A menopausa ainda é tratada como tabu, mas pode trazer impactos
profundos na saúde emocional da mulher. Pesquisa da plataforma Plenapausa
aponta que 82% das mulheres relatam sintomas de depressão e ansiedade durante
essa fase, mostrando que essas mudanças não são casos isolados, mas uma
experiência coletiva.
Para a psicóloga Cris Marcil, que atua há mais de duas décadas com
mulheres, a menopausa não é apenas hormonal. “É uma travessia que mexe com
identidade, autoestima, corpo, passado, futuro e com a pergunta silenciosa:
‘Quem eu sou agora?’”. Segundo ela, o problema é que muitas atravessam essa
fase sem mapa, diálogo ou permissão para sentir. “O silêncio adoece. A mulher
acredita que está exagerando, quando, na verdade, está vivendo uma das fases
mais profundas de transformação da vida”, completa.
Marcil explica que a falta de informação e acolhimento pode levar
a confusão, irritabilidade, insegurança e queda da autoestima. “Muitas mulheres
começam a se julgar duramente: ‘Estou ficando difícil’, ‘fraca’, ‘instável’.
Quando falta informação, a mulher luta contra si mesma em vez de se tratar com
compaixão”, observa.
O critério para diferenciar mudanças normais de sinais de alerta, segundo a especialista, é o impacto na qualidade de vida. Quando o sono não vem, o prazer desaparece, a sobrecarga vira constante e as emoções parecem incontroláveis, é hora de buscar ajuda. Sofrimento não é medalha de honra”.
A cobrança interna das mulheres, aponta Cris, vem de uma cultura
que ensinou que sentir é sinônimo de fraqueza. Na menopausa, quando o corpo
pede pausa e a alma pede cuidado, essa cobrança explode. Precisamos reescrever
a narrativa: vulnerabilidade não é fraqueza, é humanidade.
A psicóloga recomenda terapia, hábitos de autocuidado e redes de
apoio feminino como aliados essenciais para atravessar a menopausa com mais
consciência e qualidade de vida. “A terapia ajuda a mulher a se escutar sem
julgamento e a ressignificar essa fase como transição, não como fim. Além disso,
movimento, sono, alimentação equilibrada, redução do estresse, espiritualidade
e vínculos com outras mulheres são fundamentais. Mulheres precisam de mulheres,
de conversa, riso, oração, dança e pertencimento”.
Para a terapeuta, a principal mensagem é: “Você não está quebrada.
Você está em transição. Transições pedem cuidado, não culpa. Pedir ajuda é
coragem. Esta fase não é o fim da sua história, pode ser o começo da versão
mais livre, inteira e verdadeira de você”.
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