Especialistas explicam a menopausa de várias perspectivas e fornecem dicas para mulheres neste período de transformações físicas e emocionais.
Ondas de calor, alterações no sono, irritabilidade e
ganho de peso estão entre os sintomas mais comuns da menopausa, uma fase
natural da vida da mulher marcada pela interrupção definitiva da menstruação e
pela redução da produção hormonal. Embora ainda cercada por tabus, a menopausa
não deve ser vista como o fim da vitalidade, mas como o início de uma nova
etapa que pode ser vivida com saúde e bem-estar. No Brasil, a dimensão desse
ciclo é significativa: segundo a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia
(FEBRASGO), cerca de 30 milhões de mulheres estão em climatério e menopausa,
sendo aproximadamente 9,2 milhões na menopausa propriamente dita, faixa que
abrange mulheres entre 50 e 65 anos.
Segundo Karoline Fiorotti, professora de geriatria da
Afya Educação Médica Vitória, “ela não é uma doença, mas uma transição
fisiológica que marca o fim do período reprodutivo e o começo de uma fase que
pode ser muito produtiva e prazerosa, desde que a mulher conte com
acompanhamento adequado e mantenha hábitos saudáveis”.
A especialista reforça que esse momento deve ser encarado
como um ponto de virada na saúde feminina e uma oportunidade para revisar
hábitos, prevenir doenças crônicas e cuidar da saúde óssea, cardiovascular e
mental. “Antes, a proteção hormonal natural oferecia uma certa ‘vantagem’
cardiovascular e óssea, e agora é o momento de agir de forma consciente para
manter essa proteção. O próprio processo de envelhecimento aumenta o risco de
doenças crônicas, como diabetes, dislipidemia e síndrome metabólica. Investir
ativamente no cuidado da saúde física, mental e emocional é a melhor estratégia
para viver a menopausa com bem-estar e qualidade de vida”, explica Karoline,
ressaltando a importância de envelhecer com autonomia, equilíbrio físico e emocional.
Como saber se estou na menopausa?
De acordo com a professora de ginecologia da Afya
Educação Médica Goiânia, Tatiana Chaves, o acompanhamento ginecológico é
essencial durante toda a vida da mulher, especialmente no climatério, fase de
transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo. “É nesse momento que
ocorre a queda dos níveis hormonais, o que justifica o surgimento dos sintomas
climatéricos”, explica. Esses sintomas costumam aparecer antes mesmo de
alterações no ciclo menstrual. “O ressecamento vaginal leva à falta de
lubrificação no ato sexual, o que causa desconforto e diminuição da libido”,
exemplifica. Outro sintoma comum é o fogacho, caracterizado por ondas de calor
seguidas de frio, que podem causar insônia, irritabilidade e indisposição.
Tatiana reforça que, quando não há contraindicações, a
terapia de reposição hormonal (TRH) pode ser indicada, pois alivia os sintomas
e ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e osteoporose. A via de administração
oral, adesiva ou local, deve ser escolhida junto à paciente, garantindo
conforto e adesão ao tratamento.
A coordenadora de endocrinologia da Afya Ribeirão Preto,
Dra. Renata Maksoud, lembra que as mudanças hormonais da menopausa vão muito
além do sistema reprodutor. “A queda de estrogênio, progesterona e até de
testosterona afeta todo o organismo. É comum notar ondas de calor, suores
noturnos, distúrbios do sono, ganho de peso e alterações de humor”, afirma.
Segundo ela, essa transição sistêmica impacta o cérebro, o metabolismo, os ossos
e o sistema cardiovascular, além de aumentar o risco de osteoporose, doenças
cardíacas e resistência à insulina.
Para amenizar esses efeitos, Dra. Renata destaca que o
tratamento deve ser individualizado, levando em conta idade, sintomas e
preferências da paciente. “Além da reposição hormonal, quando indicada, é
fundamental adotar hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada,
atividade física regular e controle do estresse. O estilo de vida é uma
ferramenta poderosa na saúde hormonal feminina”, ressalta.
A especialista complementa que o estilo de vida é um
pilar terapêutico, pois exercícios de força, dieta mediterrânea, sono de
qualidade e manejo do estresse ajudam a melhorar sintomas e proteger ossos,
metabolismo e coração.
A nutrição como aliada
Para a professora de nutrologia da Afya Goiânia, Dra
Marcela Reges, a alimentação tem papel direto no controle dos sintomas.
“Alimentos ricos em cálcio, magnésio e vitamina D ajudam na saúde óssea,
enquanto o consumo de soja, linhaça e outras fontes de fitoestrógenos naturais
pode amenizar as ondas de calor e melhorar o equilíbrio hormonal”, orienta. Ela
ressalta, no entanto, que esses alimentos não fazem milagres, mas ajudam muito
quando associados a bons hábitos e ao acompanhamento médico adequado.
Dra Marcela também comenta a importância de evitar
álcool, cafeína e cigarro, que agravam os fogachos e interferem no sono. “O
álcool e o café aumentam a temperatura corporal e podem intensificar as ondas
de calor, além de prejudicarem o descanso noturno. Já o cigarro afeta
diretamente a produção hormonal e acelera o envelhecimento celular, o seja,
quanto menos desses três, melhor para o seu corpo, para o sono e para o
equilíbrio hormonal”, completa a médica.
Cuidar da mente é cuidar do corpo
Os impactos emocionais da menopausa merecem atenção, pois
as alterações hormonais afetam diretamente o humor, o sono e a autoestima.
Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna,
destaca que a queda nos níveis de estrogênio e progesterona influencia
neurotransmissores essenciais para a regulação emocional e do sono, tornando
comuns irritabilidade, ansiedade, melancolia e flutuações de humor.
Para Mariana, esse período é também um momento de
ressignificação. “Mais do que o fim da fertilidade, é uma fase de maturidade
emocional, sabedoria e reconexão com a própria história e valores, um convite
para novas formas de expressão da feminilidade e da potência.”
A psicóloga enfatiza o papel da psicoterapia,
especialmente abordagens como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), que
estimulam a aceitação das emoções e o foco em ações guiadas por valores
pessoais, como autocuidado, espiritualidade e propósito.
De acordo com a especialista, com informação, acompanhamento médico, suporte psicoterapêutico e práticas de autocuidado, como atividade física, meditação, socialização e alimentação equilibrada, a menopausa pode ser vivida com energia, equilíbrio e plenitude. “Quando a mulher compreende os processos neurobiológicos e psicológicos envolvidos, fortalece sua autonomia emocional e transforma o envelhecimento em um novo começo, repleto de significado e poder pessoal”, conclui.
Afya
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