A queda de cabelo,
embora seja uma queixa tradicionalmente associada ao envelhecimento masculino,
é hoje uma realidade para uma parcela significativa das mulheres, com profundo
impacto na autoestima e na qualidade de vida. No Brasil, o número de mulheres
que buscam tratamentos, inclusive o transplante capilar, registrou um aumento
de 16,5% em um ano, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia de
Restauração Capilar (ISHRS), indicando uma demanda crescente por
soluções.
Para Leonardo
Amarante, médico e especialista em restauração e transplante capilar, é
fundamental desmistificar a queda de cabelo e entender que ela é, quase sempre,
um sintoma de desequilíbrio interno. Além disso, o especialista lista as cinco
causas mais comuns da perda capilar no público feminino, alertando que a
solução começa pelo diagnóstico correto.
Alterações hormonais
A principal causa
da queda, segundo Amarante, são as alterações hormonais. "Isso pode
acontecer no pós-parto, na menopausa ou até mesmo na suspensão de um
anticoncepcional. Essa variação bagunça o ciclo do cabelo, fazendo com que os
fios entrem numa fase de queda intensa", explica o médico.
Estresse
Em seguida, o
estresse físico ou emocional aparece como um grande gatilho para o chamado
eflúvio telógeno. "O estresse é o segundo fator. O problema, seja físico
ou emocional, pode ocasionar o que chamamos de eflúvio telógeno. É como se o
corpo dissesse: 'Agora não é hora de produzir cabelo, é hora de
sobreviver'", alerta.
Déficit
nutricional
Ainda de acordo com o médico, outro fator determinante é o déficit nutricional. O cabelo, sendo o segundo tecido que mais cresce no corpo, exige matéria-prima rica em nutrientes. "Uma baixa de ferro, de zinco, de vitamina D, de biotina, tudo isso interfere no crescimento do fio. Por isso, uma dieta equilibrada e, se necessário, suplementação correta, é fundamental", pontua Leonardo Amarante.
A deficiência de
ferro (anemia ferropriva), por exemplo, atinge cerca de 30% das mulheres em
idade reprodutiva na América Latina, sendo uma causa clássica de queda.
Doenças
no couro cabeludo
As doenças do couro cabeludo formam a quarta categoria de causas, englobando condições inflamatórias ou autoimunes que podem afetar diretamente o folículo piloso. "Existem várias doenças que podem levar a um aumento da queda dos fios, sendo necessário o diagnóstico de um especialista", diz o médico.
Fatores
genéticos
Por fim, os fatores genéticos configuram a quinta causa mais comum, a famosa alopecia androgenética feminina. Para Leonardo Amarante, isso ocorre quando " a unidade folicular sofre uma miniaturização por um fator hormonal, que é o afinamento dos fios”.
Diante de um quadro tão complexo e multifatorial, Amarante reforça que a evolução da medicina capilar oferece hoje um leque vasto de soluções. Desde tratamentos clínicos de última geração, como o uso de medicamentos para interromper a queda, até terapias mais avançadas como o próprio transplante capilar.
O especialista
finaliza alertando também para os riscos da automedicação. "É importante
entender que cada causa tem um tratamento diferente. Então, nada de usar
'shampoo da amiga' ou 'vitaminas da internet'. A queda de cabelo pode até
parecer igual, mas o motivo é outro. Buscar um especialista é o primeiro passo
para o sucesso do tratamento”, conclui Leonardo Amarante.
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