Data reforça a importância do
autocuidado e do acompanhamento oftalmológico diante das mudanças hormonais e
do avanço da idade
Imagem de karlyukav no Freepik
Com a chegada do Dia Internacional da Mulher, em 8 de
março, o debate sobre autocuidado ganha ainda mais relevância. Para além da
rotina atribulada, olhar para a própria saúde de forma integral é um gesto de
atenção consigo mesma. Entre trabalho, família e múltiplas responsabilidades,
muitas vezes a mulher adia cuidados essenciais — inclusive com a visão. As
diferentes fases da vida feminina, da gestação ao climatério — período de
transição hormonal que antecede e sucede a menopausa —, trazem impactos
importantes para os olhos e exigem acompanhamento especializado.
Durante a gravidez, as transformações hormonais são intensas e
podem refletir diretamente na qualidade da visão. A Dra. Carolina Guimarães,
médica oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco, o HOPE, explica que o
aumento de estrogênio e progesterona provoca retenção de líquido no organismo.
“Essa condição pode atingir a córnea, que fica mais inchada e pode mudar de
formato. Com isso, o grau tende a oscilar, especialmente a miopia, e a paciente
pode perceber variações ao longo do dia”, detalha. Segundo ela, essa
instabilidade torna a avaliação menos precisa nesse período. “Não é que seja
proibido atualizar os óculos na gestação, mas é importante ter consciência de que
esse número pode não ser o definitivo, porque após o parto os níveis hormonais
voltam ao normal e a refração pode mudar novamente”, esclarece.
Além da oscilação refracional, a especialista destaca que muitas
mulheres relatam desconforto ocular nessa fase. “As alterações hormonais também
afetam o filme lacrimal, favorecendo sintomas de ressecamento, ardor e sensação
de areia nos olhos. Esse quadro interfere na qualidade visual e pode causar
bastante incômodo”, afirma.
Outro ponto de atenção envolve a pré-eclâmpsia, condição
caracterizada pelo aumento da pressão arterial na gestação e que pode evoluir
para eclâmpsia quando há convulsões. De acordo com a médica, manifestações
oftalmológicas podem funcionar como sinal de alerta. “O aumento da pressão pode
alterar a circulação da retina. Entre as manifestações, estão turvação visual,
escotomas, que são áreas escuras no campo de visão, além de enxergar luzes
piscando. Esses sintomas indicam gravidade e precisam de avaliação imediata”,
orienta.
Se na gravidez há elevação hormonal, no climatério ocorre o
movimento inverso. A queda do estrogênio, comum na pré-menopausa, menopausa e
pós-menopausa, também impacta os olhos. “A principal alteração que observamos é
a síndrome do olho seco. Há diminuição da produção de lágrimas ou alteração na
qualidade dessa lágrima, o que reduz a proteção natural da superfície ocular”,
explica a oftalmologista. Ela reforça que o problema pode comprometer a
qualidade de vida. “Algumas pacientes passam a depender de colírios com
frequência e sentem desconforto constante. O acompanhamento regular nessa fase
é fundamental para controlar os sintomas e evitar complicações.”
Com o amadurecimento, outras condições tornam-se mais prevalentes.
“O envelhecimento aumenta o risco de catarata, de doença macular relacionada à
idade e de glaucoma. São enfermidades que, muitas vezes, evoluem de forma
silenciosa. Por isso, consultas periódicas são essenciais para diagnóstico
precoce e tratamento adequado”, ressalta.
Para a Dra. Carolina, o cuidado com os olhos deve estar inserido
em uma perspectiva mais ampla de bem-estar. “Evitar estresse excessivo, manter
alimentação equilibrada, controlar doenças sistêmicas como hipertensão e
diabetes e realizar avaliações oftalmológicas regulares fazem parte de uma
rotina de atenção integral. A saúde ocular não está separada do restante do
corpo”, finaliza a Dra. Carolina Guimarães, oftalmologista do Hospital de Olhos
de Pernambuco, o HOPE.
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