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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Antes de imitar seus ídolos da Copa, saiba quais lesões mais afastam amadores dos gramados

 Entorses, lesões musculares e traumas no joelho lideram os atendimentos; especialista alerta para os riscos do "atleta de fim de semana"

 

A Copa do Mundo de 2026 movimenta torcedores em todo o planeta e, além de reunir milhões de pessoas diante da televisão, também costuma despertar a vontade de voltar aos gramados. Seja em campeonatos amadores, partidas entre amigos ou tradicionais peladas de fim de semana, o futebol ganha ainda mais espaço na rotina dos brasileiros durante grandes competições. Mas o entusiasmo nem sempre vem acompanhado de preparo físico adequado, aumentando o risco de lesões que podem comprometer a saúde e afastar praticantes do esporte por semanas ou até meses. 

Segundo o ortopedista e traumatologista Dr. Luis Marcelo Muller, do Hospital Regina, as lesões mais frequentes no futebol recreativo afetam principalmente os membros inferiores. Entorses de tornozelo, lesões musculares na parte posterior da coxa, contusões e traumas no joelho estão entre os problemas mais comuns observados nos atendimentos. "O futebol é uma atividade que exige mudanças rápidas de direção, acelerações, desacelerações e contato físico. Quando o praticante não está adequadamente condicionado, o risco de lesão aumenta significativamente", explica. 

Entre os principais fatores de risco está o perfil conhecido como "atleta de fim de semana", ou seja, aquela pessoa que passa boa parte da semana sedentária e concentra esforços intensos em uma única partida. A combinação de falta de condicionamento, aquecimento insuficiente, poucas horas de sono e, em alguns casos, consumo de álcool antes da atividade cria um cenário propício para lesões musculares e articulares. 

Os números reforçam a preocupação. Estudos mostram que tornozelos e joelhos concentram a maior parte das lesões relacionadas ao futebol. Em jovens atletas, essas duas regiões respondem por mais de um terço dos casos registrados. Além disso, embora menos frequentes, fraturas e rupturas ligamentares podem gerar afastamentos prolongados e demandar tratamentos mais complexos. 

Entre todas as ocorrências, as lesões no joelho continuam sendo as mais preocupantes, na visão dos especialistas. A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), por exemplo, pode exigir cirurgia e um período de recuperação que frequentemente ultrapassa nove meses. "As lesões ligamentares do joelho merecem atenção especial porque podem gerar instabilidade articular, limitar a prática esportiva e favorecer o desenvolvimento precoce de artrose quando não tratadas adequadamente", destaca o médico. 

A escolha dos equipamentos também influencia diretamente na segurança durante a prática esportiva. Chuteiras inadequadas e campos em más condições aumentam o risco de quedas, torções e lesões ligamentares. O alerta vale inclusive para gramados sintéticos, que exigem cuidados específicos de manutenção para oferecer condições seguras aos atletas.

 

Quando é hora de parar

Quando uma lesão acontece durante a partida, a orientação é interromper imediatamente a atividade e adotar medidas simples de primeiros socorros. O protocolo conhecido como PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação do membro afetado) ajuda a controlar a dor e o inchaço nas primeiras horas após o trauma. No entanto, situações que envolvam incapacidade de caminhar, deformidades, instabilidade articular ou dor intensa exigem avaliação médica imediata. 

Outro ponto importante é evitar negligenciar sintomas aparentemente leves. Entorses graves de tornozelo, rupturas ligamentares, fraturas não diagnosticadas e até lesões musculares importantes podem deixar sequelas permanentes quando não recebem tratamento adequado. "Muitas pessoas acreditam que a dor vai desaparecer sozinha e continuam jogando. Esse comportamento pode transformar uma lesão simples em um problema crônico e dificultar o retorno ao esporte", alerta.


Aprenda a evitar lesões

A boa notícia é que grande parte das lesões pode ser evitada com medidas relativamente simples: aquecimento nos 15 minutos que antecedem a atividade, prática regular de exercícios físicos, fortalecimento muscular, hidratação adequada e períodos suficientes de descanso são algumas das estratégias mais eficazes para reduzir os riscos. 

Retomar o contato com a bola aos poucos é outra recomendação válida. “Começar com controle de bola, dribles e chutes a gol. Depois, iniciar jogos de pequenas durações e, assim, evoluir progressivamente. Para evitar lesões, é essencial adequar intensidade e regularidade nesse início”, orienta o ortopedista Emerson Garms, do Hospital Santa Catarina - Paulista. 

Com a devida atenção aos cuidados básicos, a prática esportiva agrega benefícios e deve ser motivada. "Quem deseja aproveitar o clima da Copa para voltar a jogar futebol deve encarar o esporte da mesma forma que qualquer atividade física: com preparação, responsabilidade e respeito aos limites do próprio corpo", reforça.


Cinco lesões mais comuns no futebol recreativo

  1. Entorse de tornozelo
    Ocorre geralmente após mudanças bruscas de direção ou pisadas inadequadas.
     
  2. Lesões musculares na posterior da coxa
    Relacionadas principalmente a arrancadas, sprints e falta de condicionamento físico.
     
  3. Contusões
    Provocadas por choques entre jogadores ou quedas durante a partida.
     
  4. Lesões no joelho
    Incluem desde entorses até rupturas ligamentares, como a do ligamento cruzado anterior (LCA).
     

Fraturas


Menos frequentes, mas potencialmente graves, principalmente em situações de impacto direto ou torções intensas.



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