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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Janeiro Branco: saúde mental como ponto de partida para prevenir doenças da pele e do corpo

Campanha convida à reflexão e ao planejamento emocional no início do ano; dermatologista relata como o Burnout pode se manifestar primeiro na pele e defende um olhar integrativo para a prevenção

 

Janeiro Branco é um convite simbólico para começar o ano como uma “tela em branco”, refletindo sobre escolhas, hábitos e saúde emocional ao longo dos próximos meses. Diferente do Setembro Amarelo, voltado à prevenção do suicídio e aos sinais precoces de depressão, janeiro amplia o debate sobre autoconsciência, ambiente de trabalho, relacionamentos e desenvolvimento pessoal, especialmente em um período pós-festas marcado por excesso de estímulos, cobranças e retorno automático à rotina.

Para a médica dermatologista Paula Sian, a proposta do mês dialoga diretamente com a saúde do corpo, em especial, da pele. “A pele é o maior órgão do corpo humano e, muitas vezes, o primeiro reflexo de como estamos por dentro. Emoções reprimidas, estresse constante e a vida no automático impactam diretamente a saúde dermatológica”, explica.

Segundo a especialista, pele e sistema nervoso têm a mesma origem embrionária, o que ajuda a compreender por que ansiedade, estresse crônico e má qualidade do sono podem desencadear ou agravar quadros como dermatite, rosácea, acne e psoríase. “Tratar apenas a pele, sem olhar para o todo, é como enxugar gelo. A prevenção precisa ser pensada de forma integrativa”, afirma.


Burnout e sinais que o corpo emite

A médica viveu pessoalmente um processo de Burnout e relata que, mesmo atuando na dermatologia, não conseguiu reconhecer a tempo os sinais que o próprio corpo dava. Meses antes da crise que a afastou do trabalho, Paula começou a apresentar dermatite intensa no couro cabeludo, espinhas, suor excessivo durante o expediente, insônia, falhas de memória, dificuldades de raciocínio e palpitações esporádicas.

“O corpo é sábio, mas estamos acostumados a ignorá-lo. O estresse libera hormônios como o cortisol, associado à inflamações, acne e dermatite, e a noradrenalina, ligada à insônia, palpitações e perda de memória. Eu sabia que estava relacionado ao estresse, só não queria enxergar o quão grave a situação já estava”, relata.

Ela reforça que o Burnout não surge de forma abrupta. Em muitos casos, é construído ao longo dos anos, a partir de padrões de comportamento, sobrecarga emocional, busca constante por aprovação e anulação das próprias necessidades. “Quando a pessoa vive apenas para atender expectativas externas, deixa de existir para si. Esse acúmulo gera emoções reprimidas, passividade agressiva, sarcasmo, desânimo e adoecimento emocional”, explica.


Hábitos que fortalecem a saúde da pele e da mente

Segundo a dermatologista, a prevenção passa por escolhas cotidianas que vão além do cuidado estético e impactam diretamente o equilíbrio emocional e o funcionamento do organismo. Pequenas mudanças na rotina podem atuar de forma preventiva, tanto para a saúde mental quanto para a pele:

  • Cuidar das emoções, por meio de terapia, meditação e pausas conscientes, ajuda a reduzir inflamações e crises recorrentes;
  • Alimentação consciente, rica em alimentos anti-inflamatórios e com menos ultraprocessados, contribui para o equilíbrio do organismo;
  • Sono de qualidade, essencial para a regeneração da pele e o controle hormonal;
  • Atividade física regular, que melhora a circulação, a oxigenação da pele e reduz a ansiedade;
  • Rotina de cuidados personalizada, sempre com orientação médica, respeitando as necessidades individuais de cada pele.

O Janeiro Branco reforça a importância de sair do modo automático e olhar para a própria saúde de forma integral. Planejar quem se quer ser, como viver e quais limites estabelecer ao longo do ano é também uma forma de prevenção. “Cuidar da saúde emocional é cuidar do corpo como um todo. A pele fala e aprender a escutá-la pode evitar adoecimentos mais graves”, conclui Paula.

 

Paula Sian - dermatologista desde 2007, formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), especializada em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA). Lançou recentemente “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.



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