Sobre o maior grupo minoritário global, ao qual qualquer pessoa pode se tornar membro a qualquer momento
O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência,
celebrado em 3 de dezembro, foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações
Unidas, em 1992, com o objetivo de promover a compreensão a respeito das
questões da deficiência e mobilizar apoio aos direitos, à dignidade e ao
bem-estar dessas pessoas. A data serve tanto para lembrar conquistas, quanto
para apontar as enormes barreiras físicas, atitudinais e institucionais que
persistem em todo o mundo.
Entre seus objetivos centrais estão a
sensibilização sobre a diversidade funcional, a promoção de políticas públicas
que assegurem acessibilidade e igualdade de oportunidades, e o fortalecimento
da participação plena das pessoas com deficiência em todos os espaços sociais,
da educação ao trabalho, da cultura ao lazer. Mais recentemente, as Nações
Unidas também têm enfatizado a liderança das próprias pessoas com deficiência
na definição das políticas que lhes dizem respeito.
De acordo com a definição do Ministério da Saúde e
da Organização Mundial de Saúde, pessoas com deficiência são aquelas com
impedimento de médio ou longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou
sensorial, o que, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as
demais pessoas. Nesse sentido, as deficiências se enquadram nas seguintes
categorias: física, visual, auditiva, mental e múltipla.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
estima-se que 1,3 bilhão de pessoas, ou cerca de 16% da população mundial,
vivam com alguma forma de deficiência significativa. Isso significa dizer que
essa população faz parte do maior grupo minoritário do planeta. Já no Brasil,
dados do Censo Demográfico de 2022 apontam que havia 14,4 milhões de pessoas
com deficiência, o que equivale a 7,3% da população.
Quando olhamos para o mercado de trabalho, a
desigualdade é evidente. Estudos e levantamentos do IBGE indicam que, em 2022,
a taxa de participação na força de trabalho das pessoas com deficiência estava
em torno de 29,2%, muito abaixo da observada entre pessoas sem deficiência; e
apenas em torno de 27% encontram espaço estável no mercado formal, com grande
parcela trabalhadora em condições de informalidade. Esses dados expõem a
urgência de políticas de inclusão produtiva, formação qualificada e incentivo à
contratação com garantia de acessibilidade e adaptações razoáveis.
O Instituto Olga Kos, há 18 anos, atua em prol da inclusão e diversidade promovendo atividades nas áreas esportivas, culturais e de pesquisa, contribuindo na construção de uma sociedade plural e inclusiva. São necessários investimentos concretos em acessibilidade física e comunicacional, educação inclusiva desde a primeira infância, políticas ativas de inserção no mercado de trabalho e, sobretudo, a escuta e o protagonismo das pessoas com deficiência em todos os níveis de decisão. Empresas, governos e cidadãos têm papéis complementares: adotar práticas inclusivas, derrubar preconceitos e reconhecer que a inclusão beneficia a todos, gerando mais diversidade, criatividade e justiça social.
Wolf Kos - fundador e presidente do Instituto Olga Kos; membro do Instituto Brasileiro de ESG; membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável e membro da Comissão Permanente de Acessibilidade - CPA
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