Campanha convida à reflexão e ao planejamento emocional no início do ano; dermatologista relata como o Burnout pode se manifestar primeiro na pele e defende um olhar integrativo para a prevenção
Janeiro Branco é um convite simbólico para começar o ano como uma
“tela em branco”, refletindo sobre escolhas, hábitos e saúde emocional ao longo
dos próximos meses. Diferente do Setembro Amarelo, voltado à prevenção do
suicídio e aos sinais precoces de depressão, janeiro amplia o debate sobre
autoconsciência, ambiente de trabalho, relacionamentos e desenvolvimento
pessoal, especialmente em um período pós-festas marcado por excesso de
estímulos, cobranças e retorno automático à rotina.
Para a médica dermatologista Paula Sian, a proposta do mês dialoga
diretamente com a saúde do corpo, em especial, da pele. “A pele é o maior órgão
do corpo humano e, muitas vezes, o primeiro reflexo de como estamos por dentro.
Emoções reprimidas, estresse constante e a vida no automático impactam
diretamente a saúde dermatológica”, explica.
Segundo a especialista, pele e sistema nervoso têm a mesma origem
embrionária, o que ajuda a compreender por que ansiedade, estresse crônico e má
qualidade do sono podem desencadear ou agravar quadros como dermatite, rosácea,
acne e psoríase. “Tratar apenas a pele, sem olhar para o todo, é como enxugar
gelo. A prevenção precisa ser pensada de forma integrativa”, afirma.
Burnout e sinais que o corpo emite
A médica viveu pessoalmente um processo de Burnout e relata que,
mesmo atuando na dermatologia, não conseguiu reconhecer a tempo os sinais que o
próprio corpo dava. Meses antes da crise que a afastou do trabalho, Paula
começou a apresentar dermatite intensa no couro cabeludo, espinhas, suor
excessivo durante o expediente, insônia, falhas de memória, dificuldades de
raciocínio e palpitações esporádicas.
“O corpo é sábio, mas estamos acostumados a ignorá-lo. O estresse
libera hormônios como o cortisol, associado à inflamações, acne e dermatite, e
a noradrenalina, ligada à insônia, palpitações e perda de memória. Eu sabia que
estava relacionado ao estresse, só não queria enxergar o quão grave a situação
já estava”, relata.
Ela reforça que o Burnout não surge de forma abrupta. Em muitos
casos, é construído ao longo dos anos, a partir de padrões de comportamento,
sobrecarga emocional, busca constante por aprovação e anulação das próprias
necessidades. “Quando a pessoa vive apenas para atender expectativas externas,
deixa de existir para si. Esse acúmulo gera emoções reprimidas, passividade
agressiva, sarcasmo, desânimo e adoecimento emocional”, explica.
Hábitos que fortalecem a saúde da pele e da mente
Segundo a dermatologista, a prevenção passa por escolhas
cotidianas que vão além do cuidado estético e impactam diretamente o equilíbrio
emocional e o funcionamento do organismo. Pequenas mudanças na rotina podem
atuar de forma preventiva, tanto para a saúde mental quanto para a pele:
- Cuidar das emoções,
por meio de terapia, meditação e pausas conscientes, ajuda a reduzir
inflamações e crises recorrentes;
- Alimentação
consciente, rica em alimentos
anti-inflamatórios e com menos ultraprocessados, contribui para o
equilíbrio do organismo;
- Sono
de qualidade, essencial para a regeneração da
pele e o controle hormonal;
- Atividade
física regular, que melhora a circulação, a
oxigenação da pele e reduz a ansiedade;
- Rotina de cuidados personalizada, sempre com orientação médica, respeitando as necessidades individuais de cada pele.
O Janeiro Branco reforça a importância de sair do modo automático
e olhar para a própria saúde de forma integral. Planejar quem se quer ser, como
viver e quais limites estabelecer ao longo do ano é também uma forma de
prevenção. “Cuidar da saúde emocional é cuidar do corpo como um todo. A pele
fala e aprender a escutá-la pode evitar adoecimentos mais graves”, conclui Paula.
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