Popularização do botox, preenchimentos e bioestimuladores ampliou o acesso aos tratamentos, mas também aumentou a circulação de informações equivocadas sobre riscos, resultados e indicações.
A expansão dos procedimentos estéticos faciais colocou técnicas como toxina botulínica (botox), preenchimentos com ácido hialurônico, bioestimuladores de colágeno e microagulhamento no centro das conversas sobre autocuidado e saúde. Se antes eram vistos como tabu, hoje esses tratamentos são amplamente procurados por homens e mulheres de diferentes idades. No entanto, a popularização também trouxe um efeito colateral: a disseminação de mitos que geram medo, banalização ou expectativas irreais.
Para a cirurgiã-dentista pós-graduada em Harmonização
Orofacial, Dra. Adriana Fabres, a informação de qualidade é parte essencial da
segurança do paciente. “Procedimentos injetáveis não são simples intervenções
estéticas. Eles envolvem anatomia, farmacologia, técnica e planejamento. Quando
indicados corretamente e realizados por profissional habilitado, são seguros. O
problema começa quando decisões são tomadas de forma precipitada com base em
informações erradas”, afirma.
O que é mito e o que é verdade?
1. Botox deixa o rosto sem expressão
Mito.
A toxina botulínica atua relaxando temporariamente músculos
responsáveis pelas rugas de expressão, como as da testa e ao redor dos olhos.
Segundo a especialista, o efeito artificial acontece quando o produto é
aplicado no local errado. “O objetivo do botox bem indicado é suavizar marcas e
manter a naturalidade. O paciente continua se expressando normalmente, porque o
botox é aplicado apenas em pontos específicos, e nunca no rosto todo”, explica.
2. Existe indicação específica para cada idade
Verdade.
Embora não haja uma idade fixa para iniciar procedimentos,
cada fase da vida exige abordagem diferente. Pacientes mais jovens costumam
buscar prevenção e qualidade da pele; pacientes mais maduros priorizam
sustentação, estímulo de colágeno e naturalidade. “Não se trata de fazer todos
os procedimentos, mas de fazer o que é indicado para aquele momento, entendendo
a individualidade de cada paciente”, pontua.
3. Harmonização facial é sempre exagerada e transforma
completamente o rosto
Mito.
A ideia de transformação radical está mais ligada a casos
pontuais e à exposição em redes sociais do que à prática clínica adequada. “A
harmonização moderna prioriza equilíbrio e respeito às características
individuais. O foco é dar mais harmonia para o rosto do paciente, realçar o que
já é bonito e disfarçar o que incomoda o paciente, não mudar a identidade da
pessoa”, explica Dra. Adriana.
4. O pós-procedimento é tão importante quanto a aplicação
Verdade.
O resultado final não depende apenas da técnica aplicada no
momento da injeção, mas também dos cuidados adotados nas horas e dias seguintes
aos procedimentos. Evitar exposição solar intensa, exercícios físicos intensos
logo após os procedimentos e seguir corretamente as orientações profissionais
são medidas que influenciam diretamente na recuperação e na qualidade do
resultado. “A aplicação é apenas uma etapa. O comportamento do paciente no pós-procedimento
impacta na segurança, na durabilidade e na naturalidade do procedimento ”,
destaca a especialista.
5. A aplicação de botox e preenchimento é igualmente
dolorosa para todas as pessoas
Mito.
Embora o desconforto seja uma preocupação comum, cada
paciente tem uma sensibilidade diferente para a dor. Além disso, ela pode ser
significativamente reduzida quando o procedimento é conduzido de forma
humanizada. “A dor não precisa ser um fator determinante para evitar o
tratamento. O uso de anestésicos tópicos, de forma correta, por exemplo, é uma
abordagem humanizada. E isso faz muita diferença na experiência do paciente”,
explica a Dra. Adriana Fabres.
6. Se o produto for bom, o local da aplicação não faz
diferença
Mito.
A segurança de um procedimento não depende apenas da marca
utilizada. Ambiente adequado, licença sanitária, material esterilizado ou
descartável e preparo técnico do profissional são determinantes. “Mesmo
produtos aprovados podem gerar complicações se aplicados sem conhecimento
anatômico ou sem estrutura para conduzir intercorrências”, alerta.

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