Centralização e autosabotagem impedem mulheres de alcançarem o topo na gestão de suas próprias empresas; mentora Alessandra Freitas explica como fazer a transição da liderança executiva para a estratégica.
Muitas mulheres decidem empreender em
busca de mais autonomia, liberdade financeira e flexibilidade. No entanto,
conforme o negócio cresce, uma armadilha silenciosa passa a fazer parte da
rotina de muitas empresárias: a dificuldade de sair da operação e assumir uma
posição verdadeiramente estratégica dentro da própria empresa.
Essa realidade é mais comum do que
parece. Uma pesquisa da startup Olhi revelou que 63,4% das mulheres
empreendedoras conciliam as demandas do negócio com tarefas domésticas e
familiares. A sobrecarga faz com que muitas acabem concentrando
responsabilidades em excesso, reduzindo o tempo disponível para planejamento,
crescimento e tomada de decisões de longo prazo.
Para Alessandra Freitas, mentora em
Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria,
muitas empresárias acabam se tornando a principal executora do próprio negócio,
assumindo funções que deveriam estar distribuídas entre processos e equipes.
“É muito comum encontrarmos mulheres
que construíram empresas de sucesso, mas que ainda centralizam praticamente
todas as decisões. Elas aprovam tudo, resolvem tudo e participam de todas as
etapas. Na prática, deixam de atuar como donas da empresa e se tornam a
funcionária mais cara dela”, explica.
Segundo a especialista, esse
comportamento costuma estar relacionado a fatores como perfeccionismo, medo de
perder qualidade, insegurança na delegação e até crenças construídas ao longo
da trajetória profissional. Embora essas atitudes surjam com a intenção de
proteger o negócio, acabam criando um modelo difícil de sustentar.
Quando toda a operação depende da
presença constante da fundadora, o crescimento da empresa também encontra
limites. Além da sobrecarga, surgem dificuldades para expandir equipes,
desenvolver lideranças e criar processos capazes de garantir autonomia ao
negócio.
Para Alê, o caminho passa por uma
mudança de mentalidade. A empresária precisa compreender que seu papel
principal não é executar tarefas operacionais, mas direcionar a empresa, tomar
decisões estratégicas e criar condições para que outras pessoas também contribuam
para os resultados.
“Delegar não significa perder o
controle. Significa construir uma estrutura sólida, com responsabilidades
claras e pessoas preparadas para assumir funções importantes. Empresas
saudáveis não dependem exclusivamente da presença da fundadora para funcionar”,
afirma.
A especialista destaca que a transição
da liderança executiva para a estratégica não acontece da noite para o dia, mas
deve ser construída por meio da formação de equipes, da criação de processos e
do desenvolvimento da confiança. Quanto mais preparada estiver a estrutura
interna, mais espaço a líder terá para focar em inovação, crescimento e novas
oportunidades.
“O verdadeiro sucesso não acontece
quando a empresária consegue fazer tudo sozinha. Ele acontece quando a empresa
cresce de forma sustentável, sem que ela precise carregar o negócio inteiro nas
costas. É nesse momento que ela deixa de ser apenas uma executora e assume
plenamente seu papel de líder”, conclui.
Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança Feminina
Aplicada ao Negócio Real | CEO da Anima Impacto Consultoria.
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