Embora seja mais comum em adultos, a doença também pode afetar
crianças e adolescentes e evoluir de forma silenciosa, exigindo atenção a
sinais de alerta
Foto: Wynitow Butenas
Hospital Pequeno Príncipe
De acordo com a organização internacional World Kidney Day, 1 em
cada 10 pessoas no mundo vive com doença renal crônica (DRC). A condição afeta
mais de dez milhões de brasileiros e cerca de 850 milhões de pessoas
globalmente, além de causar 2,4 milhões de mortes todos os anos, segundo dados
da Sociedade Brasileira de Nefrologia e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Embora seja mais comum na vida adulta, a doença renal crônica
também pode afetar crianças e adolescentes. Estima-se que ocorram cerca de 20
casos para cada um milhão de crianças, segundo a Sociedade Brasileira de
Pediatria. Por isso, durante o mês de conscientização sobre a saúde renal, o
Hospital Pequeno Príncipe, maior e mais completo hospital pediátrico do país,
reforça a importância do cuidado com a saúde dos rins desde a infância.
Além da produção de urina, os rins exercem funções essenciais para o organismo, como filtrar impurezas do sangue, controlar a pressão arterial e produzir hormônios importantes para o metabolismo, crescimento e desenvolvimento do corpo. “Muitas pessoas pensam que os rins são responsáveis apenas pela produção de urina, mas eles têm um papel fundamental no equilíbrio do organismo. Eles atuam no controle da pressão arterial, do metabolismo e do crescimento das crianças. Por isso, o cuidado com a saúde renal e os hábitos saudáveis devem começar ainda na infância”, explica a nefrologista pediátrica Lucimary Sylvestre, do Hospital Pequeno Príncipe.
Sinais
de alerta
Existem diferentes doenças renais na infância e muitas delas não
se limitam apenas aos rins, podendo envolver todo o trato urinário. Elas podem
estar associadas a malformações congênitas, condições hereditárias ou doenças
adquiridas, como infecções urinárias de repetição, cálculos renais e síndromes
que causam perda de proteína pela urina.
“Algumas doenças renais se manifestam com sinais como infecção
urinária de repetição, dor ou dificuldade para urinar, perda de urina, presença
de sangue ou espuma na urina e inchaço no corpo. No entanto, outras condições
podem evoluir de forma silenciosa até estágios mais avançados, o que reforça a
importância da avaliação médica”, explica a especialista.
Também é importante estar atento a sinais como alterações na
pressão arterial, cansaço excessivo, anemia persistente, inchaço no rosto ou
nas pernas e histórico familiar de doenças renais.
Hipertensão
também pode ocorrer na infância
A hipertensão arterial é outro fator que merece atenção na
infância. Embora muitas vezes seja associada apenas aos adultos, crianças e
adolescentes também podem apresentar pressão alta e, na maioria das vezes, sem
sintomas evidentes.
“A hipertensão nem sempre provoca sinais claros nas crianças, por
isso a aferição da pressão arterial é fundamental. A recomendação é que ela
seja medida rotineiramente a partir dos três anos de idade, especialmente em
crianças com fatores de risco, como prematuridade, baixo peso ao nascer,
doenças renais ou sobrepeso”, ressalta Lucimary.
Em alguns casos, a hipertensão pode estar relacionada a doenças
renais ou a alterações em outros órgãos, como o coração ou o sistema
endocrinológico. Em outras situações, pode estar associada ao estilo de vida,
principalmente ao excesso de peso, alimentação rica em sódio e baixo nível de
atividade física.
Estilo
de vida influencia a saúde dos rins
Hábitos saudáveis desempenham papel importante tanto na prevenção
quanto no controle de diversas doenças renais. Entre as recomendações estão a
ingestão adequada de líquidos, alimentação equilibrada e prática regular de
atividades físicas.
“Uma dieta rica em alimentos industrializados e com excesso de sal
pode contribuir para o aumento da pressão arterial e também para o
desenvolvimento de cálculos renais. Já uma alimentação mais equilibrada e a
prática de atividades físicas ajudam a proteger a saúde dos rins e do organismo
como um todo”, afirma a nefrologista.
Manter o peso adequado e reduzir o consumo de ultraprocessados
também são medidas importantes para prevenir doenças como hipertensão e
obesidade, que podem comprometer a função renal ao longo da vida.
Tratamentos
variam conforme a doença
O tratamento das doenças renais depende da causa e do estágio. Em
alguns casos, mudanças no estilo de vida e na alimentação já são suficientes
para controlar o problema. Em outras situações, pode ser necessário o uso de
medicamentos específicos ou acompanhamento com especialistas.
Quando ocorre perda progressiva da função dos rins, a criança pode
evoluir para doença renal crônica avançada, situação em que são necessárias
terapias de substituição da função renal. Entre elas estão:
- Diálise peritoneal: pode ser
realizada em casa após treinamento da família;
- Hemodiálise: feita no
hospital algumas vezes por semana;
- Transplante renal: considerado o
tratamento que oferece melhor qualidade de vida a longo prazo.
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