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Diante das ondas de calor intenso que marcam o verão, aumentam os riscos que as altas temperaturas representam para a saúde do coração. O alerta se torna ainda mais crítico em um país onde as doenças cardiovasculares são a principal causa de óbitos, sendo responsáveis por cerca de 400 mil mortes anualmente – o que equivale a uma morte a cada 90 segundos, segundo dados do Ministério da Saúde. O calor extremo pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e a atenção deve ser redobrada, principalmente para grupos de risco como idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas com doenças cardíacas preexistentes.
Quando o corpo é exposto ao calor excessivo, ele inicia um processo de vasodilatação para tentar se resfriar. Essa expansão dos vasos sanguíneos pode levar a uma queda na pressão arterial, forçando o coração a bater mais rápido para manter a circulação adequada. Somado a isso, a transpiração intensa provoca a perda de líquidos e eletrólitos importantes (como sódio e potássio), o que pode levar à desidratação.
"Com a desidratação, o sangue se torna mais viscoso, o que exige um esforço ainda maior do coração para bombeá-lo pelo corpo. Essa sobrecarga aumenta o risco de eventos como arritmias, descompensação de insuficiência cardíaca e até mesmo infarto e trombose", alerta Leonardo Severino, cardiologista do Sabin Diagnóstico e Saúde.
Medidas simples como manter-se hidratado, evitar exposição solar nos horários de pico (entre 10h e 16h), usar roupas leves e fazer refeições mais leves são fundamentais.
Contudo, para aqueles que já possuem fatores de risco, o monitoramento da saúde por meio de exames laboratoriais é um passo crucial para avaliar o impacto do calor no organismo e agir preventivamente. "Não é preciso esperar por um sintoma grave. O monitoramento preventivo nos dá um panorama da saúde do paciente. Exames de check-up são ferramentas valiosas e devem ser individualizados conforme risco cardiovascular global, com foco em estratificação e tomada de decisão clínica", complementa o especialista.
Entre os principais exames, estão:
- Perfil
Lipídico (Colesterol e Triglicerídeos): "Este exame é um pilar
da avaliação de risco cardiovascular. Níveis alterados levam à
aterosclerose, que é o acúmulo de placas de gordura nas artérias. Em um
cenário de esforço cardíaco aumentado pelo calor, artérias já
comprometidas elevam drasticamente o risco de infarto e AVC. O check-up é
essencial para monitorar essa condição de base."
- Eletrólitos
(Sódio e Potássio): "Esses minerais, perdidos em grande
quantidade no suor, são vitais para o ritmo cardíaco e a contração
muscular. Um desequilíbrio, causado pela desidratação, pode ser o gatilho
para arritmias cardíacas graves. A dosagem sérica nos permite avaliar e
corrigir esse balanço."
- Função
Renal (Ureia e Creatinina): "Os rins são
essenciais para filtrar o sangue e regular a pressão arterial. A
desidratação impacta diretamente a função renal. Medir a creatinina nos
ajuda a entender se os rins estão sendo sobrecarregados, um fator que está
intimamente ligado à saúde cardiovascular."
- Proteína
C-Reativa (PCR) ultrassensível: "Este é um marcador
inflamatório sensível. Ele pode indicar um estresse sistêmico e um estado
de inflamação de baixo grau nas artérias, funcionando como um sinal de
alerta precoce para riscos cardiovasculares, antes mesmo que outros
sintomas apareçam."
Para um diagnóstico mais aprofundado, o médico pode
contar com exames de imagem e procedimentos avançados, que incluem:
- Ecocardiograma
e Angiotomografia: "Quando os exames de rastreio ou os
sintomas sugerem alguma alteração, os exames de imagem podem complementar
a análise diagnóstica. O ecocardiograma avalia a estrutura e o
funcionamento do coração, como a força de bombeamento, enquanto a
Angiotomografia de Coronárias permite uma visualização não invasiva das
artérias, identificando placas de gordura ou obstruções de forma precisa e
detalhada."
- Angiografia
Coronária (Cateterismo): "Considerado o
padrão-ouro para o diagnóstico de doença arterial coronariana, este
procedimento invasivo é indicado quando há alta suspeita de obstruções
significativas. Ele nos permite visualizar com exatidão o local e a
gravidade dos bloqueios nas artérias, sendo crucial para definir a melhor
estratégia de tratamento, seja ela medicamentosa, angioplastia com stent
ou cirurgia."
"A prevenção, aliada a um acompanhamento
médico regular e a exames direcionados, é a estratégia mais inteligente para
atravessar o verão com segurança. As informações que os exames fornecem são
cruciais para que o médico possa agir preventivamente, ajustando medicações e
orientando o paciente de forma personalizada", finaliza Leonardo.
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