Profissionais
do setor unem ferramentas digitais, análise de dados e sustentabilidade para
transformar viagens em investimentos estratégicos, impulsionando produtividade
e retenção de talentos
Em um cenário pós-pandemia acelerado pela
tecnologia e pelas demandas ESG, o gestor de viagens corporativas no Brasil
está evoluindo de mero operador logístico para um estrategista essencial nas
organizações. Não se trata mais apenas de reservar voos e hotéis: cada vez
mais, profissionais do setor buscam integrar ferramentas digitais, dados
preditivos e foco no bem-estar para otimizar custos, medir resultados e alinhar
deslocamentos aos objetivos corporativos.
Cristiano Moraes, especialista em turismo
corporativo e executivo do Grupo Unika, que recentemente participou da IBTM
World 2025 em Barcelona, destaca que essa transformação reflete tendências
globais e locais identificadas no evento e em relatórios da Alagev. “Na IBTM
2025, pude ver de perto como as viagens corporativas não são mais vistas como
despesa operacional, mas como investimento em relacionamento, cultura
organizacional e sustentabilidade. Com o aumento de custos aéreos, por exemplo,
observamos um boom em viagens rodoviárias e opções bleisure (business +
leisure), que misturam trabalho e lazer para melhorar o equilíbrio emocional
dos colaboradores”, explica, citando insights sobre a resiliência do setor de
eventos e a influência de mudanças demográficas na indústria.
A digitalização impulsiona essa mudança no setor.
Plataformas modernas permitem monitoramento em tempo real de indicadores como
gastos por departamento, satisfação do viajante e impacto ambiental (como
emissões de CO2). Assim, gestores podem identificar padrões, prever demandas
sazonais – como picos em eventos corporativos – e personalizar políticas,
priorizando fornecedores sustentáveis e opções de mobilidade verde, alinhadas
às metas ESG das empresas.
No entanto, o verdadeiro diferencial está na
abordagem humana e estratégica. Com o bem-estar no centro das discussões,
personalizar a experiência é crucial: de assentos ergonômicos e hotéis com foco
em saúde mental a suporte 24/7 e integração com apps de wellness. “Uma viagem
positiva não só eleva a motivação, mas também fortalece a percepção da empresa
como empregadora atraente, ajudando na guerra por talentos”, reforça Moraes,
alinhando-se a tendências destacadas na IBTM 2025 sobre a “corrida por
talentos” no setor de eventos e viagens corporativas.
Para o futuro, Moraes prevê um papel ainda mais
integrado: “O gestor de viagens de amanhã será um hub de inovação, unindo
análise de dados, empatia e visão de negócios para conectar pessoas, lugares e
propósitos sustentáveis. Empresas que ignorarem isso perderão competitividade
em um mercado onde a tecnologia otimiza roteiros e o ESG dita parcerias”.
Essa evolução posiciona o Brasil como líder
regional em gestão inteligente de viagens, com oportunidades para players do
setor oferecerem soluções personalizadas.
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