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sexta-feira, 6 de março de 2026

A dor das mulheres ainda não é plenamente ouvida - e os dados mostram porquê

Índice da Dor Haleon 5 aponta que 58% das mulheres sentiram que sua dor não foi reconhecida; no Brasil, 74% relatam discriminação - um dos índices mais altos entre os 18 países pesquisados


A dor afeta 91% das pessoas ao redor do mundo. Mas o que determina se essa dor será levada a sério depende, em grande parte, de quem a sente. O Índice da Dor Haleon 5 (HPI 5), estudo global conduzido pela Haleon com mais de 18 mil pessoas em 18 países, revela que a experiência feminina de dor continua marcada por desigualdades profundas - no consultório, no trabalho e nas relações cotidianas. Em sua quinta edição, o estudo investigou especificamente as barreiras de inclusão em saúde que afetam o acesso a um cuidado eficaz, com recortes por gênero, raça, geração e orientação sexual.  

Os dados são inequívocos: enquanto 49% dos homens relatam ter tido sua dor tratada de forma diferente, descredenciada ou discriminada, esse número sobe para 58% entre as mulheres - uma diferença de 9 pontos percentuais que reflete padrões estruturais, não coincidências.   

91%  

das pessoas sentiram dor no último ano  

58%  

das mulheres relatam dor não reconhecida  

53%  

das mulheres sentem-se estigmatizadas pela dor  

74%  

das brasileiras relatam discriminação pela dor  

 O tabu que silencia: dor menstrual e o peso do julgamento  

O HPI 5 revela que 39% das pessoas consideram a dor um tabu do qual preferem não falar - e essa proporção é ainda maior entre mulheres jovens. A dor menstrual, em especial, é percebida como socialmente reprimida, um assunto evitado mesmo em conversas com profissionais de saúde. 32% das pessoas com dor temem ser julgadas caso falem sobre o que sentem. Entre as mulheres, a solidão associada à dor - mensurada pela escala UCLA, validada academicamente - atinge 34%. Ao todo, 42% dos respondentes globais sentem solidão regularmente quando estão com dor, 53% se isolam de situações sociais e 37% afirmam sentir que ninguém realmente as entende.  

"A dor que não pode ser dita torna-se uma dor que não pode ser tratada."  


Viés e discriminação: o cenário global e o dado brasileiro  

O HPI 5 documenta que mulheres, pessoas negras e a comunidade LGBTQIA+ são os grupos mais afetados pelo endurecimento das atitudes sociais em relação à dor - exatamente os grupos que já enfrentam exclusão em outras esferas da vida. Globalmente, 53% das mulheres relatam ter se sentido estigmatizadas por causa de sua dor (vs. 45% dos homens). No ambiente de trabalho, 47% das mulheres reportaram experiências de discriminação relacionadas à dor. O Brasil ocupa posição de destaque preocupante neste mapeamento: 74% das mulheres brasileiras afirmam ter tido sua dor tratada de forma diferente, descredenciada ou discriminada - um dos índices mais elevados entre os 18 países analisados, ao lado de Índia e Arábia Saudita. Esse dado reforça a urgência de abordagens mais conscientes, empáticas e inclusivas no cuidado à saúde no país.  

69%  

desejam que médicos sejam mais bem treinados sobre diferenças individuais na dor  

62%  

desejam que farmacêuticos sejam melhor treinados sobre a dor individual  

68%  

afirmam que combater viés com maior empatia faria diferença real  


 O que funciona: representatividade, escuta e letramento em saúde  

O HPI 5 não apenas mapeia o problema - ele aponta caminhos. Quando perguntados o que faria uma diferença real em sua experiência de dor, os respondentes indicaram três frentes prioritárias:  

Ampliar o acesso ao cuidado - citado por 72%  

Combater viés e preconceito com maior empatia - citado por 68%  

Fortalecer o letramento em saúde - citado por 57%  

Mais da metade das mulheres relatam se sentir mais bem compreendidas quando atendidas por profissionais do mesmo gênero, e 7 em cada 10 relatam maior segurança ao conversar com quem compartilha aspectos de sua identidade. Não são preferências subjetivas: são estratégias com impacto mensurável em desfechos clínicos, que o programa #ListenToPain da Haleon vem traduzindo em ferramentas práticas para profissionais de saúde em todo o mundo.  

O letramento em saúde completa o quadro: quando a informação é clara e acessível, as mulheres ganham autonomia para nomear seus sintomas, buscar ajuda com mais confiança e tomar decisões mais informadas sobre o próprio corpo.  

“A chegada do Dia Internacional da Mulher se aproxima é uma oportunidade para lembrar que ainda existem dimensões da saúde feminina que seguem pouco reconhecidas. Essa realidade é evidenciada pelos dados do Índice de Dor da Haleon, que mostram como a dor relatada por muitas mulheres ainda é frequentemente subestimada. Reconhecer esse cenário é o primeiro passo para transformál-o. Em seguida, precisamos avançar em três frentes: ampliar a empatia nos atendimentos, garantir informação verdadeiramente acessível e construir ambientes que acolham e validem a experiência feminina. Sendo uma empresa cujo propósito é entregar a melhor saúde diária com humanidade, e isso começa por conversar sobre dor sem tabu, promovendo um cuidado mais humano, eficaz e verdadeiramente inclusivo,” conclui Mariana Lucena, diretora de Assuntos Corporativos da Haleon na América Latina.  

 

Haleon Pain Index



Referências

Edelman Data x Intelligence (DXI). Haleon Pain Index 5: Global Main Study Report. Haleon, 2023. Disponível em: https://www.haleon.com/our-impact/pain-index

Haleon. Global Snapshot - Haleon Pain Index 5. Setembro de 2023.

Haleon. Press Release: New global study discovers people in pain feel more socially excluded than ever. 28 de setembro de 2023. Disponível em: https://www.haleon.com/news/press-releases/esg/2023/new-global-study-discovers-people-in-pain-feel-more-socially-excluded-than-ever


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