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quinta-feira, 2 de julho de 2026

A segurança operacional e a responsabilidade social no manuseio do gás cloro


Os sistemas de cloração são indispensáveis na área industrial, por garantirem a segurança operacional, desinfecção mais profunda, e a conformidade com normas sanitárias e ambientais. No entanto, as indústrias antes de tudo precisam se concentrar no aspecto preventivo e humano do seu emprego. É indispensável, deste modo, examinar a relevância dos sistemas de segurança como os chamados eliminadores do gás cloro (scrubbers), Lavadores de gases, que estão também entre os alicerces do universo ESG (Ambiental, Social e Governança). 

Hoje, a segurança no tratamento de água não pode ser entendida apenas como uma obrigação técnica, mas sim como um dever para funcionários e à comunidade vizinha da própria indústria. Só se fortalece a reputação de uma indústria com investimentos em contenção, ou seja, sistemas, estruturas ou procedimentos criados para conter produtos químicos perigosos, evitando desta forma que se tornem um caso de vazamento, falha de armazenagem ou derramamento sério. 

Os equipamentos eliminadores de gás cloro devem ultrapassar a estrita conformidade técnica, como o cumprimento da NR-13 e outras análogas, e que não podem nem ser cogitadas em seu não emprego cotidiano. Sob ótica das disposições do conceito ESG (Environmental, Social and Governance), a segurança no tratamento de água já se transformou num indicador de alta responsabilidade corporativa e grande comprometimento com princípios morais. 

Quando se estabelece a questão dos eliminadores de gás cloro como seu instrumento de compromisso ético, a indústria ultrapassa o posicionamento de processador de recursos e passa ser uma protetora do bem-estar da coletividade. Consequentemente, o nível de governança e impacto social se elevam no País a outro patamar considerável. A operação desses equipamentos passa a confirmar que a empresa preza pela vida, saúde e meio ambiente, tornando o tratamento de água um compromisso integral sob a regência do conceito ESG. 

Pensando por partes, na vertente Ambiental (E - Environmental), como o tratamento de água e efluentes utiliza agentes químicos, um vazamento de gás cloro sem controle pode causar sérios danos à qualidade do ar e a biodiversidade da região. Com sistemas de eliminação adequados tecnologicamente eles impedem vazamentos antes que o gás alcance a atmosfera, além disso protege o ecossistema ao seu redor. Se tornam ainda agentes contínuos da prevenção de desastres. 

A utilização de scrubbers, na gestão de resíduos, transforma o gás cloro em um subproduto líquido estável (como o hipoclorito de sódio). Desta maneira, pode ser tratado de forma segura, prevenindo, por exemplo, a contaminação do solo e dos lençóis freáticos. 

Pela dimensão social (S - Social), a segurança contra acidentes ultrapassa o conceito do custo e se solidifica sobretudo como compromisso comportamental. O dimensionamento trabalha com a segurança do funcionário, garantindo ao operador o retorno para sua casa com segurança, que é uma das atribuições fundamentais da responsabilidade social. Os sistemas de segurança eficientes diminuem o risco de acidentes. Passa a haver no investimento de tecnologia a cultura do cuidado, valorizando a vida mais do que métricas de produção. Para a vizinhança, as plantas industriais ao seu redor trazem consigo uma grande responsabilidade. 

Em relação ao último item, o de Governança (G - Governance), a gestão de riscos, transparência e conformidade é o foco. Ela obriga que a indústria preveja ou prognostica cenários desastrosos. Por isso, contar com um eficiente eliminador de gás cloro atesta que o gerenciamento do negócio tem como prioridade a operação para redução dos riscos.   

O Brasil já presenciou casos de vazamento de gás cloro, especialmente em estações de tratamento de água, indústrias químicas e centros petroquímicos. Apesar dos casos terem sido prontamente controlados, alguns tiveram um impacto significativo em trabalhadores, comunidades vizinhas e operações das indústrias. 

Um caso mais recente, numa Estação de Tratamento de Água, segundo as notícias da época, um vazamento de gás cloro ocorreu, mas foi rapidamente contido por sistemas automáticos de neutralização. Os sistemas de segurança agiram de forma rápida, evitando tanto a interrupção do abastecimento quanto o apontamento significativo de contaminação externa. O evento exemplifica como ter equipamentos de qualidade pode reduzir problemas mais críticos. 

Uma segurança robusta tende a proteger o patrimônio dos investidores da empresa, uma vez que preserva o valor da marca, o brand equity, que é um ativo intangível cada vez mais valorizado e que significa a percepção, reputação e reconhecimento da opinião pública. Não se pode perder de vista que os acidentes com produtos químicos arrasam o valor de mercado da companhia e por consequência sua história e especialmente a respectiva reputação. 

Considerado o maior desastre industrial da história, a tragédia de Bhopal, ocorrida em 1984 na Índia, por causa do vazamento de cerca de 40 toneladas de isocianato de metila (MIC) para produção de pesticidas, obrigou a empresa a arcar com um prejuízo financeiro de quase US$ 500 milhões. Além dos altos valores, houve danos profundos à marca e sua imagem pelo mundo inteiro. Depois disso, as atenções à segurança cresceram intensamente. 

As organizações de saneamento e de outros segmentos da indústria sabem que o cloro é essencial para a desinfecção da água, porém a sua manipulação deve ser muito bem executada para não gerar emissões para a atmosfera. Por essa razão, a segurança para prevenção nos impactos é primordial e indispensável. É imperativo diante desse quadro pensar profundamente sempre nas tecnologias de neutralização de gases nas plantas industriais.   

