A recente passagem do Dia Mundial da Obesidade
(04/03), traz um alerta importante: estamos diante de um problema crescente de
saúde pública. Hoje, cerca de 20% dos adultos brasileiros vivem com obesidade,
e mais de 50% apresentam excesso de peso. Não se trata de uma questão estética,
mas de uma doença crônica, complexa e multifatorial, associada a diabetes,
hipertensão, doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer.
Nesse cenário, as chamadas “canetas emagrecedoras”
ganharam destaque. Medicamentos como os análogos de GLP-1 e a tirzepatida atuam
no controle do apetite, aumentam a saciedade e melhoram a resposta metabólica à
glicose. São ferramentas modernas e eficazes, mas não são mágicas e nem
indicadas para todos.
Essas medicações têm critérios claros de indicação:
geralmente para pessoas com IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² associadas a
comorbidades, sempre com avaliação médica. Usá-las apenas por motivação
estética, sem acompanhamento, é um erro que pode custar caro. Náuseas, vômitos,
desidratação e alterações metabólicas são efeitos possíveis. Mais grave ainda é
o risco de medicamentos falsificados. Produtos sem controle de qualidade podem
conter doses incorretas, contaminantes ou substâncias desconhecidas, levando a reações
alérgicas severas, infecções, hipoglicemia, coma e até risco de morte.
É fundamental reforçar: todo procedimento ou
medicamento para perda de peso aumenta a chance de emagrecimento, mas nenhum
garante a manutenção do peso a longo prazo. Nem mesmo a cirurgia bariátrica
impede o reganho se não houver mudança consistente no estilo de vida. O
tratamento da obesidade se sustenta em um tripé: atividade física regular
(mínimo de 150 minutos por semana), acompanhamento nutricional individualizado
e seguimento médico contínuo, com ou sem medicamentos ou cirurgia.
Há ainda um pilar muitas vezes negligenciado: a
saúde mental. Comer envolve emoções, rotina, estresse e relações. Sem cuidar da
mente, qualquer intervenção tende a ser temporária.
No meu livro Mente e Movimento, abordo justamente
essa conexão entre corpo, exaustão emocional e escolhas diárias. A obesidade
não é falta de força de vontade; é um reflexo de múltiplos fatores biológicos,
sociais e psicológicos. Informação de qualidade, acompanhamento responsável e
mudança de mentalidade são caminhos mais seguros do que soluções rápidas.
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