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domingo, 8 de março de 2026

Dia da Mulher: É preciso falar sobre a menopausa


A menopausa ainda é tratada como tabu, mas pode trazer impactos profundos na saúde emocional da mulher. Pesquisa da plataforma Plenapausa aponta que 82% das mulheres relatam sintomas de depressão e ansiedade durante essa fase, mostrando que essas mudanças não são casos isolados, mas uma experiência coletiva. 

Para a psicóloga Cris Marcil, que atua há mais de duas décadas com mulheres, a menopausa não é apenas hormonal. “É uma travessia que mexe com identidade, autoestima, corpo, passado, futuro e com a pergunta silenciosa: ‘Quem eu sou agora?’”. Segundo ela, o problema é que muitas atravessam essa fase sem mapa, diálogo ou permissão para sentir. “O silêncio adoece. A mulher acredita que está exagerando, quando, na verdade, está vivendo uma das fases mais profundas de transformação da vida”, completa. 

Marcil explica que a falta de informação e acolhimento pode levar a confusão, irritabilidade, insegurança e queda da autoestima. “Muitas mulheres começam a se julgar duramente: ‘Estou ficando difícil’, ‘fraca’, ‘instável’. Quando falta informação, a mulher luta contra si mesma em vez de se tratar com compaixão”, observa. 

O critério para diferenciar mudanças normais de sinais de alerta, segundo a especialista, é o impacto na qualidade de vida. Quando o sono não vem, o prazer desaparece, a sobrecarga vira constante e as emoções parecem incontroláveis, é hora de buscar ajuda. Sofrimento não é medalha de honra”.

A cobrança interna das mulheres, aponta Cris, vem de uma cultura que ensinou que sentir é sinônimo de fraqueza. Na menopausa, quando o corpo pede pausa e a alma pede cuidado, essa cobrança explode. Precisamos reescrever a narrativa: vulnerabilidade não é fraqueza, é humanidade. 

A psicóloga recomenda terapia, hábitos de autocuidado e redes de apoio feminino como aliados essenciais para atravessar a menopausa com mais consciência e qualidade de vida. “A terapia ajuda a mulher a se escutar sem julgamento e a ressignificar essa fase como transição, não como fim. Além disso, movimento, sono, alimentação equilibrada, redução do estresse, espiritualidade e vínculos com outras mulheres são fundamentais. Mulheres precisam de mulheres, de conversa, riso, oração, dança e pertencimento”. 

Para a terapeuta, a principal mensagem é: “Você não está quebrada. Você está em transição. Transições pedem cuidado, não culpa. Pedir ajuda é coragem. Esta fase não é o fim da sua história, pode ser o começo da versão mais livre, inteira e verdadeira de você”.

 

Cristiane Marcil - terapeuta, escritora best-seller e pastora de mulheres. Com mais de 23 anos de experiência em psicologia clínica, formação em Terapia Cognitivo-Comportamental por Harvard e Estudos da Mulher pela Universidade da Califórnia, une ciência, fé e movimento em abordagens inovadoras e profundamente humanas. Criadora da Amigas Dance Therapy e do Amigas Prayer Club, é reconhecida por transformar dor em propósito, trauma em testemunho e mulheres em protagonistas da própria cura. Já foi eleita uma das “50 Heroínas dos Estados Unidos” pela revista Glamour, participou de dois TEDx Talks e teve seu trabalho destacado por veículos como Marie Claire, Women’s Health, SHAPE, FOX News e ABC. Hoje vive nos Estados Unidos com o marido, os filhos e sua filha de quatro patas, espalhando, com humor e profundidade, aquilo que ela chama de “o crazy amor de Deus que cura, restaura e devolve a mulher para casa: para si mesma”.



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