Existe neste momento uma crescente cobrança da população por operações industriais mais seguras e transparentes. A construção de confiança entre empresa e sociedade leva tempo e está ligada também à transparência nas medidas de segurança estabelecidas. A partir do momento que a prevenção de acidentes é tratada como prioridade estratégica de uma empresa, ela passa a ser parte integral e indissociável da sua identidade corporativa.  



Engº Francisco Carlos Oliver - diretor técnico industrial da Fluid Feeder, empresa especializada em soluções para tratamento de água e efluentes.


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Rol da ANS: entender a cobertura do plano de saúde pode evitar dúvidas, negativas e até ações judiciais

Lista da Agência Nacional de Saúde Suplementar define a cobertura mínima obrigatória dos planos e passa por atualizações contínuas; Grupo AllCross explica como as regras funcionam na prática para os beneficiários


Quem possui plano de saúde provavelmente já ouviu falar no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Apesar de ser um dos principais instrumentos que regulamentam a assistência na saúde suplementar, o tema ainda gera dúvidas entre beneficiários, principalmente quando há negativa de cobertura para exames, cirurgias ou tratamentos. Para esclarecer como o Rol funciona e o que mudou nos últimos anos, o Grupo AllCross, maior rede de corretores especializados em planos de saúde do Brasil, explica por que conhecer essas regras pode evitar transtornos e garantir que o consumidor saiba exatamente quais são seus direitos.

O Rol da ANS reúne os procedimentos, exames, consultas, terapias, cirurgias e tratamentos que devem ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde regulamentados. A lista é atualizada periodicamente pela agência para incorporar novas tecnologias, medicamentos e procedimentos que demonstram eficácia e segurança.

"O Rol representa a cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde, mas isso não significa que qualquer procedimento listado será autorizado automaticamente. Existem critérios como o tipo de plano contratado, as Diretrizes de Utilização da ANS e até períodos de carência que também precisam ser observados", explica Rogério Moreira, gerente de Negócios do Grupo AllCross.

Nos últimos anos, o tema ganhou ainda mais visibilidade após mudanças na legislação. Em 2022, a aprovação da Lei nº 14.454 estabeleceu que, em determinadas situações, tratamentos que não constam expressamente no Rol também podem ser cobertos, desde que cumpram critérios técnicos previstos em lei, como comprovação científica de eficácia e recomendações de órgãos especializados.

"Essa mudança trouxe mais segurança ao beneficiário, mas também aumentou a importância de analisar cada caso individualmente. Nem toda negativa é irregular, assim como nem toda solicitação fora do Rol deve ser recusada automaticamente", afirma Moreira.

Outra mudança importante foi a adoção de um modelo de atualização contínua do Rol. Antes, novas coberturas eram incorporadas em intervalos maiores. Hoje, a inclusão de procedimentos ocorre ao longo do ano, permitindo que avanços da medicina cheguem mais rapidamente aos usuários dos planos de saúde.

Mesmo assim, especialistas alertam que muitas negativas acontecem por falta de informação sobre o próprio contrato.

"O beneficiário deve sempre pedir que a operadora informe, por escrito, o motivo da negativa. A justificativa permite verificar se a decisão está de acordo com as normas da ANS, com o contrato firmado ou se existe possibilidade de contestação", orienta Rogério Moreira.

A consulta ao Rol também é pública e pode ser feita diretamente nos canais da ANS, permitindo que qualquer consumidor verifique se determinado exame, cirurgia ou tratamento faz parte da cobertura obrigatória.

"Conhecer o Rol é uma forma de exercer os próprios direitos. Quanto mais informado estiver o beneficiário, menores são as chances de enfrentar dúvidas, conflitos e até judicializações desnecessárias", conclui Moreira.

 

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@grupo.allcross


Gen Z prefere financiar veículos à casa própria, revela estudo da Serasa Experian


• Estudo da área de Marketing Solutions, feito por meio do Insights Hub, mostra que jovens da geração Z possuem quase o dobro de afinidade com financiamento de veículos em comparação ao crédito imobiliário;

• Entre as pessoas de até 29 anos propensas ao financiamento automotivo, 22,8% têm relacionamento bancário maduro;

• Renda, interesse e maturidade bancária devem ser levados em conta na hora de determinar potencial de consumo do consumidor;

• Dados apoiam empresas e marcas na construção de campanhas mais precisas, com ofertas e jornadas de ativação mais aderentes ao perfil e ao momento de vida dos consumidores.

 

Um estudo inédito da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, identificou que jovens da geração Z, de até 29 anos, estão mais próximos da compra de um carro do que da casa própria: um em cada quatro (25,3%) têm afinidade com financiamento de veículos e apenas 14% demonstram afinidade com crédito imobiliário. O levantamento foi realizado pela área de Marketing Solutions da companhia por meio da plataforma proprietária de inteligência de dados Insights Hub.

 

“A análise reforça que a Geração Z não forma um bloco único de consumo. Quando cruzamos nossos dados comportamentais, socioeconômicos e de relacionamento com o mercado por meio do Insights Hub, conseguimos entender quais produtos e serviços fazem mais sentido para cada público considerando seu momento de vida. Isso permite que as marcas saiam de campanhas genéricas e construam abordagens mais precisas, relevantes e conectadas à realidade de cada audiência”, afirma a CMO e Vice-Presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, Giovana Giroto.

