Psicóloga explica por que conflitos internacionais, mesmo distantes, podem impactar a saúde emocional da população e orienta sobre como lidar com o excesso de informações
Mesmo quando ocorrem a milhares de quilômetros de
distância, guerras e conflitos internacionais podem gerar impactos significativos
na saúde emocional das pessoas. A cobertura intensa da mídia, combinada à
circulação de imagens e relatos em tempo real nas redes sociais, tem ampliado
sentimentos de ansiedade, insegurança e preocupação em diferentes partes do
mundo.
Uma pesquisa do American Psychological Association (APA) mostrou
que 76% dos adultos relatam sentir estresse ao acompanhar notícias frequentes
sobre crises globais, como guerras, terrorismo e instabilidade política. Outro
levantamento do Reuters Institute Digital News Report aponta que 38% das pessoas
dizem evitar notícias ocasionalmente por se sentirem sobrecarregadas
emocionalmente pela cobertura de eventos negativos.
Para a psicóloga Dra. Andrea Beltran, psicóloga especialista em saúde emocional,
esse fenômeno está ligado ao modo como o cérebro reage a informações percebidas
como ameaça, mesmo quando o risco não é direto.
“Quando somos expostos repetidamente a notícias de guerra, o
cérebro ativa mecanismos de alerta semelhantes aos de uma ameaça real. Ainda
que racionalmente saibamos que o conflito está distante, emocionalmente nosso
organismo reage com ansiedade, tensão e sensação de insegurança”, explica a
Dra. Andrea Beltran.
Segundo ela, a combinação entre notícias constantes, imagens
impactantes e discussões nas redes sociais pode intensificar esse processo.
Isso ocorre porque o cérebro humano tende a interpretar a repetição de eventos
negativos como sinal de perigo iminente.
“Hoje temos acesso a imagens e informações praticamente em tempo
real, o que aumenta a sensação de proximidade com o conflito. Essa exposição
contínua pode gerar hipervigilância, dificuldade para dormir, irritabilidade e
pensamentos catastróficos”, afirma a Dra. Andrea Beltran.
Além da ansiedade, especialistas apontam que o excesso de notícias
sobre crises internacionais pode provocar o chamado fenômeno da fadiga
informacional ou fadiga de crise, caracterizado pelo esgotamento emocional
diante da repetição de conteúdos negativos. De acordo com o Digital News Report
2023, 36% das pessoas afirmam se sentir frequentemente sobrecarregadas pela
quantidade de notícias disponíveis.
Para a Dra. Andrea Beltran, pessoas que já apresentam quadros de
ansiedade ou maior sensibilidade emocional tendem a sentir esses impactos com
mais intensidade.
“Quando já existe um histórico de ansiedade ou preocupação
excessiva, notícias sobre guerras podem alimentar pensamentos de catástrofe e
sensação de perda de controle. A pessoa começa a imaginar cenários extremos e
passa a viver em estado constante de alerta”, explica a psicóloga.
Diante desse cenário, a especialista orienta que o consumo de
notícias seja feito de forma consciente, com limites claros para evitar
sobrecarga emocional.
“Informação é importante, mas é fundamental estabelecer limites.
Definir horários específicos para acompanhar notícias, evitar exposição
contínua nas redes sociais e priorizar fontes confiáveis são estratégias que
ajudam a preservar o equilíbrio emocional”, recomenda a Dra.
A psicóloga também destaca a importância de observar sinais de desgaste psicológico, como irritabilidade frequente, insônia ou sensação constante de medo.
“Quando percebemos que o conteúdo está afetando nosso humor, nosso
sono ou nossa rotina, é um indicativo de que precisamos reduzir a exposição e
buscar atividades que ajudem a regular as emoções”, conclui a Dra. Andrea
Beltran.

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