No Dia Mundial do Teatro, 27 de março, a
dica é “A Casa da Ópera de Manoel Luiz”
(Mondru), do escritor carioca Celso Tádhei, obra que mescla ficção, história e
reflexão artística. Finalista do Prêmio Jabuti 2025 na
categoria Romance de Entretenimento, o livro resgata a memória do segundo
teatro em atividade no Brasil, fundado no Rio de Janeiro do século XVIII, e de
seu idealizador, o português Manoel Luiz Ferreira. Com uma narrativa ágil e
repleta de humor, Celso recria um período pouco explorado da cultura
brasileira, trazendo à tona dilemas artísticos que permanecem atuais. Celso
trabalhou por 23 anos na Rede Globo, onde foi roteirista-chefe de programas
como “Zorra” (indicado ao Emmy Internacional) e “Isso é Muito a Minha
Vida", com Paulo Vieira.
A obra se constrói a partir de uma premissa
metalinguística: o próprio autor, assombrado pelo fantasma de Manoel Luiz,
narra as peripécias do empresário e de sua trupe, composta em grande parte por
artistas negros e mestiços, em meio aos bastidores do poder colonial. “Este
livro já foi peça, roteiro de cinema e script de radioteatro. E também não foi
nada disso, sem deixar de sê-lo”, revela o autor em um trecho que sintetiza o
caráter labiríntico e inventivo da narrativa.
Entre cenas de bastidores, improvisos
cômicos, intrigas palacianas e a relação com figuras como o Vice-Rei Lavradio e
a cantora Lapinha, o romance aborda temas como a arte como resistência, o
nascimento de uma cultura brasileira mestiça e o eterno dilema entre criação artística
e sobrevivência financeira. “A arte como espaço onde a vida se expande para
além do que é imposto, revelando ao criador e a quem assiste a dignidade de sua
própria expressão”, define.
Celso Tádhei, carioca de Laranjeiras, traz
em sua bagagem mais de duas décadas como roteirista na TV Globo, onde foi
responsável por programas como “Zorra” (indicado ao Emmy Internacional) e “Os
Caras de Pau”, além de peças teatrais e filmes. Essa experiência com a comédia
e a dramaturgia transparece no ritmo do romance, estruturado em capítulos
curtos e digressivos, que misturam pesquisa histórica, ironia e um olhar
afetuoso sobre os personagens.
“Meu estilo é despojado, porém com um
cuidado imenso com as palavras. A proposta foi bagunçar o fluxo narrativo para
provocar um certo devaneio que tem tudo a ver com a estupefação do ato
criativo”, comenta. O livro dialoga com influências que vão de Mário de Andrade
e Machado de Assis até o humor de Kurt Vonnegut e a prosa fragmentada de Márcio
Souza.
Além de entreter, a obra cumpre um papel de
resgate histórico. Personagens como a cantora Lapinha, o ator João dos Reis e o
compositor Padre José Maurício ganham vida nas páginas, lembrando que a cena
artística colonial era vibrante e plural, ainda que muitas vezes apagada pelos
registros oficiais. “Manoel e, principalmente, tantos artistas brasileiros
foram apagados da história da arte nacional. Está mais do que na hora de mudar
isso”, reflete o autor.
O processo de escrita, que durou cerca de
dois anos, foi marcado por uma virada criativa quando Celso decidiu incluir a
si mesmo como personagem, lidando com as dúvidas da pesquisa e a pressão do
“fantasma” de Manoel Luiz. “Isso não foi apenas libertador como iluminou o
livro inteiro”, afirma. O resultado é um romance que, sem abrir mão do
entretenimento, convida o leitor a refletir sobre as raízes da cultura nacional
e os desafios perenes da criação artística.
Sobre
o autor
Celso Tádhei é roteirista, escritor e
professor, com formação em Artes Cênicas pela UNIRIO. Trabalhou por 23 anos na
Rede Globo, onde foi roteirista-chefe de programas como “Zorra” (indicado ao
Emmy Internacional) e escreveu clássicos como Sítio do Pica-Pau Amarelo" e
"Chico Anysio - Cartão de Visitas". É autor de peças teatrais como “O
Alienista” (Prêmio Cenym de Melhor Texto Adaptado) e “O Baterista”, além de de
filmes como “Os Caras de Pau e o Misterioso Roubo do Anel”. Um dos fundadores
da Escola de Roteiro Levante 42, ministra oficinas de escrita criativa e
dramaturgia. “A Casa da Ópera de Manoel Luiz” é seu primeiro romance, finalista
do Prêmio Jabuti 2025.
Adquira o livro “A Casa da Ópera de Manoel Luiz” pelo
site da editora Mondru:
https://mondru.com/produto/a-casa-da-opera-de-manoel-luiz/
FICHA
TÉCNICA
Livro: “A Casa
da Ópera de Manoel Luiz”
Autor:
Celso Tádhei
Número
de páginas: 203
ISBN:
978-65-6042-067-0
Gênero:
Romance
Editora:
Mondru
Ano:
2025

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