 

O estudo também detalha o nível de maturidade dos jovens com propensão ao financiamento automotivo. Entre os novos entrantes no crédito, de 18 a 24 anos, quase metade (48,8%) ainda não possui histórico bancário nem produtos de crédito, enquanto apenas 10,4% têm relacionamento considerado maduro. Já entre os jovens propensos ao financiamento de veículos, o percentual de relacionamento maduro sobe para 22,8%, mais que o dobro da média. Nesse mesmo grupo, menos de um terço (30,3%) não possuem histórico de crédito.

 

“O recorte indica que esses consumidores jovens com afinidade por financiamento automotivo formam uma audiência mais aderente para estratégias de ativação de empresas que precisam chegar a eles. Eles combinam interesse pelo produto com sinais mais consistentes de relacionamento com o mercado, especialmente em comparação aos jovens que ainda não desenvolveram histórico bancário ou vínculo com produtos de crédito. Para empresas dos setores automotivo, financeiro e de serviços, essa inteligência ajuda a direcionar campanhas, personalizar abordagens e priorizar públicos com maior potencial de resposta às ofertas”, complementa a executiva da datatech.

 


Renda indica diferentes oportunidades de ativação


O levantamento da área de Marketing Solutions também mostra que a propensão da Gen Z ao financiamento de veículos varia de forma relevante conforme a renda. Entre jovens com renda de até um salário-mínimo, o índice é de 13,22%. Já nas faixas intermediárias, a afinidade cresce de forma expressiva: chega a 50% entre aqueles com renda de 1 a 2 salários-mínimos e a 51,7% entre os que recebem de 2 a 5 salários-mínimos. O maior percentual está entre jovens com renda acima de 10 salários-mínimos, grupo em que 7 em cada 10 apresentam propensão ao financiamento de veículos. 


O recorte evidencia a importância de combinar interesse, renda e maturidade bancária para desenhar campanhas mais eficientes, com ofertas compatíveis com o potencial de consumo de cada audiência. Veja a variação percentual de afinidade por financiamento automotivo nas diferentes faixas de renda da geração Z: 


Giovana reforça que o estudo evidencia como ferramentas como o Insights Hub podem ser decisivas na construção de estratégias de marketing mais efetivas, orientadas por dados que nem todo mundo tem. No setor automotivo, a inteligência da plataforma pode ser usada por montadoras, concessionárias, instituições financeiras, seguradoras e empresas de serviços para construir jornadas mais personalizadas, desde a geração de awareness até a conversão. A análise também permite diferenciar perfis dentro da própria Geração Z, evitando abordagens únicas para consumidores que estão em momentos financeiros e comportamentais distintos.

 

“Hoje, marcas precisam entender não só quem tem interesse em determinado produto, mas qual é o melhor contexto para ativar essa audiência. Um jovem sem histórico de crédito demanda uma estratégia diferente daquele que já possui relacionamento bancário maduro e renda compatível com uma oferta de financiamento. O uso inteligente de dados transforma segmentação em eficiência de mídia, relevância de mensagem e conversão real de negócio”, finaliza a Vice-Presidente da Serasa Experian.


 

Metodologia

O estudo foi realizado pela área de Marketing Solutions da Serasa Experian por meio da plataforma proprietária de inteligência de dados Insights Hub. A análise considerou dados de afinidade da Geração Z bancarizada (18 a 29 anos) com financiamento de veículos e crédito imobiliário, além de recortes por faixa de renda, maturidade bancária e relacionamento com produtos de crédito. Todas as informações foram tratadas conforme as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 

 

Experian
experianplc.com

 

Fies: inscrições para o 2º semestre serão de 14 a 17 de julho

Foto: Divulgação
MEC
Edital do Fundo de Financiamento Estudantil foi publicado nesta quarta (1º). Interessados em participar do processo seletivo poderão se inscrever gratuitamente pelo portal Acesso Único a partir de 14 de julho

 

O Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Superior (Sesu), publicou, nesta quarta-feira, 1º de julho, o Edital nº 52/2026, referente ao processo seletivo do segundo semestre de 2026 do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As inscrições são gratuitas e deverão ser realizadas entre os dias 14 e 17 de julho, exclusivamente pela internet, por meio do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior

Ao todo, o MEC está ofertando mais de 112 mil vagas para o Fies em 2026, somadas as oportunidades do primeiro e do segundo semestre. Além das novas vagas ofertadas agora com previsão de 44.867 no segundo semestre, o MEC ofertará todas as vagas eventualmente ainda não ocupadas até o limite do total definido para este ano. 

Os candidatos devem atender aos requisitos, prazos e procedimentos dispostos no edital. Poderão se inscrever aqueles que tenham participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir da edição de 2010, tenham obtido média aritmética das notas nas cinco provas igual ou superior a 450 pontos, não tenham zerado a prova de redação e nem tenham participado como "treineiro". Também é necessário possuir renda bruta familiar mensal per capita de até três salários mínimos.
 

Classificação – A classificação no processo seletivo do Fies será realizada de acordo com a ordem decrescente das notas obtidas pelos candidatos no Enem, por tipo de vaga, grupo de preferência e modalidade de concorrência. O processo respeitará a seguinte ordem de priorização:

  • Candidatos que não tenham concluído o ensino superior e não tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil;
  • Candidatos que não tenham concluído o ensino superior, tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil e o tenham quitado;
  • Candidatos que já tenham concluído o ensino superior e não tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil;
  • Candidatos que já tenham concluído o ensino superior, tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil e o tenham quitado. 
     

Resultado – O Fies tem chamada única e lista de espera. O resultado da pré-seleção na chamada única será divulgado no dia 30 de julho. O candidato será pré-selecionado em apenas uma de suas opções de curso/turno/local de oferta/instituição de ensino superior realizadas na inscrição, conforme o tipo de vaga e a modalidade de concorrência. Os estudantes pré-selecionados deverão acessar o Fies Seleção para complementar sua inscrição entre os dias 31 de julho e 4 de agosto.  
 

