Atualização da norma amplia responsabilidade das
escolas e pode ser oportunidade para humanizar instituições e promover
bem-estar docente de forma estrutural
A
partir de maio, as escolas também entram no radar da fiscalização da NR-01,
atualizada e em vigor desde 2025. Com a intensificação das inspeções pelo
Ministério do Trabalho, as instituições de ensino terão de comprovar que fazem
a gestão dos riscos ocupacionais de seus funcionários, incluindo, de forma
explícita, os riscos psicossociais.
A norma exige que as instituições implementem o Gerenciamento de Riscos
Ocupacionais (GRO), sistema que orienta a identificação e prevenção de ameaças
à saúde dos trabalhadores.
Além disso, prevê a criação e atualização do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com mapeamento não apenas de fatores físicos, ergonômicos, biológicos e de acidentes, mas também dos psicossociais.
Para Jailza Peguin, psicanalista da SOW Saúde Integral, o principal desafio das escolas vai ser superar uma simples abordagem formal da norma. “A avaliação deve ultrapassar o mero cumprimento de formalidades documentais. O foco principal é verificar se a instituição identifica, previne e gerencia os riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais, de forma contínua e eficaz”, afirma.
Entre os principais riscos psicossociais identificados no ambiente escolar estão a sobrecarga docente e administrativa, conflitos interpessoais, pressão por resultados, clima organizacional deteriorado, indícios de burnout e estresse crônico, fatores muitas vezes naturalizados na rotina das escolas.
A nova diretriz estabelece que esses fatores deixem de ser tratados como questões individuais e passem a ser analisados de forma estrutural.
“Se a escola seguir o monitoramento correto, problemas como sobrecarga docente, clima organizacional tóxico, sinais de burnout, assédio ou pressão institucional serão identificados por setores, e não apenas como problemas individuais”, explica Jailza.
Para que essas ações sejam efetivas, é importante que as instituições evitem que o Programa de Gerenciamento de Riscos se torne um documento apenas burocrático, desconectado da realidade escolar.
“O PGR não deve ser um modelo genérico. Ele precisa refletir a realidade da escola, definindo medidas preventivas concretas e prazos de revisão periódica. Não basta identificar o risco; é preciso agir com programas de prevenção e solução de problemas”, ressalta.
Para a psicanalista, o cumprimento da NR-01 precisa ser visto como uma oportunidade de transformação da cultura organizacional das instituições de ensino.
“A atualização da NR-01 desloca o foco da conformidade legal para uma agenda de promoção de saúde. Essa é uma oportunidade de humanização das organizações. O bem-estar do professor influencia diretamente a relação com o aluno e a qualidade do ensino”, diz.
Ao estruturar um PGR consistente, com monitoramento periódico e ações concretas de prevenção, as escolas atendem às exigências legais e fortalecem seu ambiente interno.
“Uma
escola que cuida da saúde emocional de seus profissionais fortalece o clima
organizacional, reduz a indisciplina e melhora o desempenho acadêmico, criando
um ambiente mais saudável, colaborativo e produtivo para todos.”
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