Vírus é responsável por mais de 95% dos casos de câncer de colo do útero, mas informação e prevenção ainda enfrentam barreiras no Brasil
Apesar de ser uma
das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo, o HPV ainda é
cercado por desinformação e estigmas entre as mulheres brasileiras. Durante o
Março Lilás, mês de conscientização sobre a prevenção do câncer de colo do
útero, especialistas reforçam a importância do acesso à informação como
principal ferramenta de proteção e diagnóstico precoce.
De acordo com dados
do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é o terceiro
tipo de tumor mais frequente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil
novos casos estimados por ano. A doença está diretamente associada à infecção
persistente pelo HPV, que é responsável por mais de 95% dos casos. Ainda
segundo o órgão, quando identificado precocemente, o câncer de colo do útero
tem altas chances de cura, o que torna o rastreamento e a prevenção estratégias
fundamentais.
Segundo a Dra.
Mariane Nadai, médica parceira da DKT South America, empresa de planejamento
familiar, a falta de conhecimento sobre o vírus faz com que muitas mulheres só
descubram a infecção em estágios avançados. “O HPV, na maioria das vezes, não
apresenta sintomas visíveis. Por isso, muitas mulheres acreditam que estão
saudáveis e deixam de realizar exames preventivos como o papanicolau, que é
essencial para detectar alterações antes que elas evoluam para um câncer”,
explica a especialista.
A Organização
Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que cerca de 80%
das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da
vida. Embora muitas infecções sejam eliminadas espontaneamente pelo organismo,
alguns tipos do vírus podem causar lesões persistentes que evoluem para câncer
se não forem acompanhadas e tratadas adequadamente.
Entre as
principais formas de prevenção estão a vacinação contra o HPV, o uso regular do
preservativo e a realização periódica de exames ginecológicos. A vacina,
disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde para crianças e
adolescentes, é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir os
índices da doença a longo prazo. No entanto, especialistas alertam que mesmo
mulheres vacinadas devem manter o acompanhamento médico, já que a vacina não
protege contra todos os tipos do vírus.
Outro ponto
importante é o papel do preservativo na redução do risco de transmissão. Embora
não ofereça proteção total contra o HPV, seu uso correto e contínuo diminui
significativamente a exposição ao vírus e a outras infecções sexualmente
transmissíveis. Além disso, o preservativo é um aliado fundamental na promoção
da saúde sexual e reprodutiva.
Para a Dra., falar
sobre HPV é também enfrentar tabus históricos ligados à sexualidade feminina.
“Muitas mulheres ainda sentem vergonha de procurar informações ou atendimento
médico por associar o HPV a julgamentos morais. Precisamos tratar o tema como
uma questão de saúde pública, não de comportamento”, afirma.
A campanha do
Março Lilás reforça que o câncer de colo do útero pode ser prevenido com ações
simples e acessíveis, como vacinação, exames regulares e informação de
qualidade. Ampliar o diálogo sobre o HPV é um passo essencial para reduzir os
números da doença e garantir que mais mulheres tenham autonomia sobre o próprio
corpo e sua saúde.
DKT Salú
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