Lista de espera – Os estudantes que não forem pré-selecionados na chamada única estarão automaticamente na lista de espera para preenchimento das vagas não ocupadas, observada a ordem de classificação. A pré-seleção ocorrerá de 7 de agosto a 24 de setembro. 

Todos os inscritos e aqueles que venham a ser pré-selecionados devem ficar atentos aos prazos e procedimentos estabelecidos no edital para não perderem as oportunidades de ocupar as vagas ofertadas nessa edição do Fies.   
 

Confira o cronograma completo do Fies: 

Inscrições: 14 a 17 de julho
Resultado: 30 de julho
Complementação das inscrições: 31 de julho a 4 de agosto
Lista de Espera: 7 a 24 de setembro
 

Fies Social – O processo seletivo do Fies inclui a reserva de 50% das vagas para estudantes com renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo e com inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Pré-selecionados que atendam às regras do Fies Social poderão solicitar a contratação do financiamento integral, cobrindo até 100% dos encargos educacionais. 

Os estudantes pré-selecionados com renda familiar per capita de até meio salário mínimo, inscritos nas vagas do Fies Social, estão dispensados da comprovação da renda familiar junto à Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA), mas devem comparecer à comissão para validação das demais informações. Caso a CPSA identifique, entre as informações prestadas, discrepância referente à renda familiar declarada, poderá ser exigida a apresentação de documentação complementar para comprovação. 

No caso das vagas destinadas às pessoas com deficiência, independentemente de terem se inscrito para as vagas do Fies Social ou para as demais vagas do Fies, os candidatos deverão comprovar a sua situação por meio de laudo médico, atestando a espécie e o grau da deficiência, com expressa referência ao código correspondente da Classificação Internacional de Doenças (CID).  
 

Fies – O Fundo de Financiamento Estudantil é um programa do MEC instituído pela Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001. Seu objetivo é conceder financiamento a estudantes de cursos de graduação em instituições de educação superior privadas que aderirem ao programa e possuam avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

Confira também:
Fies 2026: complementação da inscrição postergada começa hoje (1º)

Com informações da Sesu  


Golpe da falsa central: conheça as várias versões de um mesmo crime

Febraban reproduz passo a passo de abordagens usadas por criminosos para roubar dados pessoais e bancários de clientes e dá dicas de como se proteger

 

Vídeo com Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban, para download neste link 

O golpe da falsa central telefônica tem se tornado cada vez mais sofisticado, com criminosos usando diferentes estratégias para se passar por instituições financeiras e enganar clientes. Por meio de ligações, mensagens e até recursos tecnológicos que simulam números oficiais, os golpistas tentam obter dados pessoais e bancários, além de induzir vítimas a realizar transferências ou instalar aplicativos maliciosos. 

Diante da variedade de abordagens, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) reuniu os principais modos de atuação desses criminosos e orientações para ajudar a população a identificar e evitar este tipo de crime.

 

Como entram em contato 

- Os bandidos entram em contato por SMS, WhatsApp ou até por ligações telefônicas que aparentam ser de instituições financeiras legítimas 

- Também usam a técnica do spoofing de telefone, quando mascaram o número de origem da ligação com um software, fazendo parecer que a chamada vem do banco ou até mesmo da agência do cliente 

- Através de e-mails e sites que são parecidos com os dos bancos

 

O que falam na abordagem 

- Podem ligar para clientes e se passar por falsos gerentes. O criminoso alega que há descontos indevidos na conta corrente, clonagem de cartão ou ainda a necessidade de fazer uma atualização de segurança 

- Também ligam e dizem ao cliente que sua agência bancária e/ou seu gerente está sob investigação. E chegam até a mandar um boletim de ocorrência falso para dar credibilidade ao golpe. A partir daí, dizem que para a proteção do cliente, ele deve transferir seus recursos para uma conta segura enquanto durar a investigação criminal 

- Afirmam que um novo dispositivo de celular foi usado para conectar a conta e perguntam se foi o cliente que fez essa ação. Caso o cliente negue, os bandidos alegam que precisam fazer várias verificações de segurança e pedem senhas e dados pessoais da vítima 

- Em gravações ou ligações telefônicas, criminosos falam de compras suspeitas com cartão de crédito com valores muito altos e pedem senhas, dados pessoais e financeiros da vítima para cancelarem as supostas aquisições. Também podem dizer que uma transação de alto valor foi aprovada e pedem para a vítima ligar imediatamente para cancelar 

- Mandam SMS alegando que milhas do cartão de crédito estão expirando e pedem que o cliente clique em um link para resolver o problema. Estes links maliciosos podem instalar vírus no celular e computador e causar vários prejuízos ao usuário 

- Os bandidos usam atuação realista e passam a chamada para diferentes “setores” (como segurança ou Ouvidoria) e usam músicas de espera idênticas às dos bancos verdadeiros para dar veracidade ao golpe.

 

O que pedem ao cliente 

- Dados pessoais, senhas bancárias, token de autenticação, informações da conta e outros dados financeiros 

- Transferências bancárias para resolver supostos problemas na conta 

- Instalação de links ou de um aplicativo para resolver irregularidades na conta 

“As estratégias são as mais variadas possíveis, mas as táticas, velhas: o bandido usa técnicas de engenharia social, que consistem na manipulação psicológica do usuário para que ele lhe forneça informações confidenciais ou faça transações em favor de quadrilhas”, alerta Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban.

