
Imagem criada com auxílio de IA
Respiração,
rotina e estratégia fazem diferença na hora decisiva, explica Valma Souza,
diretora do PB Colégio e Curso
O aluno estudou. Revisou o conteúdo. Resolveu exercícios. Ainda assim, diante
das primeiras provas do ano, o corpo reage antes da razão.
Mãos
frias, coração acelerado, dificuldade de concentração. Em poucos minutos, o que
parecia domínio vira insegurança.
“Esse
‘branco’ não tem relação direta com falta de conhecimento”, explica Valma
Souza, diretora do PB Colégio e Curso, do Rio de Janeiro. “Na maioria das
vezes, o aluno sabe, mas não consegue acessar o que aprendeu por causa da
ansiedade.”
A
cena se repete todos os anos, especialmente entre estudantes dos anos finais do
Ensino Fundamental, fase em que a cobrança aumenta e o desempenho começa a
ganhar mais peso.
Por que a primeira prova mexe tanto com o aluno
O
início do ano letivo traz uma combinação delicada. Há uma quebra recente de
rotina por conta das férias e, ao mesmo tempo, uma expectativa elevada por
desempenho.
“As
primeiras provas funcionam como um marco emocional. Muitos alunos sentem que
precisam ir bem logo de cara, como se aquilo definisse o restante do ano”,
afirma Valma.
Essa
pressão, ainda que silenciosa, impacta diretamente a performance.
“O
cérebro entra em estado de alerta. E, nesse estado, acessar o conteúdo fica
mais difícil.”
O erro mais comum: estudar mais e pior
Diante
da insegurança, a reação imediata de muitos alunos é intensificar os estudos na
véspera. O efeito costuma ser o oposto.
“Estudar
até a exaustão aumenta a ansiedade e não melhora a retenção. O aluno chega
cansado e mais inseguro”, explica.
Para
a especialista, o ponto não é quantidade, mas qualidade e estratégia.
Travou na prova? O que fazer na hora
Mesmo
com preparação, a ansiedade pode aparecer no meio da avaliação. E, quando isso
acontece, insistir na mesma questão ou tentar “ir mais rápido” costuma piorar o
bloqueio.
“Quando
o aluno percebe que travou, ele precisa mudar de estratégia rapidamente. Forçar
só aumenta a ansiedade”, orienta Valma que traz algumas ações simples que
ajudam a retomar o controle e seguir com a prova:
- Respire de forma consciente por alguns segundos para
desacelerar o corpo
- Pule a questão que travou e avance para outra mais
fácil
- Evite olhar para os lados e se comparar com outros
alunos
- Lembre que aquele momento é passageiro e não define sua
capacidade
- Volte depois à questão com a mente mais organizada
“O
aluno precisa entender que sair de uma questão não é desistir. É estratégia”,
reforça.
Nem sempre é desorganização
Irritação,
procrastinação e dificuldade de começar a estudar costumam ser interpretadas
como falta de disciplina. Nem sempre são.
“Muitas
vezes, é ansiedade antecipada. O aluno evita o estudo porque já associa aquele
momento a um possível fracasso”, diz Valma.
Identificar
esse comportamento cedo ajuda a evitar um ciclo de insegurança.
O papel da escola e da família
Ambientes
que equilibram cobrança com orientação tendem a formar alunos mais seguros.
“No
PB Colégio e Curso, a gente trabalha para que o aluno desenvolva autonomia sem
perder o suporte. Ele precisa saber estudar, mas também entender como lidar com
a pressão”, explica.
Segundo
ela, desempenho consistente não vem apenas do conteúdo.
“Alta
performance exige preparo emocional. Um não funciona sem o outro.”
As primeiras provas não definem o ano
Apesar
do peso simbólico, as primeiras avaliações não são definitivas.
“Um
resultado ruim no começo não determina o futuro do aluno. O mais importante é
entender o que aconteceu e ajustar o caminho”, afirma.
Porque,
no fim, aprender a lidar com a ansiedade também faz parte da formação.
E pode ser
justamente o que transforma estudo
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