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sábado, 21 de março de 2026

Mitos e verdades sobre procedimentos estéticos faciais: especialista explica o que é fato e o que é desinformação

Popularização do botox, preenchimentos e bioestimuladores ampliou o acesso aos tratamentos, mas também aumentou a circulação de informações equivocadas sobre riscos, resultados e indicações.

 

A expansão dos procedimentos estéticos faciais colocou técnicas como toxina botulínica (botox), preenchimentos com ácido hialurônico, bioestimuladores de colágeno e microagulhamento no centro das conversas sobre autocuidado e saúde. Se antes eram vistos como tabu, hoje esses tratamentos são amplamente procurados por homens e mulheres de diferentes idades. No entanto, a popularização também trouxe um efeito colateral: a disseminação de mitos que geram medo, banalização ou expectativas irreais. 

Para a cirurgiã-dentista pós-graduada em Harmonização Orofacial, Dra. Adriana Fabres, a informação de qualidade é parte essencial da segurança do paciente. “Procedimentos injetáveis não são simples intervenções estéticas. Eles envolvem anatomia, farmacologia, técnica e planejamento. Quando indicados corretamente e realizados por profissional habilitado, são seguros. O problema começa quando decisões são tomadas de forma precipitada com base em informações erradas”, afirma.

 

O que é mito e o que é verdade? 

1. Botox deixa o rosto sem expressão

Mito.

A toxina botulínica atua relaxando temporariamente músculos responsáveis pelas rugas de expressão, como as da testa e ao redor dos olhos. Segundo a especialista, o efeito artificial acontece quando o produto é aplicado no local errado. “O objetivo do botox bem indicado é suavizar marcas e manter a naturalidade. O paciente continua se expressando normalmente, porque o botox é aplicado apenas em pontos específicos, e nunca no rosto todo”, explica.

 

2. Existe indicação específica para cada idade

Verdade.

Embora não haja uma idade fixa para iniciar procedimentos, cada fase da vida exige abordagem diferente. Pacientes mais jovens costumam buscar prevenção e qualidade da pele; pacientes mais maduros priorizam sustentação, estímulo de colágeno e naturalidade. “Não se trata de fazer todos os procedimentos, mas de fazer o que é indicado para aquele momento, entendendo a individualidade de cada paciente”, pontua.

 

3. Harmonização facial é sempre exagerada e transforma completamente o rosto

Mito.

A ideia de transformação radical está mais ligada a casos pontuais e à exposição em redes sociais do que à prática clínica adequada. “A harmonização moderna prioriza equilíbrio e respeito às características individuais. O foco é dar mais harmonia para o rosto do paciente, realçar o que já é bonito e disfarçar o que incomoda o paciente, não mudar a identidade da pessoa”, explica Dra. Adriana.

 

4. O pós-procedimento é tão importante quanto a aplicação

Verdade.

O resultado final não depende apenas da técnica aplicada no momento da injeção, mas também dos cuidados adotados nas horas e dias seguintes aos procedimentos. Evitar exposição solar intensa, exercícios físicos intensos logo após os procedimentos e seguir corretamente as orientações profissionais são medidas que influenciam diretamente na recuperação e na qualidade do resultado. “A aplicação é apenas uma etapa. O comportamento do paciente no pós-procedimento impacta na segurança, na durabilidade e na naturalidade do procedimento ”, destaca a especialista.

 

5. A aplicação de botox e preenchimento é igualmente dolorosa para todas as pessoas

Mito.

Embora o desconforto seja uma preocupação comum, cada paciente tem uma sensibilidade diferente para a dor. Além disso, ela pode ser significativamente reduzida quando o procedimento é conduzido de forma humanizada. “A dor não precisa ser um fator determinante para evitar o tratamento. O uso de anestésicos tópicos, de forma correta, por exemplo, é uma abordagem humanizada. E isso faz muita diferença na experiência do paciente”, explica a Dra. Adriana Fabres.

 

6. Se o produto for bom, o local da aplicação não faz diferença

Mito.

A segurança de um procedimento não depende apenas da marca utilizada. Ambiente adequado, licença sanitária, material esterilizado ou descartável e preparo técnico do profissional são determinantes. “Mesmo produtos aprovados podem gerar complicações se aplicados sem conhecimento anatômico ou sem estrutura para conduzir intercorrências”, alerta.

 

Dra. Adriana Fabres Barcellos - cirurgiã-dentista em Vitória (ES), com 28 anos de atuação e pós-graduação em Harmonização Orofacial pela Associação Brasileira de Odontologia (ABO-ES). Após trajetória na odontopediatria e no serviço público, passou a atuar com harmonização facial a partir de 2019, com foco em atendimento humanizado, redução de dor e resultados graduais, preservando a individualidade de cada paciente. Também desenvolve uma mentoria voltada a profissionais de saúde sobre harmonização facial humanizada.


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