 

O que o cliente deve saber 

- Os bancos NUNCA ligam para o cliente pedindo senhas, dados pessoais, tokens e dados financeiros 

- Os bancos NUNCA pedem que clientes façam transferências para resolver problemas na conta 

- Os bancos NÃO USAM táticas de urgência e pressão para que o cliente faça algo de maneira imediata 

- Os bancos NUNCA pedem a instalação ou atualização de aplicativos 

- As instituições NUNCA pedem que o cliente entregue seu cartão a um motoboy 

“A Febraban reforça que dados pessoais JAMAIS são solicitados ativamente pelas instituições financeiras, tampouco funcionários de bancos ligam para clientes para fazer testes com o Pix, de transações, pagamentos e estornos de lançamentos. Se isto ocorrer, é golpe”, afirma Raphael Mielle.

 

O que o cliente deve fazer para se proteger 

- Ao receber uma ligação suspeita, desligue imediatamente o telefone e procure os canais oficiais da instituição utilizando números disponíveis no verso do cartão ou nos sites oficiais 

- Nunca clique em links enviados por mensagens 

- Desconfie de qualquer pressão para tomada de decisão rápida 

- Jamais instale aplicativos enviados por terceiros no celular

 

O que fazer se cair num golpe 

- No caso de o cliente ter sido vítima de algum crime, ele deve notificar imediatamente seu banco para que medidas adicionais de segurança sejam adotadas, como bloqueio do app e senha de acesso. Também deve registrar um boletim de ocorrência.


Espetáculo da natureza: Florada das sakuras transforma Campos do Jordão em cenário cor-de-rosa durante o inverno

 Florada da sakuras no Parque da Cerejeira de Campos do Jordão proporciona um passeio inesquecível.
Foto: Cleverson Nunes


 O Parque da Cerejeira vira um pedacinho do Japão durante a temporada. Os visitantes podem contemplar com tranquilidade a beleza das cerejeiras durante a semana e aproveitar a tradicional Festa da Cerejeira em Flor nos finais de semana a partir de 25 de julho

 

Quem deseja apreciar a beleza da florada das sakuras com mais calma encontra nos dias de semana o momento ideal para visitar o Parque da Cerejeira, em Campos do Jordão (SP). Entre o final de julho e o fim de agosto, cerca de 800 cerejeiras florescem e transformam a paisagem da Serra da Mantiqueira em um verdadeiro espetáculo de tons de rosa, atraindo turistas de todos os cantos do país. Uma experiência inesquecível! 

Ao longo da semana, o parque pode ser visitado em um ambiente mais tranquilo, ideal para caminhar entre as cerejeiras, observar o desenvolvimento da florada e vivenciar com mais calma o ciclo das flores. Já nos finais de semana, o espaço se transforma com a realização da “55ª Festa da Cerejeira em Flor", que celebra o pico da floração e valoriza a cultura japonesa por meio de uma programação especial.

 

TRADIÇÃO JAPONESA - As sakuras são símbolos marcantes da cultura japonesa e representam a beleza da vida, a renovação e a transitoriedade, já que sua floração é breve e intensa. A experiência em Campos do Jordão é inspirada no Hanami, tradição japonesa de contemplação das flores, reforçando a valorização do presente e da natureza. 

O parque abriga cerca de 800 árvores de cerejeira, distribuídas em cinco espécies diferentes, com destaque para Yukiwari e Okinawa, que predominam na paisagem. As primeiras mudas foram plantadas em 1936, dando início a uma história que une cultura, tradição japonesa e preservação ambiental no município. 

Essa combinação entre visitação durante a semana e programação cultural nos fins de semana faz do Parque da Cerejeira um dos principais atrativos turísticos do inverno na região.

 

Cultura e beleza na Festa da Cerejeira em Flor

A 55ª edição da Festa da Cerejeira em Flor acontece nos finais de semana, entre 25 de julho a 16 de agosto, sempre das 9h às 16h, no Parque da Cerejeira. 

A programação inclui danças tradicionais japonesas (odori), apresentações de taikô (tambores), artes marciais, bazar cultural e o concurso de cosplay do 4º Sakura Anime Show. A gastronomia também é um destaque, com pratos típicos como sushi, tempurá, yakisoba, udon e mochi, além de opções da culinária da Serra da Mantiqueira. 

A festa é promovida pelo Sakura Home Residencial Sênior, instituição ligada à Associação Nipo-Brasileira de Assistência Social (Enkyo). Toda a renda arrecadada é destinada à manutenção do residencial e do Parque da Cerejeira e, apoiando ações de cuidado, longevidade e preservação da cultura japonesa. Saiba mais pelo site.

Os ingressos podem ser adquiridos antecipadamente pela plataforma Sympla ou na bilheteria local.

 

INGRESSOS - O valor da entrada é de R$60 reais (inteira) e R$30 (meia para jordanenses e idosos), crianças até seis anos e idosos acima de 80 anos não pagam. Para excursões, acima de 15 pessoas o valor é de meia entrada. A compra deve ser realizada por uma pessoa representante da mesma. O estacionamento é pago à parte (R$40/carro e R$80/van). 


