Médico Psiquiatra da Unifran detalha desafios de diagnóstico e a importância do tratamento para uma vida plena.
O
dia 30 de março é marcado como o Dia Mundial do Transtorno Bipolar, uma data
dedicada a aumentar a conscientização e desmistificar uma condição que afeta
milhões de pessoas globalmente. Para esclarecer os sintomas e combater o
estigma associado à doença, o Dr. Marcelo Salomão Aros, Médico Psiquiatra,
Psicoterapeuta Psicanalítico e Professor do curso de Medicina da Universidade
de Franca (Unifran), compartilha informações essenciais.
Segundo
a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos
Afetivos (ABRATA), o transtorno bipolar afeta cerca de 140 milhões de pessoas
no mundo, com sintomas que aparecem quase sempre antes dos 30 anos,
principalmente entre 18 e 25 anos de idade. Segundo o Dr. Marcelo Aros, o
principal sinal da condição é a presença de um episódio maníaco.
"Um
episódio maníaco é composto por um conjunto de sintomas, entre os mais
frequentes temos: humor continuamente alegre, energia elevada, ideias
grandiosas, redução da necessidade de sono, períodos de irritação, fala
acelerada, distração, agitação motora, surtos desenfreados de compras e
prejuízos nas esferas social, educacional e profissional", explica.
Já
os episódios de hipomania são menos intensos que os maníacos, com duração de 3
a 4 dias contínuos e redução espontânea da intensidade. Os episódios
depressivos, que também podem ocorrer, manifestam-se com humor triste, perda de
energia e prazer nas atividades, alteração de peso, perda de concentração,
insônia ou aumento do sono, lentificação motora, sentimento de culpa,
negativismo e, em casos mais graves, ideias de morte.
O desafio do estigma e suas consequências
O
preconceito social ainda é uma das maiores barreiras para quem convive com o
Transtorno Bipolar. Dr. Marcelo Aros ressalta que, de forma geral, "todas
as doenças psiquiátricas ainda sofrem de um preconceito na sociedade".
Pacientes com transtorno bipolar podem ser rotulados como incapazes,
improdutivos ou instáveis.
No
entanto, o psiquiatra enfatiza: "com o devido tratamento, a maioria dos
pacientes com o transtorno bipolar podem ter uma vida produtiva e contribuir em
muito para a sociedade." O estigma afeta diretamente a busca por ajuda
profissional e a adesão ao tratamento, comprometendo a integração social dos
indivíduos e perpetuando o ciclo da condição.
Tratamento e qualidade de vida
As
abordagens de tratamento mais eficazes para o Transtorno Bipolar incluem a
associação de farmacoterapia (uso de medicações) e psicoterapia. Recentemente,
outras abordagens como a atividade física regular e uma alimentação saudável
também têm se mostrado muito eficazes.
Com
o tratamento adequado e contínuo, é plenamente possível que o paciente tenha
uma vida funcional e com boa qualidade. O apoio familiar e social desempenha um
papel crucial nesse processo, oferecendo a base necessária para a recuperação e
estabilidade.
Combate ao preconceito e apoio social
Para
desmistificar o Transtorno Bipolar e promover um ambiente mais compreensivo,
uma alternativa é aumentar a oferta de serviços de atendimento em saúde mental.
"A depressão já é a doença mais incapacitante em todo o mundo, e o
transtorno bipolar também é uma doença muito frequente no nosso país",
alerta o Dr. Aros.
No
cotidiano, o combate ao preconceito pode ser feito por meio de "pequenas
ações de tolerância e de auxílio no trabalho, nas reuniões de família, na
igreja entre outros espaços que o paciente ocupe de forma regular". É
fundamental que, ao identificar a condição, a busca por tratamento com
especialistas seja sempre indicada como o melhor caminho.
UNIFRAN
www.unifran.edu.br
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