, o equivalente a 1 em cada 6 pessoas, enfrenta dificuldades para engravidar. O cenário não é diferente no Brasil, onde mudanças no comportamento reprodutivo, como o adiamento da maternidade, vêm impactando diretamente as taxas de fertilidade.

Esse movimento tem refletido diretamente nos consultórios médicos. Cada vez mais pessoas questionam sua capacidade reprodutiva, mas ainda chegam para investigar o tema em fases mais tardias, quando as chances naturais de gestação já não são as mesmas.

É justamente diante desse cenário que a OMS publicou sua primeira diretriz global sobre infertilidade, propondo uma mudança importante na forma como o tema deve ser enfrentado. A recomendação é clara: falar sobre fertilidade mais cedo, ampliar o acesso ao diagnóstico e integrar esse cuidado à rotina da saúde básica.

Na prática, isso significa incentivar a investigação precoce com exames simples e acessíveis, facilitar o acesso a tratamentos, desde a orientação do período fértil até técnicas de reprodução assistida e reforçar a prevenção, com atenção ao estilo de vida e a doenças que podem comprometer a fertilidade. A diretriz também chama atenção para a necessidade de reduzir desigualdades no acesso ao cuidado, especialmente em países de média e baixa renda.

“A idade é um dos fatores que mais influenciam a fertilidade. As mulheres já nascem com um número limitado de óvulos, e, ao longo dos anos, além da quantidade, a qualidade dessas células também diminui. Por isso, falar sobre planejamento reprodutivo com antecedência faz toda a diferença”, explica Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La Vita Clinic.

Segundo a médica, os 35 anos são considerados um marco importante nesse processo. “A partir dessa idade, observamos uma queda mais significativa na qualidade dos óvulos, o que impacta diretamente nas taxas de gravidez, inclusive em tratamentos como a fertilização in vitro”, afirma.

Esse é um dos pontos que mais gera dúvida entre as pacientes. Muitas não sabem por onde começar a investigação ou quais exames realmente ajudam a entender a fertilidade.

“A reserva ovariana pode ser avaliada por exames como o hormônio anti-mulleriano (AMH) e a contagem de folículos por ultrassonografia. Já a qualidade dos óvulos não pode ser medida diretamente. Na prática, usamos a idade como principal indicador”, explica.

Além da idade, outros fatores também ajudam a explicar o aumento dos casos de infertilidade. Condições como endometriose, obesidade, doenças autoimunes e tratamentos oncológicos podem comprometer a fertilidade feminina e masculina.

O estilo de vida também tem papel decisivo nesse cenário. “Tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, privação de sono e estresse elevado interferem na produção hormonal e no funcionamento do sistema reprodutivo. A fertilidade não depende de um único fator, mas de um conjunto de condições”, destaca a especialista.

Com mais informação e acesso ao tema, cresce também a busca por estratégias de planejamento reprodutivo. Entre elas, o congelamento de óvulos tem ganhado espaço como uma forma de preservar possibilidades futuras.

“O congelamento não deve ser visto como uma obrigação, mas como uma possibilidade. Ele é especialmente indicado para mulheres que desejam adiar a maternidade ou que passarão por tratamentos que podem afetar a fertilidade. O mais importante é ter acesso à informação para tomar decisões conscientes”, orienta.

Para a médica, o principal desafio ainda é o tempo. “Muitas mulheres só procuram avaliação quando já estão tentando engravidar há algum tempo. Mas, entender a fertilidade antes disso pode mudar completamente o planejamento de vida”, finaliza.

 

Dra. Graziela Canheo - CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra - Reprodução Humana. Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic



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