Serviço

Florada no Parque da Cerejeira de Campos do Jordão

📅 Período: final de julho a agosto
👀 Visitação: todos os dias para contemplação da florada, com ingressos disponíveis na bilheteria. Nos fins de semana, a programação inclui a Festa da Cerejeira

Horário: 9h às 16h
📍 Local: Parque da Cerejeira – Avenida Tassaburo Yamaguchi, 2.173, Vila Albertina, Campos do Jordão/SP

🎟Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
🚗 Estacionamento: R$ 40 (carro) e R$ 80 (van), pago à parte

🌸 55ª Festa da Cerejeira em Flor:
Aos finais de semana de julho e agosto: 25 e 26 de julho; 1, 2, 8, 9, 15 e 16 de agosto

🎫 Vendas: Sympla e na bilheteria local


Você é dona do seu negócio ou apenas a funcionária mais cara dele?

Centralização e autosabotagem impedem mulheres de alcançarem o topo na gestão de suas próprias empresas; mentora Alessandra Freitas explica como fazer a transição da liderança executiva para a estratégica.

 

Muitas mulheres decidem empreender em busca de mais autonomia, liberdade financeira e flexibilidade. No entanto, conforme o negócio cresce, uma armadilha silenciosa passa a fazer parte da rotina de muitas empresárias: a dificuldade de sair da operação e assumir uma posição verdadeiramente estratégica dentro da própria empresa.

Essa realidade é mais comum do que parece. Uma pesquisa da startup Olhi revelou que 63,4% das mulheres empreendedoras conciliam as demandas do negócio com tarefas domésticas e familiares. A sobrecarga faz com que muitas acabem concentrando responsabilidades em excesso, reduzindo o tempo disponível para planejamento, crescimento e tomada de decisões de longo prazo.

Para Alessandra Freitas, mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, muitas empresárias acabam se tornando a principal executora do próprio negócio, assumindo funções que deveriam estar distribuídas entre processos e equipes.

“É muito comum encontrarmos mulheres que construíram empresas de sucesso, mas que ainda centralizam praticamente todas as decisões. Elas aprovam tudo, resolvem tudo e participam de todas as etapas. Na prática, deixam de atuar como donas da empresa e se tornam a funcionária mais cara dela”, explica.

Segundo a especialista, esse comportamento costuma estar relacionado a fatores como perfeccionismo, medo de perder qualidade, insegurança na delegação e até crenças construídas ao longo da trajetória profissional. Embora essas atitudes surjam com a intenção de proteger o negócio, acabam criando um modelo difícil de sustentar.

Quando toda a operação depende da presença constante da fundadora, o crescimento da empresa também encontra limites. Além da sobrecarga, surgem dificuldades para expandir equipes, desenvolver lideranças e criar processos capazes de garantir autonomia ao negócio.

Para Alê, o caminho passa por uma mudança de mentalidade. A empresária precisa compreender que seu papel principal não é executar tarefas operacionais, mas direcionar a empresa, tomar decisões estratégicas e criar condições para que outras pessoas também contribuam para os resultados.

“Delegar não significa perder o controle. Significa construir uma estrutura sólida, com responsabilidades claras e pessoas preparadas para assumir funções importantes. Empresas saudáveis não dependem exclusivamente da presença da fundadora para funcionar”, afirma.

A especialista destaca que a transição da liderança executiva para a estratégica não acontece da noite para o dia, mas deve ser construída por meio da formação de equipes, da criação de processos e do desenvolvimento da confiança. Quanto mais preparada estiver a estrutura interna, mais espaço a líder terá para focar em inovação, crescimento e novas oportunidades.

“O verdadeiro sucesso não acontece quando a empresária consegue fazer tudo sozinha. Ele acontece quando a empresa cresce de forma sustentável, sem que ela precise carregar o negócio inteiro nas costas. É nesse momento que ela deixa de ser apenas uma executora e assume plenamente seu papel de líder”, conclui.

 

Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real | CEO da Anima Impacto Consultoria.


Monitoramento dos rios realizado pelo Serviço Geológico do Brasil contribui para prever impactos de El Niño

Arquivo SGB
Dados hidrológicos produzidos pelo SGB subsidiam ações de prevenção a enchentes e estiagens e apoiam a tomada de decisão de gestores públicos e da Defesa Civil

  

O monitoramento hidrológico realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) é uma das principais ferramentas para prever os impactos do El Niño sobre os rios brasileiros. A partir da operação da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) e da emissão de previsões hidrológicas, a instituição gera informações que subsidiam a Defesa Civil, gestores públicos e a população na prevenção de inundações e estiagens. 

“Até o momento, o SGB tem acompanhado as previsões climáticas quanto ao El Nino, as chuvas registradas e a evolução dos níveis dos rios monitorados, comparando a situação atual com registros históricos e utilizando modelos hidrológicos para a previsão de vazões e níveis para o auge do período seco, em diferentes pontos do Brasil”, explica a diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB, Alice Castilho. 

O El Niño altera os padrões climáticos em diferentes regiões do Brasil. Enquanto aumenta o risco de secas severas na faixa que abrange as regiões Norte e Nordeste, favorece volumes de chuva acima da média na Região Sul, elevando os riscos de inundação. Nesse cenário de extremos, a atuação do SGB é fundamental na linha de frente da gestão de riscos e na mitigação de desastres.

 

Monitoramento de rios e operação de sistemas de alerta

Os dados coletados pela RHN alimentam o Sistema de Alerta Hidrológico (SAH). Por meio da plataforma SACE, o SGB entrega à sociedade e aos órgãos de proteção civil dados essenciais para a antecipação de eventos críticos. Entre as principais ferramentas disponíveis estão os Boletins de Alerta e Previsão de Níveis, que simulam e projetam as cotas e vazões dos rios para os dias seguintes. Esse prognóstico hidrológico confere previsibilidade para que municípios se preparem para enchentes iminentes e para que organizem ações preventivas contra os impactos de severas estiagens. 

