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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Estudo brasileiro pioneiro revela efeitos do vinho tinto no cérebro com uso de ressonância magnética funcional

Pesquisadores do InCor analisam a atividade cerebral de consumidores moderados de vinho tinto e abstêmios, apontando possíveis impactos cognitivos positivos do consumo regular

 

Embora o vinho tinto seja frequentemente associado a possíveis benefícios para o coração, seus efeitos sobre o cérebro ainda não são totalmente compreendidos. Para investigar isso, pesquisadores do InCor - Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP, do Hospital das Clínicas e do Laboratório de Cardiologia Experimental, sob a liderança do Prof. Protásio Lemos da Luz, estudaram 30 pessoas que bebem vinho tinto com frequência e 27 que não consomem bebidas alcoólicas, todas sem sinais de perda de memória ou de raciocínio. 

Os cientistas usaram exames de ressonância magnética funcional — que mostram o funcionamento do cérebro durante tarefas de atenção e memória — e também aplicaram testes psicológicos detalhados. Os resultados mostraram que, apesar de não haver grandes diferenças na estrutura do cérebro entre quem bebe vinho e quem não bebe, os dois grupos usaram áreas diferentes do cérebro quando precisaram se concentrar em tarefas de atenção. 

Entre os abstêmios (quem não bebe), houve maior ativação de áreas do lado esquerdo do cérebro (no lobo parietal, que fica na parte de trás da cabeça). A idade e o nível de inteligência (QI) também influenciaram esses padrões cerebrais. Nos testes de atenção e velocidade de pensamento feitos fora do aparelho de ressonância, quem bebia vinho tinto teve um desempenho um pouco melhor. 

Os pesquisadores destacam que o estudo não prova nada de forma definitiva — ele apenas levanta hipóteses e ajuda a orientar novas pesquisas. Também observaram que não houve redução no volume do cérebro entre quem bebia vinho moderadamente, e que o consumo esteve ligado a uma leve melhora em algumas funções cognitivas. Segundo os cientistas, o consumo moderado de vinho e a abstinência não causaram diferenças significativas na estrutura cerebral, mas mostraram pequenas variações no modo como o cérebro trabalha, o que pode estar relacionado a mecanismos de compensação do envelhecimento. 

Apesar dos resultados promissores, os autores reforçam que esse é apenas um estudo inicial e que são necessários pesquisas maiores e de longo prazo para confirmar qualquer relação entre o vinho e o desempenho mental. O professor Protásio Lemos da Luz explica que o vinho tinto contém antioxidantes como o resveratrol, que podem trazer benefícios para o coração e o cérebro, mas ressalta que isso ainda precisa ser estudado com mais profundidade. 

O cardiologista Prof Dr. Roberto Kalil Filho reforça que o consumo de vinho ou qualquer bebida alcoólica deve ser sempre feito com moderação e responsabilidade. “Mesmo estudos que indicam possíveis benefícios nunca devem servir como incentivo ao consumo indiscriminado, principalmente em pessoas com histórico de problemas cardiovasculares, hepáticos ou dependência.”

 

InCor


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