Especialista explica como pequenos ajustes antes do período festivo fazem diferença na resistência física
Blocos que atravessam o dia inteiro, quilômetros caminhados,
dança intensa, calor e poucas horas de descanso transformam o Carnaval, na
prática, em uma maratona física. Mesmo assim, muita gente encara a festa sem
preparo, apesar do aumento da visibilidade do fitness no dia a dia, a prática
regular de atividade física ainda não é um hábito consolidado no país, segundo
o Panorama Setorial Fitness Brasil 4ª edição (2025), apenas cerca de 5% da
população brasileira frequenta academias ou centros de atividades físicas. Esse
contraste ajuda a explicar por que, ao fim da folia, são comuns relatos de
dores musculares, fadiga intensa e até lesões que poderiam ser evitadas com
preparo prévio.
Segundo Anderson Téu, educador físico e personal
trainer da Academia Gaviões, o principal erro é acreditar que o corpo “aguenta
tudo” sem preparo. “Exige resistência cardiovascular, força muscular e
capacidade de recuperação. Mesmo uma preparação simples já reduz o desgaste e o
risco de lesões, além de permitir aproveitar mais dias de festa”, explica. A
seguir, o profissional listou algumas orientações práticas que ajudam a curtir
a folia com mais segurança.
- Invista
em um condicionamento prévio (mesmo que leve)
“Não é preciso virar atleta para aguentar a folia,
mas preparar o corpo com antecedência faz muita diferença. O ideal é começar
duas a três semanas antes, com estímulos leves de força e mobilidade, duas ou
três vezes por semana”, orienta o personal.
De acordo com o educador físico, exercícios simples
já cumprem bem esse papel. “Agachamentos, elevação de panturrilhas, exercícios
para glúteos e fortalecimento do core ajudam a dar mais estabilidade ao corpo.
Esse fortalecimento protege estruturas articulares como joelhos e tornozelos,
que são muito exigidas quando ficamos horas em pé, caminhando ou dançando”.
- Cardio
é seu maior aliado
“Blocos e festas exigem resistência contínua, não
picos rápidos de energia. Por isso, o preparo cardiorrespiratório é fundamental”,
explica o profissional. Ele recomenda atividades acessíveis e feitas com
regularidade. “Caminhada acelerada, bicicleta, escada ou elíptico, praticados
por cerca de 30 a 40 minutos, três ou quatro vezes por semana, já ajudam o
organismo a se adaptar ao esforço prolongado. Quem desenvolve esse preparo
sente menos fadiga, se recupera mais rápido entre um dia e outro e reduz
episódios de tontura e mal-estar”, relata.
- Mobilidade
antes e depois da programação
“A ativação muscular não é detalhe, é prevenção”,
reforça Téu. “Antes de sair, a mobilidade prepara músculos e articulações para
o esforço repetitivo. Depois, ajuda na recuperação e reduz a rigidez e as dores
no dia seguinte”. De acordo com ele, algumas regiões merecem atenção especial.
“Panturrilhas, posterior de coxa, quadril e lombar devem ser prioridade.
Ignorar essa etapa aumenta o risco de inflamações e desconfortos persistentes”,
orienta.
- Pense
no calçado como item de resistência, não só de conforto
“O calçado não deve ser escolhido apenas pela estética
ou pelo conforto imediato”, alerta o educador físico. Ele precisa oferecer
estabilidade, leve amortecimento e segurança para longos períodos de uso”,
afirma. Segundo Téu, o impacto acumulado no decorrer do dia sobrecarrega
joelhos, tornozelos e coluna, especialmente em pisos rígidos como o asfalto.
“Um calçado inadequado pode transformar diversão em desgaste físico”, alerta.
Por fim, o profissional recomenda o uso de tênis
fechado em blocos e festas de rua, por oferecer mais proteção contra pisões, impactos
e torções, enquanto calçados abertos, como chinelos, aumentam o risco de
machucados em ambientes lotados.

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