Segundo Alice Castilho, durante os períodos de estiagem os modelos utilizados pelo SGB permitem projeções com até três meses de antecedência na Amazônia. “Isso permite a tomada de decisão quanto a priorização de uso da água, fontes de geração de energia, alternativa à navegação por hidrovia, etc. Durante as cheias, as previsões podem variar de horas a dias e dependem do tamanho da bacia hidrográfica”, afirma. 

Além das previsões hidrológicas, o SGB produz Mapas de Mancha de Inundação, que indicam as áreas que serão afetadas caso o rio atinja determinada cota crítica, permitindo uma evacuação ordenada por parte das defesas civis locais. A instituição também elabora mapeamentos de risco geológico e hidrológico utilizados pelas Defesas Civis para orientar ações preventivas, obras de redução de risco e, quando necessário, a realocação de populações expostas. 

O SGB também monitora a quantidade de água no subsolo, por meio da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (RIMAS) e sensoriamento remoto. Estas informações, juntamente com o monitoramento das chuvas e vazões dos rios, auxiliam no planejamento do setor agrícola frente à irregularidade climática.

O SGB mantém ainda o repositório dos poços perfurados no Brasil no SIAGAS - Sistema de Informações de Águas Subterrâneas, que podem ser utilizados pelo poder público, como fonte de abastecimento no caso de uma estiagem severa.

 

Atuação integrada no monitoramento do fenômeno

O SGB também integra o grupo de órgãos federais responsável pelo monitoramento oficial do El Niño. Em conjunto com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC), a instituição participa da elaboração do boletim técnico sobre o fenômeno, contribuindo com análises sobre os impactos hidrológicos esperados nas diferentes regiões do país. 

Enquanto os órgãos meteorológicos avaliam o comportamento da atmosfera e das chuvas, o SGB analisa o impacto dessas chuvas na dinâmica das bacias hidrográficas, gerando previsões de vazão e cenários sobre o comportamento dos rios. As informações apoiam o planejamento de ações preventivas e a gestão dos recursos hídricos. 

Embora o El Niño rompa com a normalidade climática e imponha desafios complexos para a gestão pública e para a infraestrutura nacional, o monitoramento preventivo, a ciência hidrológica e geológica aplicada e o planejamento interinstitucional consolidam-se como as defesas eficazes do país. O SGB permanece mobilizado, garantindo dados científicos transparentes e seguros para subsidiar as ações de contingência e assegurar a sustentabilidade hídrica do Brasil diante de eventos climáticos extremos. 

Para acompanhar os níveis dos rios em tempo real e acessar os relatórios diários de monitoramento, acesse a plataforma do Sistema de Alerta Hidrológico (SACE).


A epidemia silenciosa das bets e a responsabilidade diante da ludopatia

 

Durante muito tempo, perder dinheiro em jogos de azar foi tratado apenas como consequência de uma decisão individual equivocada. A imagem do jogador irresponsável, incapaz de controlar os próprios impulsos, ainda domina o imaginário popular. Com a explosão das apostas online no Brasil, essa percepção continua presente. Basta surgir a notícia de alguém que perdeu o patrimônio, comprometeu a renda da família ou acumulou dívidas em plataformas de apostas para que apareçam julgamentos rápidos: faltou força de vontade, sobrou ganância, a culpa é exclusivamente de quem apostou. 

A medicina, porém, oferece uma explicação muito mais complexa. A Organização Mundial da Saúde e a Associação Americana de Psiquiatria reconhecem oficialmente o transtorno do jogo, conhecido popularmente como ludopatia, como uma doença mental. Não se trata de um desvio moral nem de falta de caráter, mas de um transtorno aditivo que compromete os mesmos circuitos cerebrais de recompensa envolvidos na dependência de álcool e outras drogas. A diferença é que, nesse caso, o estímulo não é uma substância química, mas o próprio ato de apostar. 

Esse reconhecimento muda profundamente a forma como a sociedade deve enfrentar o problema. Se estamos diante de uma doença, a resposta não pode ser construída apenas com reprovação moral ou discursos sobre responsabilidade individual. É preciso compreender que existe uma parcela de pessoas que perde, progressivamente, a capacidade de interromper um comportamento que passa a ser compulsivo. 

Os critérios médicos são objetivos. O diagnóstico considera sinais como a necessidade de apostar valores cada vez maiores para experimentar a mesma sensação, a ansiedade quando a pessoa tenta interromper o jogo, as repetidas tentativas fracassadas de parar e um comportamento bastante conhecido entre especialistas: a perseguição das perdas. O apostador acredita que conseguirá recuperar rapidamente o dinheiro perdido e, justamente por isso, continua apostando. Em vez de reverter o prejuízo, normalmente amplia o endividamento. Mentiras à família, empréstimos para continuar jogando, abandono do trabalho, dos estudos ou do convívio social também fazem parte desse quadro. 

É importante destacar que as apostas online não criaram a ludopatia. O transtorno existe há décadas e sempre esteve associado a cassinos, bingos e outras modalidades de jogo. O ambiente digital, contudo, elevou significativamente o potencial de risco. Hoje, qualquer pessoa carrega um cassino permanente no bolso. As plataformas funcionam vinte e quatro horas por dia, aceitam depósitos instantâneos por Pix, oferecem bônus e promoções exatamente quando o usuário perde dinheiro, enviam notificações constantes e disponibilizam jogos extremamente rápidos, nos quais dezenas de apostas podem ser realizadas em poucos minutos. 

