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sexta-feira, 20 de março de 2026

Calor extremo e saúde do coração: Riscos cardiovasculares aumentam em períodos mais quentes

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Com doenças cardiovasculares causando cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil, especialista destaca que altas temperaturas exigem esforço extra do coração, elevando riscos para hipertensos, idosos e diabéticos; Monitoramento e exames preventivos são essenciais 

 

Diante das ondas de calor intenso que marcam o verão, aumentam os riscos que as altas temperaturas representam para a saúde do coração. O alerta se torna ainda mais crítico em um país onde as doenças cardiovasculares são a principal causa de óbitos, sendo responsáveis por cerca de 400 mil mortes anualmente – o que equivale a uma morte a cada 90 segundos, segundo dados do Ministério da Saúde. O calor extremo pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e a atenção deve ser redobrada, principalmente para grupos de risco como idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas com doenças cardíacas preexistentes. 

Quando o corpo é exposto ao calor excessivo, ele inicia um processo de vasodilatação para tentar se resfriar. Essa expansão dos vasos sanguíneos pode levar a uma queda na pressão arterial, forçando o coração a bater mais rápido para manter a circulação adequada. Somado a isso, a transpiração intensa provoca a perda de líquidos e eletrólitos importantes (como sódio e potássio), o que pode levar à desidratação. 

"Com a desidratação, o sangue se torna mais viscoso, o que exige um esforço ainda maior do coração para bombeá-lo pelo corpo. Essa sobrecarga aumenta o risco de eventos como arritmias, descompensação de insuficiência cardíaca e até mesmo infarto e trombose", alerta Leonardo Severino, cardiologista do Sabin Diagnóstico e Saúde. 

Medidas simples como manter-se hidratado, evitar exposição solar nos horários de pico (entre 10h e 16h), usar roupas leves e fazer refeições mais leves são fundamentais. 

Contudo, para aqueles que já possuem fatores de risco, o monitoramento da saúde por meio de exames laboratoriais é um passo crucial para avaliar o impacto do calor no organismo e agir preventivamente. "Não é preciso esperar por um sintoma grave. O monitoramento preventivo nos dá um panorama da saúde do paciente. Exames de check-up são ferramentas valiosas e devem ser individualizados conforme risco cardiovascular global, com foco em estratificação e tomada de decisão clínica", complementa o especialista. 

Entre os principais exames, estão:

  • Perfil Lipídico (Colesterol e Triglicerídeos): "Este exame é um pilar da avaliação de risco cardiovascular. Níveis alterados levam à aterosclerose, que é o acúmulo de placas de gordura nas artérias. Em um cenário de esforço cardíaco aumentado pelo calor, artérias já comprometidas elevam drasticamente o risco de infarto e AVC. O check-up é essencial para monitorar essa condição de base."
  • Eletrólitos (Sódio e Potássio): "Esses minerais, perdidos em grande quantidade no suor, são vitais para o ritmo cardíaco e a contração muscular. Um desequilíbrio, causado pela desidratação, pode ser o gatilho para arritmias cardíacas graves. A dosagem sérica nos permite avaliar e corrigir esse balanço."
  • Função Renal (Ureia e Creatinina): "Os rins são essenciais para filtrar o sangue e regular a pressão arterial. A desidratação impacta diretamente a função renal. Medir a creatinina nos ajuda a entender se os rins estão sendo sobrecarregados, um fator que está intimamente ligado à saúde cardiovascular."
  • Proteína C-Reativa (PCR) ultrassensível: "Este é um marcador inflamatório sensível. Ele pode indicar um estresse sistêmico e um estado de inflamação de baixo grau nas artérias, funcionando como um sinal de alerta precoce para riscos cardiovasculares, antes mesmo que outros sintomas apareçam."

Para um diagnóstico mais aprofundado, o médico pode contar com exames de imagem e procedimentos avançados, que incluem:

  • Ecocardiograma e Angiotomografia: "Quando os exames de rastreio ou os sintomas sugerem alguma alteração, os exames de imagem podem complementar a análise diagnóstica. O ecocardiograma avalia a estrutura e o funcionamento do coração, como a força de bombeamento, enquanto a Angiotomografia de Coronárias permite uma visualização não invasiva das artérias, identificando placas de gordura ou obstruções de forma precisa e detalhada."
  • Angiografia Coronária (Cateterismo): "Considerado o padrão-ouro para o diagnóstico de doença arterial coronariana, este procedimento invasivo é indicado quando há alta suspeita de obstruções significativas. Ele nos permite visualizar com exatidão o local e a gravidade dos bloqueios nas artérias, sendo crucial para definir a melhor estratégia de tratamento, seja ela medicamentosa, angioplastia com stent ou cirurgia."

"A prevenção, aliada a um acompanhamento médico regular e a exames direcionados, é a estratégia mais inteligente para atravessar o verão com segurança. As informações que os exames fornecem são cruciais para que o médico possa agir preventivamente, ajustando medicações e orientando o paciente de forma personalizada", finaliza Leonardo.


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