Dr. Flavio Ramos, endoscopista formado pela
UFRJ e membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED),
fala sobre “ansiedade de fim de ano”
Com
o ano chegando ao fim, cresce o número de relatos de ansiedade, cansaço extremo
e sentimento de culpa. Embora o período seja culturalmente associado a
celebrações e descanso, especialistas alertam para uma sobrecarga emocional
significativa nessa fase do ano, resultado da combinação entre prazos mais
curtos, aumento das demandas sociais e quebra da rotina.
Para
o Dr. Flavio Ramos, endoscopista formado pela UFRJ e membro titular da
Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), trata-se de um período
atípico, que concentra, além do lazer, maior pressão para cumprir metas
profissionais e familiares em menos tempo.
“Existem
vários fatores que explicam essa ansiedade. Dezembro é um mês mais curto, com
feriados, férias e muitas confraternizações. As pessoas precisam bater metas e
cumprir obrigações em menos tempo — não apenas profissionais, mas também
familiares. Há encontros de família, preparativos de festas, compra de
presentes e, muitas vezes, demandas finais da escola das crianças. Tudo isso
acaba gerando uma ansiedade extra típica do Natal”, explica.
Outro
ponto destacado é o impacto emocional dos encontros familiares, que nem sempre
são leves ou acolhedores. Reencontrar com quem não se tem convivência frequente
pode despertar sentimentos ambíguos e contribuir para o desgaste mental.
“Rever
familiares que não se encontram há muito tempo — sejam pessoas queridas ou até
indesejadas — desperta emoções diversas, o que contribui para a exaustão
emocional”, afirma.
Além
da carga emocional, as mudanças bruscas na rotina também afetam o organismo.
Entradas e saídas no trabalho, excesso de compromissos sociais e estímulos
constantes dificultam o descanso e aumentam o nível de estresse.
“Com
o organismo sobrecarregado e estressado, surge a busca por compensações. Para
muitas pessoas, essa compensação vem pela alimentação: a chamada fome hedônica,
episódios de compulsão, especialmente por carboidratos e açúcar, além do
aumento do consumo de bebidas alcoólicas”, explica o médico.
Durante
as festas de fim de ano, esse comportamento tende a se intensificar.
“Nesse
período, esses excessos se tornam mais frequentes, já que há maior oferta de
comida e bebida e um ambiente mais propício aos abusos”, completa.
O
problema, segundo o especialista, “é que esses episódios costumam ser seguidos
por um sentimento de culpa, principalmente entre pessoas que estão em processo
de mudança de hábitos, em busca de uma vida mais saudável ou melhora do
condicionamento físico, o que acaba intensificando ainda mais esse sentimento”,
conclui.
Para
o especialista, compreender os fatores emocionais envolvidos no período é
fundamental para atravessar o fim do ano com mais equilíbrio, reduzindo a
autocrítica excessiva e reconhecendo que o cansaço emocional de dezembro é,
muitas vezes, resultado de um contexto coletivo — e não de falhas individuais.
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