Toda essa arquitetura tecnológica foi desenvolvida para reduzir o tempo entre uma aposta e outra. A pausa para refletir, fundamental para qualquer decisão racional envolvendo dinheiro, praticamente desaparece. Para quem já apresenta predisposição ao transtorno, esse ambiente funciona como um poderoso acelerador da compulsão. 

Os impactos extrapolam, em muito, a esfera patrimonial. A ludopatia frequentemente provoca desestruturação financeira das famílias, rompimento de relacionamentos, afastamento do mercado de trabalho, ansiedade, depressão e, em situações extremas, ideação suicida. Trata-se, portanto, de um problema de saúde pública que gera consequências sociais, econômicas e jurídicas. 

Foi justamente essa mudança de percepção que levou diversos países a abandonar o antigo modelo baseado exclusivamente na liberdade individual para adotar políticas de jogo responsável. O Brasil seguiu esse caminho ao regulamentar o setor por meio da Lei nº 14.790/2023. Ao contrário do que muitos imaginam, essa legislação não trata apenas de arrecadação tributária. Ela também estabelece deveres específicos para as empresas que exploram apostas de quota fixa. 

As operadoras passaram a ter obrigação de disponibilizar mecanismos de autoexclusão, permitir que os usuários estabeleçam limites financeiros e temporais para utilização da plataforma e desenvolver políticas de prevenção ao transtorno do jogo. Mais do que isso, espera-se que utilizem a enorme quantidade de dados que coletam para identificar padrões compatíveis com comportamento compulsivo. 

Essa discussão leva inevitavelmente ao campo jurídico. A relação entre apostador e plataforma é uma típica relação de consumo. Assim como ocorre em qualquer outro serviço, quem oferece uma atividade potencialmente danosa assume deveres de segurança, informação e prevenção. Não basta disponibilizar ferramentas formais se, paralelamente, a própria empresa incentiva a continuidade das apostas por meio de bônus personalizados, cashback e campanhas direcionadas justamente aos usuários que apresentam comportamento de maior risco. 

É exatamente essa a discussão que começa a chegar aos tribunais brasileiros. As primeiras decisões judiciais revelam uma tendência relevante: quando existem provas robustas de que a plataforma tinha condições objetivas de perceber um padrão de comportamento compulsivo e, ainda assim, continuou estimulando a atividade, cresce a possibilidade de responsabilização civil. 

Não significa, evidentemente, que toda perda financeira será automaticamente ressarcida. O Direito não elimina a autonomia do indivíduo nem transforma as empresas em seguradoras universais das escolhas de seus consumidores. Cada caso exige análise cuidadosa das circunstâncias concretas, do diagnóstico médico, do histórico de apostas e das medidas efetivamente adotadas pela operadora. 

Por isso, as ações judiciais têm demonstrado que a prova é elemento decisivo. Laudos psiquiátricos, registros de tratamento, histórico de depósitos, comprovantes de Pix, mensagens promocionais enviadas pela plataforma, pedidos de autoexclusão e documentos que demonstrem o agravamento da situação financeira podem fazer diferença significativa na avaliação da responsabilidade de cada parte. 

Essa evolução jurídica reflete uma mudança mais ampla de paradigma. Durante muitos anos, a responsabilidade recaía exclusivamente sobre o jogador. Hoje se reconhece que empresas que utilizam algoritmos sofisticados para conhecer detalhadamente o comportamento de seus consumidores também possuem deveres proporcionais ao risco inerente à atividade econômica que exploram. 

O debate não é sobre proibir apostas. Milhões de brasileiros apostam eventualmente sem desenvolver qualquer transtorno. A regulamentação parte justamente desse pressuposto: o jogo pode existir como atividade lícita para quem exerce sua liberdade de forma consciente. O desafio surge quando essa liberdade é progressivamente comprometida por uma doença reconhecida pela medicina. 

Nesse ponto, o equilíbrio é indispensável. Não faz sentido tratar todo apostador como incapaz, da mesma forma que seria injusto considerar toda plataforma automaticamente responsável por qualquer prejuízo financeiro. A resposta jurídica deve ser construída a partir da análise concreta da capacidade de cada agente prevenir o dano. 

Também não cabe às famílias responderem com julgamentos morais. Reconhecer a ludopatia como doença não significa eliminar a responsabilidade pessoal, mas compreender que a recuperação exige tratamento especializado, apoio familiar e ambiente social menos estigmatizante. Da mesma forma, empresas que obtêm lucros bilionários explorando uma atividade reconhecidamente capaz de produzir dependência não podem ignorar os sinais evidentes de que determinado consumidor deixou de jogar por entretenimento e passou a agir sob compulsão. 

O Supremo Tribunal Federal ainda examina diversos aspectos da regulamentação das apostas no Brasil, inclusive questões relacionadas à publicidade e à proteção de grupos vulneráveis. Independentemente do resultado dessas discussões, um consenso já começa a se formar. O enfrentamento da ludopatia não pode ficar restrito ao campo da saúde nem ao campo do Direito. Trata-se de um fenômeno que exige atuação conjunta do Estado, das famílias, das empresas e do sistema de Justiça. 

O Brasil ainda está aprendendo a conviver com um mercado que cresce em velocidade extraordinária. Quanto mais cedo abandonarmos a falsa ideia de que toda compulsão por apostas decorre apenas de fraqueza moral, maiores serão as chances de construir uma regulação capaz de preservar a liberdade de quem joga por lazer e, ao mesmo tempo, proteger aqueles para quem apostar deixou de ser uma escolha e passou a ser uma doença. 

 

Ricardo Menegatto - advogado especializado em direito do consumidor e sócio do escritório Menegatto Advogados


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